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Skank encerra hoje a carreira com show de despedida no Mineirão

Publicado em: 26/03/2023 15:32

Banda mineira se despede dos fãs, neste domingo (26), em apresentação repleta de hits. O sentimento é 'de dever cumprido', diz o tecladista Henrique Portugal (Crédito: Weber Pádua/divulgação)
Banda mineira se despede dos fãs, neste domingo (26), em apresentação repleta de hits. O sentimento é 'de dever cumprido', diz o tecladista Henrique Portugal (Crédito: Weber Pádua/divulgação)
O Skank põe o ponto final em sua trajetória neste domingo (26), no Mineirão, onde encerra a “Turnê de despedida”. Um dos grupos mais importantes da música brasileira nas últimas três décadas, a banda apresenta sucessos que embalam passado e presente dos fãs que ajudaram a projetar os mineiros para o Brasil e para o mundo.

Desde o ano passado, Samuel Rosa (guitarra e vocal), Lelo Zaneti (baixo), Henrique Portugal (teclados) e Haroldo Ferretti (bateria) percorrem o Brasil para brindar o público com a saideira. Apenas em São Paulo, foram oito apresentações com ingressos esgotados.
 
Novos caminhos
Henrique Portugal enfileira os shows memoráveis da última turnê: Goiânia, para 15 mil pessoas; Salvador, no Estádio Fonte Nova; Porto Alegre, no Teatro Araújo Viana, com cinco noites de ingressos esgotados; Manaus, na Arena Amazônia; e Recife, no Classic Hall “completamente lotado”.

“A turnê tem servido para a gente sentir o tanto que a nossa música e tudo o que a gente fez têm de significado na vida das pessoas. Isso nos dá sensação de dever cumprido”, diz o tecladista. Ele e os companheiros explicam que a decisão de encerrar as atividades se deve à sensação de que o ciclo foi cumprido, e agora é necessário abrir caminho para as realizações individuais do quarteto.

“Quando começamos em Belo Horizonte, de forma independente, definitivamente não imaginávamos chegar onde chegamos: tocar em todo o Brasil com frequência, rodar o mundo, virar trilha de Copa do Mundo, ter música em primeiro lugar nas paradas de outros países. A turnê de despedida é para a gente se encontrar com as pessoas que nos ajudaram a trilhar esse caminho”, aponta.

Em entrevista recente, Samuel Rosa disse que o Skank não pretende virar mero “cover de si mesmo”. Para ele, o auge criativo da banda ficou no passado – ainda que tenha durado bastante, com todos os álbuns emplacando ao menos um hit, de “Macaco Prego”, do disco de estreia, de 1993, a “Esquecimento”, de “Velocia”, o último lançamento de inéditas, em 2014.

A abrangência desta obra se reflete nos shows, que reúnem diferentes gerações de fãs, segundo Portugal, de 58 anos. “Tem pessoas mais ou menos da nossa idade. Tem gente de uma geração posterior, que chegou ao Skank com ‘Vou deixar’, por exemplo, lançada quase 10 anos depois de ‘Garota nacional’. E também uma garotada, filhos daquela primeira geração. Isso, para nós, é uma grande vitória”, comemora o tecladista.

Show para todas as gerações
O repertório desta noite leva em consideração a diversidade etária do público, com foco nos hits. Em São Paulo, última parada da turnê antes de BH, o longo roteiro, de cerca de duas horas e 30 minutos, incluiu “É uma partida de futebol”, “Pacato cidadão”, “Saideira”, “Te ver”, “Garota nacional”, “Sutilmente” e “Tão seu”, entre outras.

“É um show de músicas conhecidas. As pessoas estão indo para se despedir, querem cantar junto. Da primeira à última, são músicas que marcaram a nossa carreira”, diz o tecladista. Ao longo da turnê, a banda também atendeu a pedidos do público. “A gente mesmo sugeriu que as pessoas levassem cartazes indicando as músicas favoritas. Era uma forma de mudar um pouco o roteiro de uma cidade para outra.”

O arco temporal da trajetória do Skank foi marcado por profundas transformações na forma como se produz e se consome música. Quando o grupo começou, o vinil era o suporte predominante, com o CD em estágio embrionário. As grandes gravadoras multinacionais e as rádios tinham o poder quase exclusivo de determinar o que as pessoas escutariam.

Sempre de olho no futuro
Portugal avalia que a banda mineira conseguiu acompanhar o cenário de mudanças e se manter atualizada, em termos criativos e de mercado, atenta às evoluções tecnológicas e aos padrões de consumo. O disco de estreia, batizado apenas “Skank”, foi lançado de maneira independente já em CD, em 1993, quando o formato era incipiente.

“O suporte predominante ainda era a bolacha preta. As pessoas escutavam música pelo rádio, no vinil ou na fita cassete. Já fizemos o primeiro disco em CD porque achávamos que a inovação tecnológica chamaria a atenção dos críticos e dos formadores de opinião. Depois que a gente assinou contrato com a (gravadora) Sony, ela lançou o álbum em vinil”, relembra.

O importante é sempre estar atento à forma como o público ouve música, acredita o tecladista. “A pessoa que gosta do seu trabalho tem de ter acesso àquilo que você está fazendo, e isso depende muito do suporte ou da tecnologia disponível no momento”, diz.

“Tinha o vinil, depois veio o CD, aí teve o momento de caos na indústria fonográfica, com a pirataria e o compartilhamento de MP3, no início dos anos 2000. La por volta de 2010, começaram a aparecer as plataformas de streaming, que só se tornaram efetivas mesmo a partir de 2015”, aponta.

Ao longo de mais de três décadas, o Skank teve a capacidade de abraçar novos modelos que lhe pareciam interessantes, afirma o músico. Exemplos disso são o álbum “MTV ao vivo” (2001), gravado em Ouro Preto, cujo repertório foi escolhido por votação do público no site do grupo, e “Skank play”, projeto conectado à expansão das redes sociais, no qual os fãs podiam tocar virtualmente com a banda.

“Skank play” rendeu aos mineiros um Leão de Ouro em Cannes – a principal premiação da publicidade mundial –, na categoria mídia social. “A gente foi entendendo como usar a tecnologia. Falo sempre isso: ela não é fim, ela é meio. Nosso grande acerto foi sacar isso, não ficar escravo das tecnologias e saber distinguir o que era legal, o que nos interessava, e o que não era, mesmo que estivesse na moda”, explica.

Do ponto de vista da criação, a banda soube se reinventar e se manter sintonizada com seu tempo, diz o tecladista. Ter estúdio próprio, a partir do início dos anos 2000, contribuiu decisivamente para isso.

“O Skank é praticamente duas bandas, porque a gente começou com a referência jamaicana, e os três primeiros álbuns completamente imersos nessa estética. A partir do ‘Siderado’ (1998), a gente já mostrou outro caminho, mais melodioso, que foi ganhando espaço nos álbuns seguintes”, aponta.

A chegada de novos parceiros influenciou essa trajetória. Se no início Chico Amaral era o coautor mais frequente das canções, com o tempo vieram Nando Reis, Rodrigo Leão e Fausto Fawcett, entre outros. “A gente também foi criando mais habilidade, mais carinho e mais experiência dentro do estúdio. O resultado de toda essa assimilação de muitas coisas são os nossos álbuns”, resume Henrique.

O legado do Skank para o pop rock brasileiro é o tempero de brasilidade adicionado à receita praticada pela “geração rock Brasil” dos anos 1980, muito alinhada com a música britânica e norte-americana, diz Henrique Portugal. “O Skank e outros grupos surgidos na década de 1990 ampliaram as referências internacionais e misturaram elementos da música brasileira, todos com assinatura muito própria, muito particular.”

Rito de passagem no Expresso Canadá
Henrique Portugal considera difícil, “porque foram vários”, recapitular os shows inesquecíveis da banda. Mas cita o lançamento do álbum de estreia, em abril de 1993, no Expresso Canadá, casa de shows em Nova Lima.
 
“Foram 10 mil ingressos vendidos. A gente pedia pelas rádios para que quem não tivesse ingresso não fosse, mas não adiantou. Tinha lá 10 mil pessoas com ingresso e outras 10 mil sem, querendo entrar”, recorda.

Deu tudo certo, “apesar de ter caído uma tromba d’água”, relembra o tecladista. “Não teve problema nenhum, ninguém se machucou, foi histórico. As pessoas deveriam comemorar mais os ritos de passagem da vida. Aquele foi um rito de passagem nosso.”

Outros shows inesquecíveis foram o realizado em Ouro Preto, que gerou o álbum “MTV ao vivo”, em 2001, e a apresentação que resultou no primeiro DVD da banda, “Multishow ao vivo: Skank no Mineirão”, em 2010.

A “Turnê de despedida” vai ganhar registros audiovisuais – provavelmente um documentário e um álbum ao vivo. Mas Henrique prefere não revelar as participações especiais. “Quem for vai saber”, avisa.
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