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CINEMA

Comédia romântica LGBTQIA+ '13 Sentimentos' chega aos cinemas na semana dos namorados

Longa é dirigido por Daniel Ribeiro - do aclamado 'Hoje eu quero voltar sozinho' -, que conversa com o Viver sobre as ideias por trás do projeto

Publicado em: 12/06/2024 17:24 | Atualizado em: 13/06/2024 01:34

 (Divulgação)
Divulgação
O jovem cineasta João (Artur Volpi) acabou de terminar um relacionamento de 10 anos com seu ex-namorado Hugo (Sidney Santiago) e, apesar do fim da relação ter sido aparentemente tranquilo para os dois, que permaneceram amigos, ele segue em dificuldade de se encontrar emocionalmente e entra em um longo processo para achar um novo amor – se é que isso mesmo o que ele procura. Entre mensagens em aplicativos de relacionamento, João se interessa por Vitor (Michael Jonas) e passa a idealizar um momento perfeito entre os dois, mas as coisas se revelam bem mais complicadas à medida em que outras pessoas surgem pelo seu caminho e o seus próprios sentimentos se revelam cada dia mais conflitantes e contraditórios. 

Esse é o ponto de partida de 13 sentimentos, que estreia nesta quinta-feira (13), a nova comédia romântica escrita e dirigida por Daniel Ribeiro, aclamado pelo seu trabalho em Hoje eu quero voltar sozinho, filme selecionado pelo Brasil para concorrer ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. Apesar de ambas as histórias serem protagonizadas por personagens LGBTQIA+, este novo trabalho do diretor abraça completamente a leveza da comédia e brinca frequentemente com metalinguagem, como se fosse uma narração quase autobiográfica.

A brincadeira com a realidade rende algumas ideias interessantes: como João está, em meio a essas dificuldades amorosas, escrevendo um roteiro para um filme, 13 sentimentos mistura coisas que ele está imaginando na ficção com acontecimentos reais (ou não) da sua vida. Esse tom jocoso e leve fica claro sobretudo nas escolhas formais do longa, que se passa inteiramente em ambientes bonitos de aspecto publicitário: cafés amplos pouco movimentados, apartamentos pequenos e grandes, mas sempre de classe média e média-alta, casas belíssimas e salas de festa.

Os personagens também se comportam como partes dessa realidade asséptica e confortável do filme. Além dos problemas financeiros do protagonista nunca de fato se tornarem centrais na trama (sua mãe, que aparece pontualmente, se mostra sempre à disposição de lhe ajudar com dinheiro), seus dois amigos, Alice (Juliana Gerais) e Orlando (Bruno Rocha), são os tradicionais coadjuvantes com quase nenhuma vida própria cuja presença apenas existe em função do protagonista. Os homens com quem João se encontra ao longo do filme também possuem caracterização bem marcadas e caricatas, mesmo que 13 sentimentos jamais se assuma dentro desse lugar de exagero e pareça prezar ainda por um naturalismo convencional da comédia romântica.

Esse meio termo talvez seja o que agrade a uma boa parcela do público, visto que o trabalho de Daniel Ribeiro não é nem exagerado demais a ponto de frustrar quem procura um entretenimento mais suave e tampouco sutil demais para quem procura uma comédia romântica tradicional. Em conversa com o Viver, o cineasta fala sobre algumas dessas escolhas e explica as origens do filme.
 
ENTREVISTA: DANIEL RIBEIRO | Diretor e roteirista
 
O filme tem uma estrutura metalinguística, com surpresas constantes e brincadeiras entre ficção e realidade. O quanto disso reflete o processo criativo - ou tudo nele é 100% ficcional de fato?

O ponto de partida do filme é uma experiência real: quando terminei um relacionamento de 10 anos e entrei numa fase extremamente complexa, que mistura a excitação pelas novas possibilidades com a angústia de ter que reaprender a ser sozinho. No entanto, a maior parte do filme é uma ficcionalização das experiências e sentimentos que vivenciei, misturados com algumas situações completamente reais. Por exemplo, quando estava travado, procrastinando para escrever o roteiro de 13 sentimentos, retirei 30 sacolas plásticas do armário e aprendi a dobrá-las como origami.

Ao mesmo tempo que ele preza por um naturalismo, o filme também tem uma forma bem marcada e alguns personagens mais caricatos. Isso faz parte da intenção de uma comédia romântica mais leve ou foi algo descoberto ao longo das filmagens?

"A ideia sempre foi fazer um filme leve, que retratasse o dilema de um personagem que acabou de terminar um namoro longo e teve seus planos profissionais interrompidos, mas com o humor de uma comédia romântica. O humor já estava no roteiro, mas boa parte da comédia também surge do elenco e dos ensaios. Vamos compreendendo e tentando equilibrar os momentos mais dramáticos com cenas cômicas."

Quais as principais ideias que você acha que se sobressaem no filme uma vez que ele ficou pronto? Ele toca em questões de relacionamento, casamento, monogamia ou não-monogamia, mas também fala sobre o mundo dos aplicativos, sobre a relação com imagens pornô, sobre a imagem da felicidade que a gente projeta, ainda que de forma menos explícita...

"Acho que a ideia central que costura todos esses elementos que você mencionou é, de fato, a idealização. O protagonista do filme se apega às lembranças do passado e à relação que teve com o ex, enquanto também projeta um futuro idílico com alguém que mal conhece. Além disso, o filme explora como idealizamos conceitos como casamento, monogamia, e as próprias expectativas sobre o que constitui um bom sexo em contraste com um sexo meramente performático."

O que você acha da importância de filmes de temática LGBTQIAPN que não precisem fazer menção à homofobia e ao sofrimento do grupo (todos precisamos de histórias de amor leves também, afinal)?

"Eu acho que filmes leves como esse, que retratam aspectos positivos e os dilemas cotidianos da comunidade gay, também são uma forma de resistência. Após anos enfrentando ameaças autoritárias contra a comunidade LGBTQIAPN no Brasil, 13 sentimentos é um filme que mostra que ainda é possível ter esperança em viver sendo gay em nosso país."
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