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TECNOLOGIA

Vilã ou aliada? Saiba como a inteligência artificial vai mudar o emprego

 (Foto: Ed Alves/CB/DA.Press)
Foto: Ed Alves/CB/DA.Press
"O que é o ChatGPT?", "Como funciona a inteligência artificial?" ou "software para escrever textos". Desde a última semana de novembro, o Google tem registrado um aumento nas buscas referentes ao uso de ferramentas baseadas na inteligência artificial no dia a dia — proporcionalmente, o Distrito Federal é a unidade da Federação com mais pesquisas sobre o assunto.

O crescimento das buscas no Google coincide justamente com o lançamento, em 30 de novembro de 2022, do ChatGPT, um robô que se tornou febre pelas redes sociais por redigir em questão de segundos textos aprofundados sobre áreas bem específicas do conhecimento humano. Com isso, muitas dúvidas vieram a reboque, como, por exemplo, se os empregos estão ameaçados pela inteligência artificial ou se serão aprimorados.

Na opinião de Marcos Barreto, professor da Fundação Vanzolini e da Poli-USP, todas as profissões que dependem da produção de algum tipo de texto podem ser impactadas e beneficiadas. "Mas até profissões que escrevem menos textos, como um médico, podem ser facilitadas. Um médico, por exemplo, pode ter uma receita melhor escrita, explicando a posologia", comenta.

Barreto, no entanto, ressalta que todo avanço tecnológico acaba, de alguma forma, diminuindo a necessidade de pessoas para realizar determinadas tarefas. "'Ah, o robô substitui o operário'. Não é bem assim, o operário continua sendo necessário, ele só vai realizar outras tarefas", cita. "Com o Chat GPT será parecido, a gente vai precisar de pessoas que revisem e validem os textos que são produzidos."

Já o professor sênior da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberstajn avalia que as profissões que utilizam a capacidade cognitiva estão diante de um desafio com o aprimoramento da inteligência artificial. É o caso de advogados e professores. "Até agora, a automação estava substituindo as atividades não cognitivas. E agora isso mudou. Como toda inovação tecnológica, oportunidades são criadas, mas também as já existentes são destruídas. Tarefas que demandam capacidade cognitiva ganharam um forte concorrente", diz Zylberstajn, que também é coordenador do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Segundo Zylberstajn, a atividade acadêmica será uma área beneficiada, mas os professores, ao mesmo tempo, terão que se reinventar. "As pesquisas bibliográficas serão facilitadas. Basta dar um assunto e a ferramenta sugere as fontes", afirma. "Já o professor está diante de um desafio. Ele dá o assunto e o aluno pesquisa. E aulas terão que ser aprofundadas, que tragam contribuições para o interesse da vida do aluno ou com aspectos do dia a dia da sociedade. É fato: a forma de pesquisa será substituída", completa.

"Ajuda extra"
Professor de ciências de dados na empresa Let's Data, Leon Sólon destaca que o ChatGPT funciona muito bem como uma "ajuda extra" para reduzir o tempo de aprimoramento de códigos, por exemplo. Leon compara o ChatGPT, especialmente nesta área de cálculos ou criação de fórmulas, por exemplo, com uma calculadora. "Nós sabemos somar e fazer contas de raiz, por exemplo, mas a diferença ao se usar a calculadora é que ela está sempre certa. Já no ChatGPT, se você não souber o que está fazendo, pode ser que aconteçam erros, mas, se souber, aumenta a produtividade", destaca o professor.

Entretanto, Leon destaca que, na hora de criar códigos, a plataforma está propensa a errar, se a pessoa não tiver conhecimentos amplos. Um exemplo seria criar do zero, tarefa que demora horas para ser feita. Com o ChatGPT, é possível otimizar esse trabalho, contudo, se a pessoa não souber como fazer a atividade do zero sem o uso da plataforma, pode ser que não perceba erros de funcionamento. "Inclusive ele tem um joinha para cima e para baixo nas respostas para você julgar se está certo ou não. Se você dá o joinha para baixo, isso dá um feedback humano para alimentar o treinamento da própria plataforma", explica. Vale lembrar que existem avisos na própria página do ChatGPT que explicam as limitações de capacidade e conteúdo que a ferramenta armazena.

Para Leon, uma das áreas que está mais ameaçada é a de tradução. "Se pedir no ChatGPT para traduzir (um texto), ele vai traduzir, vai deixar mais coeso. Ele consegue aumentar o texto se quiser, resumir também, deixar mais formal ou mais informal. Todavia, o professor pontua que a ferramenta não consegue substituir pessoas que são especialistas em certo tema. Na área de tradução, por exemplo, se uma pessoa é mestre em tradução de textos sobre veganismo, é muito provável que o ChatGPT não consiga traduzir termos específicos e faça uma tradução mais "genérica", ao contrário da pessoa.
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