Manguetown Mestranda em História defende dissertação sobre relações humanas com o manguezal no Recife

Publicado em: 28/06/2019 17:36 Atualizado em:

Foto: Peu Ricardo/Arquivo DP.
Foto: Peu Ricardo/Arquivo DP.
A aluna do Programa de Pós-Graduação em História da UFPE (PPGH) Isabella Puente de Andrade vai defender, na próxima segunda-feira (1º), a dissertação de mestrado “Filhos da lama, irmãos de leite dos caranguejos: as relações humanas com o manguezal no Recife (1930-1950)”, orientada pela professora Christine Rufino Dabat, na linha de Relações de Poder, Sociedade e Ambiente. Para avaliar o trabalho vão compor a banca os professores e professoras Christine Rufino Dabat, Luiza Nascimento dos Reis, Carlos Alberto Cunha Miranda e Jan Bitoun. A defesa ocorrerá às 10h, no auditório do PPGH, 10º andar do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH).

Em sua tese, a mestranda aborda como a relação entre o homem e o manguezal foi erguida de acordo com experiências e vivências, que construíram imaginários paisagísticos diversos entre as diferentes classes sociais. No Recife, a partir do século XIX, a medicina, imbuída do pensamento ocidental dominante acerca dos males causados pelos “miasmas”, instituiu medidas através do Estado, que tiveram como alvo a devastação do mangue, compreendido pela classe dominante como um meio danoso à saúde pública. As mulheres e homens-caranguejo, por outro lado, conviviam com o mangue como um meio de subsistência, numa relação semelhante à de vários povos tradicionais, especialmente indígenas e africanos, com as zonas úmidas. 

Foi com a instituição da Liga Social Contra o Mocambo, no Governo Vargas, que as políticas em repúdio ao mangue, carregando os ideais de progresso e de democracia racial, atingiram seu auge no Recife. Esta pesquisa intui em destrinchar as diferentes visões sobre o mangue, a partir da análise da imprensa escrita, artigos, relatórios, boletins informativos emitidos pelo Estado, trazendo a voz tanto da classe dominante como da população pobre da cidade. A partir das fontes e do levantamento bibliográfico, foi possível notar que a lógica de dominação e exploração por parte da classe dominante estava também presente nas relações estabelecidas com o mangue, enquanto que a população pobre do Recife cultivou uma relação de muito mais respeito e harmonia com esse ecossistema. Conviver com o mangue foi, para a classe trabalhadora, uma via alternativa ao domínio do Estado, bem como um meio de sobreviver à fome.


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