Connect Cargo Pernambuco será hub aéreo de cargas com nova operação

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 27/06/2019 16:22 Atualizado em: 27/06/2019 17:25

Avião Boeing passou pelo batismo na pista do aeroporto do Recife. Foto: Heudes Regis/SEI
Avião Boeing passou pelo batismo na pista do aeroporto do Recife. Foto: Heudes Regis/SEI

Pernambuco servirá como base das operações da empresa Connect Cargo, tendo o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes-Gilberto Freyre como o primeiro hub aéreo de cargas com voos internacionais a partir do Nordeste. A operação, que terá início com dois aviões Boeing, mas que aumentará para três até o final do ano, vai incrementar a vocação logística do estado, principalmente por conta da posição geográfica estratégica. O foco será, principalmente, no e-commerce, com estimativa de reduzir em 14 dias a chegada da carga vinda da Ásia. Além disso, a nova operação vai gerar 250 empregos diretos e mais 250 indiretos e promete atrair mais investimentos para o estado, já que a empresa vai inaugurar um centro de manutenção de aeronaves Boeing, o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo.

A Connect Cargo já opera há 12 anos no exterior, com bases em Miami (Estados Unidos) e Hong Kong (China), e há quatro meses iniciou a nacionalização dos aviões para iniciar suas operações no Brasil. A escolha por Pernambuco como base da operação se deu pela posição estratégica e também pelo incentivo cedido pelo governo do estado. "Estávamos em contato com a Sefaz (Secretaria da Fazenda) e explicamos que a grande dificuldade é que, hoje, mais de 50% dos custos da operação é com combustível. Vários estados já têm esse tipo de convênio e a gente mostrou que não ia tirar renda, mas que ia gerar uma nova receita por mais que tenha a diminuição do imposto do ICMS sobre o querosene da aviação", afirma Rodrigo Pacheco, CEO da Connect. A redução na alíquota foi de 25% para 12%.

Apesar de a Connect ser homologada nos Estados Unidos para cargas com características de produtos farmacêutios, com temperatura controlada, e cargas vivas, como animais, em Pernambuco o foco será para o e-commerce. Inclusive, o mercado asiático, que tem crescido. "Hoje se faz a distribuição a partir de Guarulhos (São Paulo) e a ideia é homologar o terminal de cargas do estado para fazer a liberação expressa. Hoje a carga que vem do e-commerce vem de Hong Kong, então ela vai transitar até Miami e daí virá para o Recife para daqui fazermos a distribuição. Isso vai reduzir o tempo em quase 14 dias porque não vai parar em São Paulo e o custo também porque teremos um trecho interno a menos", acrescenta Rodrigo Pacheco.

Segundo ele, no primeiro momento, a Connect vai voar diariamente para Guarulhos partindo do Recife. No final de semana, terá voo que vem de Manaus para o Recife. E a partir da capital pernambucana terão voos fretados internacionais, que serão mensais para Miami. "Vai ser a primeira vez que vai ter um avião cargueiro vindo dessa rota com uma frequência já instalada", ressalta o CEO.

Para o governador Paulo Câmara, que esteve presente no lançamento da operação juntamente com o secretário de Desenvolvimento Econômico Bruno Schwambach, a nova operação reflete diretamente nas empresas que atuam no estado. "Pernambuco vai ter condições de ser um operador de logística importante para empresas que atuam aqui, para o ir e vir de cargas pelo Brasil, e também com interface no exterior. É mais uma empresa de logística que vem somar esse esforço de industrializar nosso estado, fazer serviços melhorarem e termos condições de superar essa crise com parcerias em favor do emprego e da renda", concluiu.

Centro de manutenção de aviões Boeing no estado

A Connect Cargo está apenas aguardando a fase final de homologação da Anac para iniciar as operações em Pernambuco, o que deve acontecer nos próximos 10 dias. Mas já planeja novos investimentos no estado, apesar de não revelar o montante. A empresa já está nas tratativas para implementar o centro de manutenção de aviões Boeing aqui, o que vai possibilitar um novo aporte, mais empregos, além de ampliar as possibilidades de atuação das companhias aéreas no Nordeste.

Esse será o primeiro centro de manutenção fora do eixo Rio-São Paulo. "Nenhum outro lugar do Nordeste tem, é uma quebra de paradigmas, e vai gerar outras oportunidades para outras companhias aéreas porque muitas delas não querem operar em estados do Norte e do Nordeste, colocar voos adicionais, porque, caso o avião tenha uma pane, ele não têm como solucionar essa pane", afirma Rodrigo Pacheco, CEO da Connect Cargo.

Outro benefício é a geração de empregos. Inclusive, a empresa já firmou um convênio com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A ideia é que, quando o centro de manutenção existir, gere, no mínimo, mais 40 empregos para a área de Engenharia. "A prioridade é para os pernambucanos preencherem essas vagas. O convênio com a universidade é para que eles saiam formados e empregados. A expectativa é que, em um ano e meio, já comece a fazer como trainees, mas isso acontecer mesmo de dois anos e meio a três anos", afirma.

Para Bruno Schwambach, secretário de Desevolvimento Econômico de Pernambuco, a chegada da Connect Cargo no estado traz uma nova perspectiva. "Podemos consolidaer Pernambuco na posição de hub aéreo não só na área de passageiros e de carga, mas também de manutenção. Isso porque eles poderão fazer serviço de manutenção para qualquer aeronave Boeing de qualquer companhia aérea", conclui.



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