Sandro Cipriano Ato em memória de ativista morto acontece na Alepe

Publicado em: 01/07/2019 15:56 Atualizado em: 01/07/2019 16:27

Foto: Bruna Costa / Esp. DP FOTO
Foto: Bruna Costa / Esp. DP FOTO

Movimentos de defesa dos direitos humanos estão realizando hoje, em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco, no Centro do Recife, um ato para pedir justiça no caso do assassinato do professor e militante LGBT Sandro Cipriano Pereira, 35 anos. Desaparecido desde a última quinta-feira (27), Sando foi encontrado no sábado na área rural do município, na Mata Sul, e sepultado nesse domingo (30), no Cemitério de Pombos. 

Os movimentos estão exigindo, além do esclarecimento da morte, que a Secretaria de Defesa Social (SDS) divulgue as estatísticas sobre assassinatos de pessoas LGBT. Sandro era diretor do Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), em Glória do Goitá, desde 2016 e colaborador da organização há mais de 15 anos. O Serta é uma organização da sociedade civil que forma jovens, educadores e produtores familiares para atuarem na transformação das circunstâncias econômicas, sociais, ambientais, culturais e políticas, e na promoção do desenvolvimento sustentável, com foco no campo.
 
Presente no ato, a codeputada Robeyoncé Lima (PSOL), das Juntas, afirmou que a Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular irá acompanhar as investigações da morte. "Mais uma vez, um crime demonstra o retrato do país que estamos vivendo. O Brasil ocupa o topo do ranking de países que mais matam pessoas LGBT no mundo. E no caso do companheiro Sandro, ele também defendia a pauta dos direitos humanos. O discurso de violência e ódio ceifou mais uma vida. Queremos que a investigação se torne mais celere e efetiva", afirmou, durante o ato.

Durante a sessão na Alepe, Jô Cavalcanti, das Juntas, pediu um minuto de silêncio em memória de Sandro. "Essa morte não pode ficar impune. Hoje muitas pessoas LGBT são mortas no Brasil. Mesmo com a decisão do STF (de criminalizar a LGBTfobia), ainda é pouco. Queremos que as autoridades pernambucanas tomem a frente nesse caso. Essa não é uma mrote comum, tem requintes de crueldade, de LGBTfobia", afirmou a coordenadora do Fórum LGBT de Pernambuco, Rivânia Rodrigues.
 
Amigo de Sandro há 20 anos, o coordenador do Serta, Germano de Barros, ressaltou os anos de luta de Sandro pelos direitos humanos. "Sandro é filho de agricultor familiar, engajado no movimento LGBT de Pernambuco, desde os 16 anos é militante. Era solidário a todas as formas de exclusão social. Estamos aqui na Alepe para mostrar que ele continua prsente. As ideias e sonhos dele passam a ser as nossas", afirmou. 
 
Isaltino Nascimento, representante do Governo, dedicou os minutos finais de seu discurso para falar sobre o caso. "Ficamos entristecidos com a maneira como nosso companheiro Sandro foi assassinato. Ele que era um militante da agroecologia, da juventude, do Serta, que era gay assumido. Era uma referência no nosso estado. Estamos indo nos encontrar com o chefe da polícia civil e o secretário de defesa social para tartar sobre esse crime. Para que os responsáveis possam ser identificados e penalizados", disse.

Diversos grupos ligados aos direitos humanos agora seguem em caminhada para a Secretaria de Defesa Social (SDS), onde irão se reunir com o secretário da pasta, Antônio de Pádua, e com o chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Joselito Kehle do Amaral. Lá, será cobrado acesso à informação sobre violência contra LGBTs.

Dentre os grupos sociais, estão presentes Fórum LGBT, Abong, Coletivo de Lésbicas e Mulheres Bissexuais de Pernambuco (Comlesbi), União Nacional LGBT (UnaLGBT), Candaces e o Bloco da Diversidade de Pernambuco.

De acordo com representantes dos movimentos, houve no estado, em um espaço de uma semana, quatro assassinatos de pessoas LGBT com requinte de crueldade. Além do caso Sandro, aconteceram casos em Palmares (mulher trans), Joaquim Nabuco (homem gay) e Passira (homem gay). 


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