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ENTREVISTA

Prefeitura do Recife projeta mais políticas públicas de cultura em 2024

Ricardo Mello, secretário de Cultura do Recife, deseja expandir as políticas públicas da pasta e deixar um legado com o Plano Municipal de Cultura

Publicado em: 22/01/2024 06:00 | Atualizado em: 22/01/2024 12:38

Ricardo Mello, secretário de Cultura do Recife, falou com exclusividade ao Viver sobre diversos temas (Crédito: Ruan Pablo / DP Foto)
Ricardo Mello, secretário de Cultura do Recife, falou com exclusividade ao Viver sobre diversos temas (Crédito: Ruan Pablo / DP Foto)
Nos últimos dias de 2023, a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura (Secult) e da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR), injetou R$ 13,5 milhões em novos editais do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC). Apesar disso, as projeções para 2024 indicam esforços não apenas em termos financeiros, mas também na capacitação dos artistas e no estímulo à formação de novos públicos. Ricardo Mello, secretário de Cultura, falou sobre o Plano Municipal de Cultura em entrevista exclusiva ao Viver. Ele também comentou sobre a relação com o Governo Federal, modelo inédito do Revéillon, planejamento do Carnaval e requalificação dos equipamentos culturais.

>> Entrevista - Ricardo Mello (secretário de Cultura do Recife)

Qual é a sua avaliação para a cultura do Recife em 2023?
Vivemos ciclos culturais muito significativos, especialmente no fim de ano, com atrações e decorações espalhadas pela cidade. Os instrumentos de fomento que criamos têm uma importância muito grande, porque permitem que a roda da cultura continue girando. Isso também vem de encontro com uma nova realidade do ponto de vista nacional. A gente viveu um Governo Federal que não só negligenciou, mas havia um discurso muito agressivo contra a cultura.

Serão destinados 13,5 milhões em novos editais do Sistema do Incentivo à Cultura, o maior investimento já feito. Qual será o efeito prático do aumento?
Tivemos uma renovação muito grande no SIC, com monitores novos na avaliação para poder olhar e aferir porque tal projeto não foi aprovado. O Plano Recife Matriz Cultura Popular (MCP) pretende qualificar e habilitar o pessoal para ter mais condições de disputar e, dessa maneira, ampliar o acesso de quem faz cultura. Buscamos levar cada vez mais cultura às ruas e parques. As pessoas se deparam com atividade cultural. Isso também é um processo de formação de plateias. 

Ano passado o MinC promoveu o Cultura Viva no Recife, além de enviar representantes para outros encontros e reuniões por aqui. Quais são os planos da Secult com o ministério para 2024?
Precisamos ter muita criatividade nos momentos de dificuldade, principalmente na pandemia, mas estávamos sozinhos no campo do 'fazer'. Quando as coisas são favoráveis, continuamos sendo criativos, mas juntamos os esforços pra fazer as coisas concomitantemente. Temos um espaço de diálogo para propor coisas. O presidente já afirmava isso durante a campanha, que ia buscar diálogo. A gente percebe isso também nas atividades internas do MinC. 

A Prefeitura divulgou as atrações do Carnaval com antecedência em relação aos anos anteriores. Como está sendo o impacto disso nos preparativos finais da festa?
O primeiro anúncio levou em consideração o encontro entre o turismo e a cultura, que não podemos perder de vista. Teremos Lia de Itamaracá e o manguebeat, que bebem na fonte da cultura popular, sendo homenageados. Uma coisa eu posso dizer: será o maior carnaval da história, com abertura oficial na quinta-feira. Além de pouco mais de 30 prévias de cultura popular, abertas e gratuitas, a uma semana do Carnaval. Ensaios de Maracatu, acertos de marcha, Olodum, afoxés. É um olhar cuidadoso que dialoga com a contemporaneidade, mas sobretudo com nossa tradição. 

O modelo aplicado na Virada do Recife, sem recursos públicos, será reproduzido em outros eventos promovidos pela Prefeitura?
O modelo implantado no Revéillon atende à convergência das energias financeiras, mas houve uma especificidade da área onde aconteceu o evento. Teve um pequeno espaço destinado a quem quisesse pagar, mas a grande parte era do público geral. O modelo em si foi absolutamente bem-sucedido. Não podemos usar no Carnaval o que foi realizado no Revéillon, até porque o Carnaval começa meses antes do ponto de vista jurídico e administrativo. Queremos incorporar novas experiências, porque isso viabiliza o desafio de fazer mais e melhor. Podemos pensar em determinadas situações, como no ciclo junino, no Sítio Trindade, em que existe uma forma de configuração e espaço. Penso que essa lógica da democratização de acesso deve ser preservada, mas com a possibilidade de novas parcerias.

Em relação ao Teatro do Parque, Apolo e demais espaços culturais, qual é o planejamento?
Além da Casa do Carnaval, nós reabrimos o Memorial Chico Science, Memorial Luiz Gonzaga, Museu de Arte Popular e Casa da Cultura. A gente fez intervenção no Hermilo e faremos no Apolo. No Cineteatro do Parque, a gente previu o retorno da regularidade às sessões porque tivemos a experiência de reinaugurar, mas veio o início da pandemia. Quando foi possível, voltamos com as atividades, festivais, sessões especiais. O Apolo também é aberto a diversas linguagens, mas está voltando a ser um espaço que desenvolve cinema. Nós aprovamos 34 projetos em audiovisual na Lei Paulo Gustavo. Vamos ter muita coisa sendo executada e precisando de espaço. Também temos o desafio de chegar nas periferias com atividades ao ar livre.

Qual é o foco da Secult em 2024?
Precisamos construir nosso Plano Municipal de Cultura. Acho que é o grande legado. A gente quer melhorar e investir em espaços históricos e culturais da cidade, mas com uma frequência mais regular, como o Memorial Naná Vasconcelos, e outros equipamentos. Temos essa perspectiva de criar uma política pública de cultura. Entendo que a cadeia produtiva repercute, além do financeiro, sobre as pessoas que estão atuando. Tudo isso fecha o ciclo para quem vive e se dedica à arte. 
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