Lava Jato Protesto em defesa de Sérgio Moro leva público menor que último ato pró-Bolsonaro a orla do Recife

Publicado em: 30/06/2019 18:43 Atualizado em: 30/06/2019 18:51

A organização evitou estimar a quantidade de presentes e confirmar que a mobilização no Recife era uma defesa deliberada de Sérgio Moro.Foto: Bruna Costa/DP Foto
A organização evitou estimar a quantidade de presentes e confirmar que a mobilização no Recife era uma defesa deliberada de Sérgio Moro.Foto: Bruna Costa/DP Foto

Convocados a defender nas ruas o ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, alvo recente de uma investigação jornalística do site The Intercept Brasil, os movimentos de direita voltaram a se unir para uma manifestação na Avenida Boa Viagem, no Recife. Seguindo a mobilização nacional, eles reuniram centenas de pessoas na orla da capital pernambucana neste domingo (30), porém não conseguiram repetir a quantidade de público da mobilização realizada no fim de maio. Com audiência visivelmente menor e mais homogênea, concentrada na classe média, eles acabaram dissipando o apoio à Operação Lava-Jato e visibilizando pautas mais amplas e correlacionadas ao governo de Jair Bolsonaro.

Se no dia 26 de maio a mobilização levou seis trios mais dois carros de apoio à avenida, com direito a shows de bandas de brega local, desta vez o protesto foi mais enxuto. Dois trios elétricos grandes, do movimento Direita Pernambuco e do Vem Pra Rua, além de três carros de som menores, conduziram os participantes desde as imediações da Padaria Boa Viagem ao Segundo Jardim de Boa Viagem. A mobilização começou por volta das 14h e, diferente da última, voltou a ter o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), citado em uma das matérias publicadas pelo Intercept. De acordo com os organizadores, já era esperado um público menor, em função das festividades juninas e também da proximidade com o protesto anterior.

A organização evitou estimar a quantidade de presentes e confirmar que a mobilização no Recife era uma defesa deliberada de Sérgio Moro. “Não é uma defesa ao juiz, mas para evidenciar o ultraje das acusações. Se elas fossem verdadeiras, ainda assim seriam vazias. Sérgio Moro, se é que estava fazendo algo, estava deliberando para outros membros. Afinal, força-tarefa existe para prender os envolvidos em corrupção”, afirmou o policial militar e conselheiro da Direita Pernambuco Maxwell Cavalcanti, 35 anos. De acordo com ele, a organização do protesto aconteceu de forma orgânica, por convocações dos movimentos dentro da própria rede de contatos.

O apoio a Sérgio Moro foi evidenciado por meio de placas defendendo o pacote anticrime (Projeto de Lei 882/2019), de fantasias e um boneco gigante do ministro. Algumas pessoas chegaram a produzir blusas com a frase “In Moro We Trust”, uma referência à frase “In Fux we trust”, que de acordo com a investigação jornalística teria sido dita por Moro em conversas com o procurador Deltan Dallagnol no aplicativo Telegram. Alguns cartazes, por sua vez, pediam para Moro não desistir.

Participando da mobilização, o comerciante Franklin Delano, 46, preferiu cautela ao citar a investigação. “Os vazamentos precisam ser apurados realmente, mas é preciso olhar com cuidado para não prejudicar a imagem de uma pessoa tão importante para o Brasil. A credibilidade dele é maior. Moro é a grande moral do Brasil”, disse. Franklin, entretanto, preferiu levar para o protesto uma placa defendendo a posse de arma, uma pauta de campanha do presidente Jair Bolsonaro.

Assim como ele, a maioria dos participantes levou menagens de apoio a Bolsonaro, que acabaram se sobrepondo à pauta da Lava-Jato e do ministro Moro. Pedidos de intervenção militar,  cartazes em defesa da reforma da previdência, críticas à presidência do Senado e da Câmara, assim como ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, deram a tônica da manifestação. O governador Paulo Câmara e a vice-governadora Luciana Santos também foram alvo das críticas. O Partido dos Trabalhadores (PT) não esteve entre os citados. O ex-presidente Lula também foi deixado de lado, aparecendo como protagonista de apenas um carro de apoio, na figura de um homem preso dentro de uma cela, com uma cachaça na mão. Ao longo de todo o percurso, apenas um “pixuleco” foi encontrado.
Foto: Bruna Costa/DP Foto
Foto: Bruna Costa/DP Foto

O mesmo não se pode dizer das redes sociais, citadas frequentemente pelas pessoas que comandavam os trios elétricos. Pedidos para que fotos da manifestação fossem postadas no Instagram e no Facebook, assim como agradecimentos aos youtubers de direita, estiveram entre as mensagens mais repetidas pelos alto-falantes. “Esse é não é um movimento de um partido, é um movimento de toda a sociedade civil organizada. Inclusive do pavão misterioso, que interceptou as mensagens do Intercept”, concluiu a funcionária pública Sandra Queiroz, 56. 


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