Companhia

Saúde mental: Pássaros mutilados auxiliam no tratamento de pacientes

Publicado em: 24/09/2020 16:41 | Atualizado em: 24/09/2020 18:41

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
Numa parceria inédita entre a Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH) e uma instituição particular de saúde, 30 pássaros silvestres estão contribuindo no tratamento de pacientes com transtornos mentais e dependentes químicos através da zooterapia. Todos os animais foram vítimas do tráfico de aves silvestres e estão mutilados e sem condições de serem soltos na natureza. “Eles não têm a menor chance de sobrevivência em liberdade”, afirma o gestor da Unidade de Gestão de Fauna Silvestre da CPRH, Iran Vasconcelos. Os pássaros foram encaminhados à instituição por meio de um Termo de Guarda.

As aves estão impedidas de viver em liberdade porque estão cegas, com asas e pés quebrados ou precisando de cuidados permanentes. Na nova moradia, os pássaros, apesar de estarem em gaiolas, recebem carinho, cuidados e atenção dos pacientes. Em contrapartida, a presença dos animais tem levado alegria para a clínica e despertado o senso de responsabilidade afetiva entre os pacientes.

O adolescente A.F., conta que cuidar, alimentar e ouvir os pássaros cantar tem contribuído para sua recuperação. “Ocupa o tempo, muda a rotina e dá prazer”, explicou, adiantando já ter passado outro período de tratamento, mas que desta vez o tratamento tem sido diferente porque cuidar dos passarinhos tem auxiliado na sua recuperação da dependência química. A opinião do adolescente é compartilhada com a do contador M.F., 62. Na luta contra o alcoolismo, ele explica que abraçou a causa de cuidar das gaiolas e dos pássaros e diz acreditar que a terapia tem refletido no tratamento e nas atitudes dos pacientes. “No inicio fiquei desconfiado e achei que não ia funcionar. Gosto de passarinho, mas não presos em gaiolas, mas esses precisam dos nossos cuidados. Aos poucos fui absorvendo a ideia. Hoje, além de ter como uma obrigação diária, procuro sempre incentivar os outros pacientes a ter responsabilidade com esses animais, limpando as gaiolas, alimentando e amando os pássaros”, contou.

A parceria entre a CPRH e a Instituição, segundo Iran Vasconcelos, não contribuiu apenas para o tratamento dos pacientes da clínica: também beneficiou os animais e ajudou a desafogar o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (CETAS Tangara), unidade da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) localizada em Aldeia, Camaragibe.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Mais lidas

Últimas