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CINEMA

Elevando à enésima potência pontos fortes dos antecessores, 'John Wick 4: Baba Yaga' lapida o conceito até a essência - e é brilhante

Publicado em: 25/03/2023 10:00 | Atualizado em: 24/03/2023 19:23

 (Keanu Reeves encarna mais uma vez assassino em série caçado pela organização criminosa mundial Alta Cúpula. Lionsgate/Divulgação.)
Keanu Reeves encarna mais uma vez assassino em série caçado pela organização criminosa mundial Alta Cúpula. Lionsgate/Divulgação.
Quando o primeiro filme da série John Wick foi lançado – no Brasil intitulado De volta ao jogo – , o universo criado pelo diretor Chad Stahelski e encabeçado pelo astro Keanu Reeves era uma criação tão primária na sua mitologia que grande parcela dos espectadores não tinha ideia da dimensão que ele iria tomar nas continuações. Com uma ambição de produção que cresce proporcionalmente ao seu impacto na cultura pop, a franquia se especializou em dobrar de escala a cada filme, mas agora neste quarto capítulo, em cartaz nos cinemas, a aposta é exponenciar o conceito e, paralelamente, retornar ao que há de fundamental nele. 

Em John Wick 4: Baba Yaga, o assassino profissional que dá título à saga e que iniciou sua jornada pelo assassinato de seu cachorro no primeiro filme, de 2014, segue enfrentando as consequências impostas pela Alta Cúpula, agora sob o controle quase absoluto do Marquês (Bill Skarsgård). Perseguido implacavelmente desde o capítulo anterior, John percebe que precisará não apenas de suas habilidades superlativas de luta, mas de uma estratégia de duelo para finalmente ficar livre de suas responsabilidades com o maior conselho do submundo do crime.
 (Lionsgate/Divulgação.)
Lionsgate/Divulgação.
A despeito do que se possa imaginar, as expressivas 2 horas e 50 minutos de John Wick 4 são menos um prolongamento do assunto e mais uma destilação da sua essência. A mitologia da Alta Cúpula e da galeria interminável de assassinos profissionais é exemplar em sua objetividade expositiva (pouco é explicado sobre aquele mundo ou sobre relações pregressas dos personagens) e irreparável no nível da auto seriedade (as caricaturas são plenamente assumidas sem nunca cair na paródia). Ajuda que o elenco abrace a proposta e se entregue à pancadaria sem cerimônias, ao exemplo do veterano Donnie Yen, que rouba a cena como amigo e adversário circunstancial do protagonista, e de Scott Adkins, vilão de uma sequência que vai de um jogo de cartas até um massacre no meio da multidão.

Auxiliado pela fotografia de Dan Lausten, colaborador frequente de Guillermo del Toro e conhecido pelas cores fortes em alto contraste, Stahelski transforma cada cenário em um altar de ação, com arquiteturas suntuosas, pisos assépticos e estilosamente iluminados. As coreografias ultra elaboradas – razão de ser do filme – se acumulam novamente como um assumido gameplay que faz de locações célebres (a rotatória do Arco do Triunfo, em Paris, se destaca) palcos abertos para todo o absurdo que neles se sucede. Ver centenas de pessoas numa boate dançando impassíveis sem parar enquanto os personagens se matam violentamente ao som de música eletrônica é uma bela síntese do espírito da franquia: o humor de John Wick surge como consequência da insanidade, não como um fim sarcástico autoconsciente.
 (Lionsgate/Divulgação.)
Lionsgate/Divulgação.
E não há escolha mais certeira do que Keanu para estar à frente de uma celebração quintessencial da ação tão franca e poderosa quanto essa. Conhecido pela graciosidade e presença inequívoca, o ator desperta sem esforços a torcida incondicional da plateia independentemente de toda a brutalidade. Com linhas de diálogo reduzidas ao elementar e um empenho de irresistível sinceridade para dizê-las, Keanu/John atinge o auge dessa persona que incorpora como ninguém, numa manifestação de imagem em movimento depurada até o que o seu conceito pode oferecer de melhor. Nos seus termos, é uma obra-prima. 
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