INVESTIMENTO Pernambuco terá hub de transporte de cargas

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 28/06/2019 08:17 Atualizado em:

No lançamento do hub, Paulo Câmara destacou importância do operador de logística para empresas do estado. Foto: Heudes Regis/SEI/Divulgação
No lançamento do hub, Paulo Câmara destacou importância do operador de logística para empresas do estado. Foto: Heudes Regis/SEI/Divulgação
Pernambuco servirá como base das operações da empresa Connect Cargo, tendo o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes-Gilberto Freyre como o primeiro hub aéreo de cargas com voos internacionais a partir do Nordeste. A operação, que terá início com dois aviões Boeing, aumentará para três  aviões até o fim do ano e deverá incrementar a vocação logística do estado, principalmente por conta da posição geográfica estratégica. 

O foco será, principalmente, no e-commerce (transações comerciais via internet), com estimativa de reduzir em 14 dias a chegada da carga vinda da Ásia. A nova operação vai gerar 250 empregos diretos e 250 indiretos, e promete atrair mais investimentos para o estado, já que a empresa vai inaugurar um centro de manutenção de aeronaves Boeing.

A Connect Cargo já opera há 12 anos no exterior, com bases em Miami (Estados Unidos) e Hong Kong (China), e há quatro meses iniciou a nacionalização dos aviões para iniciar suas operações no Brasil. A escolha por Pernambuco como hub se deu pela posição estratégica e também pelo incentivo cedido pelo governo do estado. 

“Estávamos em contato com a Sefaz (Secretaria da Fazenda) e explicamos que a grande dificuldade é que, hoje, mais de 50% dos custos da operação são com combustível. Vários estados já têm esse tipo de convênio e a gente mostrou que não ia tirar renda, mas sim gerar uma nova receita, por mais que tenha a diminuição do imposto do ICMS sobre o querosene da aviação”, afirma Rodrigo Pacheco, CEO da Connect. A alíquota foi reduzida de 25% para 12%.

Apesar de a Connect ser homologada nos Estados Unidos para cargas com características de produtos farmacêuticos, com temperatura controlada, e cargas vivas, como animais, em Pernambuco a prioridade será o e-commerce, área na qual o mercado asiático, de grande peso internacional, tem crescido. 

“Hoje se faz a distribuição a partir de Guarulhos (São Paulo) e a ideia é homologar o terminal de cargas do estado para fazer a liberação expressa. Hoje a carga que vem do e-commerce vem de Hong Kong, então ela vai transitar até Miami e de lá virá para o Recife, para daqui fazermos a distribuição. Isso vai reduzir o tempo em quase 14 dias porque não vai parar em São Paulo e o custo também porque teremos um trecho interno a menos”, acrescenta Pacheco.

Segundo ele, no primeiro momento a Connect vai voar diariamente para Guarulhos, partindo do Recife. No fim de semana, terá voo que vem de Manaus para o Recife. E a partir da capital pernambucana haverá voos fretados internacionais, que serão mensais para Miami. “Pela primeira vez um avião cargueiro virá dessa rota com uma frequência já instalada”, ressalta. 

Para o governador Paulo Câmara, que esteve presente no lançamento da operação juntamente com o secretário de Desenvolvimento Econômico Bruno Schwambach, a nova linha reflete diretamente nas empresas que atuam no estado.

 “Pernambuco vai ter condições de ser um operador de logística importante para empresas que atuam aqui, para o ir e vir de cargas pelo Brasil, e também com interface no exterior”, concluiu.

Centro de manutenção da Boeing
A Connect Cargo está apenas aguardando a fase final de homologação da Anac para iniciar as operações em Pernambuco, o que deve acontecer nos próximos 10 dias. Mas já planeja novos investimentos no estado, apesar de não revelar o montante. A empresa já faz tratativas para implementar o centro de manutenção de aviões Boeing aqui, o que vai possibilitar um novo aporte, mais empregos, além de ampliar as possibilidades de atuação das companhias aéreas no Nordeste.

Esse será o primeiro centro de manutenção fora do eixo Rio-São Paulo. “Nenhum outro lugar do Nordeste tem, é uma quebra de paradigmas, e vai gerar outras oportunidades para outras companhias aéreas porque muitas delas não querem operar em estados do Norte e do Nordeste, colocar voos adicionais, porque, caso o avião tenha uma pane, ele não tem como solucionar essa pane”, afirma Rodrigo Pacheco, CEO da Connect Cargo. 

Outro benefício será a geração de empregos. Inclusive, a empresa já firmou um convênio com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A ideia é que, quando o centro de manutenção existir, gere, no mínimo, mais 40 empregos para a área de Engenharia. “A prioridade é para os pernambucanos preencherem essas vagas. O convênio com a universidade é para que eles saiam formados e empregados. A expectativa é que, em um ano e meio, já comece a fazer como trainees, mas isso acontecer mesmo de dois anos e meio a três anos”, afirma. 

Para Bruno Schwambach, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, a chegada da Connect Cargo no estado traz uma nova perspectiva. “Podemos consolidar Pernambuco na posição de hub aéreo não só na área de passageiros e de carga, mas também de manutenção. Isso porque eles poderão fazer serviço de manutenção para qualquer aeronave Boeing de qualquer companhia aérea”, conclui.


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