PANDEMIA

Com necrotérios e funerárias lotados, NYC busca onde enterrar seus mortos

Por: AFP

Publicado em: 06/04/2020 20:20

 (Foto: Bryan R. Smith / AFP)
Foto: Bryan R. Smith / AFP

As funerárias de Nova York estão lotadas, os caminhões frigoríficos estacionam em frente aos hospitais para receber cadáveres, e um vereador nova-iorquino revela um plano de emergência para fazer enterros temporários em um parque da cidade, que nesta segunda-feira (6) registrava 3.485 mortos pelo novo coronavírus.

As imagens são terríveis: corpos cobertos com lençóis brancos ou lonas, transportados em macas por funcionários com roupas de proteção para os caminhões refrigerados porque os necrotérios dos hospitais e as funerárias estão sobrecarregados.

Só na manhã desta segunda-feira, em menos de uma hora, a AFP constatou que nove corpos foram carregados em caminhões estacionados em frente ao hospital de Wyckoff, no Brooklyn.

A cidade de Nova York registra mais de 72.000 casos de coronavírus e os mortos superam os 500 por dia há uma semana - no sábado alcançou o recorde de 630 em 24 horas.

Várias empresas funerárias disseram à AFP que estavam sobrecarregadas.

"A maioria das funerárias tem capacidade de refrigeração limitada", explicou Ken Brewster, proprietário de uma pequena empresa de honras fúnebres no Queens, inundada por pedidos de enterros de vítimas da Covid-19 há uma semana.

"Se você não tem lugar, precisa destes caminhões", disse.

Algumas funerárias não aceitam mortos por coronavírus, o que sobrecarrega as que aceitam.

Para Pat Marmo, que administra cinco funerárias na cidade, o estresse gerado por este fluxo de cadáveres é difícil de gerenciar. Ele mesmo acaba de perder um primo e outro familiar para a pandemia.

"Os hospitais nos pressionam para buscara os corpos, mas não temos locais para mantê-los", disse Marmo, destacando que agora há "três vezes mais" mortes do que em períodos normais e que a agenda de enterros está lotada até o próximo mês.

"É como um 11 de setembro que dura dias e dias", comparou.

- "Se aumentar a necessidade" -
As funerárias estão tão sobrecarregadas que um vereador de Nova York evocou nesta segunda-feira a possibilidade de realizar enterros temporários em um parque da cidade.

"Em breve vamos começar os 'enterros temporários'. Isto será realizado, provavelmente, utilizando um parque de Nova York para os enterros (sim, vocês leram corretamente)", tuitou o vereador democrata Mark Levine, que preside a comissão de saúde da cidade.

"Serão cavadas trincheiras para dez caixões em fila. Será feito de forma digna, ordenada e temporária. Mas será difícil de engolir para os nova-iorquinos", acrescentou.

Quando suas declarações chegaram à imprensa e às redes sociais como rastilho de pólvora, Levine esclareceu que esta "é uma contingência para a qual a cidade de Nova York se prepara, mas se a taxa de mortes cair suficientemente, não será necessário".

"Talvez tenhamos que enfrentar enterros temporários", confirmou o prefeito Bill de Blasio, perguntado na segunda-feira a respeito. 

"Teremos a capacidade de fazer enterros temporários, isso é tudo o que vou dizer", indicou.

"Não vou entrar em detalhes. Não acho que seja bom falar nisso".

"Não estamos planejando atualmente usar parques locais como locais de enterro", afirmou pouco depois o porta-voz do prefeito, Freddi Goldstein, em sua conta no Twitter.

"Estamos avaliando o uso de Hart Island para enterros temporários, se a necessidade aumentar", acrescentou, referindo-se à pequena ilha de 1,6 km de extensão, em frente ao distrito do Bronx, onde desde o século XIX são enterrados indigentes em valas comuns.

Os mortos aumentam não só nos hospitais. O vereador Levine informou que antes da crise, 20 a 25 nova-iorquinos morriam diariamente em casa, e que agora esta cifra subiu para 200 a 215.

O governador Andrew Cuomo deu, no entanto, uma notícia esperançosa nesta segunda: o número de mortos pelo coronavírus se estabilizou nas últimas 48 horas e, embora permaneça muito elevado, está abaixo de cem mortes diárias.

No entanto, determinou a extensão das medidas de confinamento até 29 de abril. "Não é o momento de afrouxarmos", afirmou.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.

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