CONFLITO

Unesco inclui centro histórico de Odessa, na Ucrânia, no Patrimônio Mundial em perigo

Por: AFP

Publicado em: 25/01/2023 16:30

 (Foto: Oleksandr GIMANOV / AFP
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Foto: Oleksandr GIMANOV / AFP
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) inscreveu, nesta quarta-feira (25), o centro histórico da cidade ucraniana de Odessa, às margens do Mar Negro, em sua lista de Patrimônio Mundial em perigo, apesar da oposição russa.

Em uma sessão extraordinária, o Comitê de Patrimônio adotou a decisão por seis votos a favor, um contra (Rússia) e 14 abstenções.

Apelidada de "Pérola do Mar Negro", Odessa é uma cidade portuária que muitos identificam no mundo pela monumental Escadaria de Potemkin. 

Com a votação, o centro histórico de Odessa foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial e também registrado como patrimônio em perigo. 

"Odessa, uma cidade livre, uma cidade mundial, um porto lendário que deixou sua marca no cinema, na literatura e nas artes, fica, assim, sob a proteção reforçada da comunidade internacional", afirmou a diretora-geral desta agência especializada da ONU, Audrey Azoulay.

Odessa sofreu bombardeios russos desde o início do conflito, em fevereiro de 2022, mas seu patrimônio permaneceu praticamente intacto. 

A Escadaria de Potemkin é um de seus monumentos mais conhecidos. Concebida como a entrada da cidade pelo mar, ela foi imortalizada no filme histórico "O Encouraçado Potemkin" (1925), do diretor soviético Serguei Eisenstein.

"Enquanto a guerra continua, esta inscrição encarna nossa determinação coletiva de garantir que esta cidade, que sempre se ergueu acima das convulsões do mundo, seja preservada de novas destruições", acrescentou Audrey.

A designação como patrimônio em perigo "dá acesso a mecanismos reforçados de assistência internacional, tanto técnica quanto financeira", segundo a Unesco. 

"A Ucrânia pode solicitar para garantir a proteção do sítio e, caso necessário, ajudar na sua reabilitação", disse a agência.

A Rússia tentou adiar a votação repetidas vezes e, durante a sessão, criticou a apresentação de um "dossiê superficial" feito com base em um "copia e cola da página da Wikipédia". Moscou também acusou as autoridades ucranianas de serem responsáveis pela destruição dos monumentos.

Depois, a missão russa na Unesco denunciou, em nota, uma decisão "tomada sob pressão do Ocidente" e acusou o Comitê do Patrimônio de ter se transformado em um "instrumento para acerto de conyas políticas".

Em outubro passado, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pediu que este local fosse inscrito como Patrimônio Mundial. Desde a invasão russa, as autoridades ucranianas tentam proteger seus monumentos com sacos de areia e barricadas. 

- Debate sobre Catarina, a Grande -
O debate foi marcado por um aspecto político. Antes do início da sessão, a Ucrânia protestou, em uma carta aberta aos membros do comitê, contra a inclusão de uma referência à imperatriz russa Catarina, a Grande, como fundadora de Odessa no final do século XVIII. 

"O desenvolvimento de Odessa como cidade portuária remonta ao século XV", disseram os representantes da Ucrânia. 

Em novembro passado, a Câmara Municipal de Odessa votou pela remoção da estátua de Catarina, a Grande, após uma consulta local. O monumento à czarina — que se tornou, para muitos, um símbolo da opressão russa desde o início da guerra na Ucrânia — foi removido no final de dezembro. 

Localizada a 500 quilômetros ao sul da capital ucraniana, Kiev, Odessa é uma cidade muito simbólica para a história da Rússia. É considerada a terceira cidade do Império Russo e seu segundo porto. 

Em abril de 2014, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que, historicamente, não fazia parte da Ucrânia, mas da Novorossia (a Nova Rússia), que ele gostaria de reconstituir. 

Na sessão, também foram registrados como patrimônio em perigo uma antiga cidadela no Iêmen – país em guerra desde 2014 – e um parque futurista no Líbano, devido a seu “alarmante estado de conservação” em meio à crise nacional.

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