Diálogo Negociadores da UE e Mercosul retomam discussões de olho no Japão

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 28/06/2019 08:49 Atualizado em:

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
As negociações para um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul continuam nesta sexta-feira em Bruxelas, de olho no Japão, onde os principais líderes dos dois blocos participam da cúpula do G20.

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai assumiram ontem à noite as rédeas da discussão com os comissários europeus da Agricultura e do Comércio, bem como com um vice-presidente da Comissão Europeia.

"Ambas as partes estão trabalhando duro para resolver os problemas pendentes", assegurou na quinta-feira à noite uma fonte da instituição encarregada de negociar em nome da UE, anunciando novas discussões para esta sexta.

Entre as principais incertezas a serem esclarecidas está a oferta europeia para a carne bovina, bem como a proteção de certos produtos europeus nos países sul-americanos, segundo fontes familiarizadas com a negociação.

Mas os últimos dias foram marcados pelos desentendimentos entre os líderes da França, Emmanuel Macron, e da Alemanha, Angela Merkel, com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por conta de sua política ambiental.

"O clima caminha junto com as questões sociais e comerciais, eu não quero fazer acordos comerciais com pessoas que não seguem o Acordo de Paris [sobre o clima de 2015]", afirmou na quinta-feira o presidente francês.

Os dois líderes realizaram uma reunião "informal" e "amistosa" no Japão nesta sexta, segundo um porta-voz do governo brasileiro, que expressou esperança de um acordo comercial "o mais rápido possível". 

Merkel, a princípio favorável ao tratado, não poupou críticas na quarta-feira ao desmatamento no Brasil. 

Bolsonaro respondeu dizendo que a Alemanha "tem muito que aprender" com seu país sobre o meio ambiente.

Longo caminho
 
Iniciada em 1999 e retomada novamente em 2010 após um parêntese de 6 anos, a questão ambiental foi adicionada à lista de preocupações europeias nesta reta final da negociação, juntamente com a tradicional reivindicação agrícola.

No entanto, declarações recentes de ambos os lados do Atlântico sobre um futuro acordo soaram o alarme entre os agricultores e ecologistas europeus, forçando os governos da UE a pressionar diretamente a Comissão.

Os líderes da França, Irlanda, Bélgica e Polônia enviaram uma carta neste mês ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para expressar sua "profunda preocupação" com o impacto de um acordo na agricultura.

Os líderes de sete países europeus, incluindo Espanha, Alemanha e Portugal, responderam com outra carta a Juncker para expressar os benefícios de um acordo, conclamando ambas as partes a "fazer algumas concessões finais". 

"O contexto político é bastante carregado na Europa", reconheceu um diplomata europeu, para quem em muitos países ressurge o debate contra acordos comerciais, como aconteceu anos atrás, com a negociação de um pacto com os Estados Unidos. 

Se não houver avanço em Bruxelas, a negociação pode passar diretamente ao mais alto nível, à margem da cúpula do G20 na cidade japonesa de Osaka. 

O presidente da Comissão Europeia agendou para sábado uma reunião no sábado com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, que detém a presidência pro tempore da organização sul-americana.

Além de Macri e Bolsonaro, pelo Mercosul, do lado europeu estarão os líderes da França e da Alemanha, assim como o da Espanha, Pedro Sánchez, e da Holanda, Mark Rutte. 

Se um "acordo político" for finalmente anunciado, será aberto um período para verificar o texto juridicamente e traduzi-lo para as diferentes línguas, antes da sua assinatura final, que deve ser garantida pelos 28 países da UE. 

Um eventual acordo comercial que permitiria a redução de tarifas em setores como o automóvel ou a agricultura entre os dois blocos seria um dos maiores assinados pela UE, criando um mercado de 770 milhões de consumidores. 

O comércio entre os países europeus e os do Mercosul subiu em 2018 para quase 88 bilhões de euros, com a balança comercial ligeiramente favorável aos europeus em cerca de 2,5 bilhões de euros.


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