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LITERATURA

Pernambucana radicada em São Paulo vence em 'Melhor Conto' no Prêmio Sesc de Literatura

Publicado em: 24/05/2023 15:43

 (Crédito:Sesc/Divulgação)
Crédito:Sesc/Divulgação
O Prêmio Sesc de Literatura anunciou nesta quarta-feira os vencedores da edição 2023.  “Outro outono de carne estranha”, do paraense Airton Souza, foi escolhido o melhor Romance; e “O ninho”, de autoria da pernambucana radicada em São Paulo Bethânia Pires Amaro, foi o selecionado da categoria Conto. 

A premiação completa 20 anos em 2023, sendo considerada uma das mais importantes e consagradas no reconhecimento de escritores estreantes. A origem dos vencedores desta edição mostra o estímulo do Prêmio a novos talentos das mais diferentes regiões do Brasil. Os dois livros serão lançados em novembro pela editora Record, parceira do Prêmio Sesc desde a sua criação. 

A história de “Outro outono de carne estranha” remonta os anos 1980, no final da ditadura, quando dois homens se encontram e se apaixonam em pleno garimpo de Serra Pelada, onde relacionamentos homoafetivos eram proibidos, segundo a lei não escrita do lugar. A violência, a paixão, o amor, a intervenção do Estado e a busca desenfreada pelo ouro se interconectam na mesma paisagem árida, incluindo até o cabaré local, que foi inspirado na própria vivência do autor, Airton Souza. O escritor passou parte da infância em uma dessas casas de prostituição de propriedade de uma tia e do pai, um piauiense que se mudou para o Pará em busca da riqueza do metal. “A minha escrita é uma forma de pagar uma dívida afetiva e de retratar esse ambiente complexo que existiu no Brasil daquela época e que pode continuar a coexistir até hoje nos garimpos espalhados por essa imensa Amazônia”, relembra Airton. 

Já os contos de “O ninho” dissecam as relações familiares sob a ótica feminina e buscam dessacralizar a casa como um lugar idílico e de segurança afetiva, “normalmente retratada assim nas postagens de famílias perfeitas das mídias sociais”, explica Bethânia Pires Amaro.  Os contos vão se desenrolando para trazer à luz a disfuncionalidade do ‘lar’, em que o amor muitas vezes se mistura a dores e cicatrizes. “Queria mostrar a quem lê, e que muitas vezes vive distúrbios alimentares, abusos e racismo em solidão atrás de quatro paredes, que essa pessoa não está só”, descreve a autora, que viveu a infância no interior da Bahia e em Salvador, onde percorria sebos e bibliotecas para ler tudo o que encontrasse de interesse naquelas estantes.
  
A comissão final que selecionou o Romance foi composta pelos escritores Joca Reiners Terron e Suzana Vargas e a de Conto pelos também escritores Giovana Madalosso e Sérgio Rodrigues.  

Neste ano, o Prêmio Sesc de Literatura recebeu 1495 inscrições, das quais 770 foram na categoria Romance e 725 em Conto. “O Prêmio mais uma vez trouxe vencedores de diferentes estados e o Pará continua a nos presentear com escritores promissores. Essa é a terceira edição consecutiva que temos um escritor paraense entre os premiados, o que mostra a força da literatura brasileira também fora dos grandes centros”, destaca Janaína Cunha, Diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc. 

Sobre os autores
O paraense Airton Souza tem 41 anos, nasceu em Marabá (PA), onde mora até hoje. É professor de História para crianças e adolescentes do Ensino Básico e Mestre em Letras. Atualmente, cursa um doutorado em Comunicação, Cultura e Amazônia pela UFPA. 
 
Bethânia Pires Amaro tem 34 anos, nasceu em Pernambuco e passou a infância no interior da Bahia. Há nove anos se mudou para São Paulo (SP), onde atua como advogada pública. Escreve desde criança, mas na pandemia decidiu se dedicar à literatura cotidianamente, assim como a pesquisas sobre a maternidade. 

Sobre o Prêmio
Ao oferecer oportunidades aos novos escritores, o Prêmio Sesc de Literatura impulsiona a renovação no panorama literário brasileiro e enriquece a cultura nacional. Em sua 20ª edição, se tornou uma das mais importantes premiações do país, sendo hoje considerado referência por críticos literários, escritores brasileiros e visto como grande porta de entrada para o mercado editorial no Brasil.
 
Os vencedores têm suas obras publicadas e distribuídas pela editora Record, o que contribui para a credibilidade e a visibilidade do projeto, pois insere os livros na cadeia produtiva do mercado livreiro. O lançamento dos novos títulos será no final do ano, com tiragem inicial de, no mínimo, 2,5 mil exemplares. Desde a sua criação em 2003, mais de 20 mil obras foram inscritas e 35 novos autores foram revelados. 

O processo de curadoria e seleção das obras é criterioso e democrático. Os livros são inscritos pela internet, gratuitamente, protegidos por anonimato. Isso impede que os avaliadores reconheçam os reais autores, evitando qualquer favorecimento. Os romances e contos são avaliados por escritores profissionais renomados, que selecionam as obras vencedoras pelo critério da qualidade literária.
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