PANDEMIA

Com praia cheia e contaminação em alta, banhistas e comerciantes lidam com possibilidade de novo fechamento em Boa Viagem

Publicado em: 17/01/2021 17:11 | Atualizado em: 17/01/2021 17:33

 (Foto: Sandy James/ Esp. DP Foto)
Foto: Sandy James/ Esp. DP Foto

A possibilidade de novas restrições nas praias caso haja registro de novas aglomerações, anunciada na última semana pelo secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, deixou comerciantes e banhistas em alerta. Segundo a nova decisão do governo, desde a última sexta (15), está proibida a utilização de som, ao vivo ou gravado, em estabelecimentos como bares, restaurantes e barracas. Na orla de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, o movimento era intenso, com muita gente aproveitando o calor deste domingo (17) para aproveitar o dia na praia.

Mas, apesar do grande movimento, que se converte em bons números para os vendedores, e com a tentativa de adotar medidas de prevenção contra o novo coronavírus, quem depende do comércio na faixa de areia não esconde o clima de aflição. O fechamento iminente do comércio na orla tem sido motivo de preocupação para comerciantes como o vendedor ambulante Ademar Santos, 39: “nós queremos trabalhar”, diz. O principal medo, segundo o comerciante, é ter de enfrentar novamente as dificuldades financeiras pelas quais passou quando teve que suspender as atividades em 2020. “Quando eu parei, foi muito sofrimento. Eu dependo disso, tenho filho para dar de comer”, conta.

Valter Lins, 41, outro comerciante do local, contou com o auxílio emergencial para driblar o prejuízo para sobreviver durante alguns dos meses mais críticos, e, com o fim da ajuda, não nega a tensão trazida com a possibilidade de suspender, novamente, as atividades. “Agora a gente está à mercê, porque não tem mais o auxílio, e estão falando em fechar a praia. A gente não tem mais para onde correr. A preocupação é grande”, diz.

Frequentadora da praia, a autônoma Yanda Camilla, 19, afirma que entenderia, caso o acesso à orla tivesse que ser restrito novamente, por questões de segurança. “Eu acho até bom, por conta desta doença, que está cada vez pior, porque não tem ainda a vacina. Quanto mais se evitar, melhor”, conta. Por enquanto, para Yanda, o jeito é tomar os cuidados necessários e evitar que a situação não se agrave “Quem vier à praia, que traga seu álcool em gel e respeite o distanciamento”, diz.

Problema além da praia

O problema de restringir o acesso à praia é a não-adoção de medidas que reduzam aglomerações em outros ambientes, como em ônibus e metrôs. Pelo menos é o que dizem pessoas como Maicon Mazzoni, 26, que vê o problema como algo além do movimento nas praias. “Levando em conta o transporte público, acho que a praia é um dos menores problemas que a gente vai enfrentar. Eu acho que a solução real não seria fechar a praia, e sim aumentar a frota de ônibus, colocar o metrô para rodar numa quantidade maior”, sugere.

Entre os comerciantes, a queixa é semelhante. O vendedor Ademar, por exemplo, não entende a necessidade de suspender as atividades na orla. “Estão querendo fechar as praias. A doença só tem na praia, que é [um local] aberto? E os metrôs? E os ônibus lotados?”, questiona. Para Valter, a medida é desnecessária, e prejudicaria muito os colegas comerciantes. “Eu fico sem palavras com essa atitude. Como se Covid-19 só se pagasse na praia, e não em ônibus e metrôs lotados. Entre uma área de praia e um ônibus, eu acho que o risco maior está no ônibus”, finaliza.

Casos em alta


A decisão do Governo do Estado de considerar uma nova suspensão em atividades comerciais, como bares e restaurantes, e a proibição da utilização de som nesses estabelecimentos se dá diante de altos índices de contaminação pelo novo coronavírus em Pernambuco. No último sábado, o estado registrou 1.450 novos casos de Covid-19, e 29 mortes pela doença. Recentemente, Pernambuco atingiu um novo recorde de infecções, com 2.512 casos em 24h.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.

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