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CINEMA

Acervo Maracá lança websérie 10 Pedras sobre guardiões da tradição afro-brasileira e indígena

Publicado em: 12/01/2023 17:49

 (Crédito: Renata Amaral )
Crédito: Renata Amaral
No dia 17 de janeiro, a diretora, musicista e pesquisadora Renata Amaral dá o pontapé inicial ao projeto Acervo Maracá – 10 Pedras, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2019-2020, com a disponibilização do primeiro de 10 vídeos da série virtual 10 Pedras, sobre cultura popular. O curta-metragem Tenda São José, dirigido por Luiza Fernandes, se desenrola a partir do olhar de Mãe Gildete, Mestra Luizinha e Manoel Batazeiro, guardiões dos ritos do Terecô, religião afro-brasileira centenária com origem no interior do Maranhão.  

Toda terça-feira, o público tem acesso a um episódio inédito, dirigido por diferentes profissionais em https://www.youtube.com/@AcervoMaraca, e a publicações associadas à temática, como álbuns e filmes pertencentes ao Acervo. O próximo audiovisual da série, disponível no dia 24, é dirigido pelo artista e pensador guarani Carlos Papá, sobre Avá Djejokó, uma das principais lideranças Guarani de sua geração, morto em 2011.  

Em seguida, encerrando o mês de janeiro, no dia 31, o vídeo intitulado Legba – senhor dos caminhos, relacionado ao orixá Exu – mostra uma cerimônia Vodun, da Coletividade Kpengla, em Abomey, região do antigo reino do Dahomé, no Benin, África Ocidental. A direção é do músico Kiko Dinucci, fundador das bandas Metá Metá e Passo Torto, e da produtora Beatriz Dantas. 

“As entrevistas e depoimentos apresentados nos vídeos, mostram a força criativa e o fazer artístico presente nas comunidades. São melodias, movimentos e ritmos matrizes da nossa cultura urbana, muitas vezes criados em meio a um contexto de conflito e exclusão social”, explica Renata, idealizadora do projeto. 

Tenda São José 
Registros feitos desde 1999, e agora compactados neste episódio inicial, mostram a dança circular, os costumes e cantigas do Terecô – também conhecido como Umbanda e Tambor da Mata – nas vozes dos mestres artistas Mãe Gildete, Luizinha e Manoel Batazeiro. Religião típica da bacia do Rio Itapecuru, seguindo até Codó, ambos no Maranhão, dialoga com elementos do Tambor de Mina, mas se distingue em um universo próprio de coreografias, figurinos, instrumentos, toques e liturgias. 

Mãe Gildete, chefe do terreiro Tenda de São José, falecida em 2016, é definida por Renata como sendo toda amor, espalhando-o sem alarde. “Com uma história comum na região, enlouqueceu e quase morre até descobrir sua vocação espiritual, que exerce com dedicação e suavidade chefiando as médiuns de um dos terreiros mais conhecidos, entre muitos, da pequena Pirapemas”, conta Renata.  

Já Seu Manoel, de acordo com ela, é dono de um vozeirão treme-terra, é batazeiro – nomenclatura para quem toca o tambor Batá – dos mais solicitados da região, capaz de tocar dois tambores ao mesmo tempo. Sobre Mestra Luizinha, afirma ser uma impressionante combinação de força e delicadeza. “A voz rasga o batuque e tem um agudinho de brisa e passarinho. Usa sempre os vestidos, chamados de fardamento, mais bonitos do salão. Luizinha tem uma expressão única de sua espiritualidade através da música.” 

Renata, conta que conheceu a Tenda São José em 1999, durante o projeto Universidade Solidária, com o grupo A Barca, do qual faz parte. “Mãe Gildete se mostrou uma fonte inesgotável de belezas”, lembra. “São centenas de doutrinas gravadas lá e dezenas delas já formaram o repertório de diálogos musicais com meus grupos A Barca e Ponto br, além de serem material constante para aulas e práticas em grupo.”  

Como resultado das experiências vividas no local entre 1999 e 2003, em cerca de 15 viagens, Renata produziu o CD Tenda São José, no ano de 2016, e que poderá ser apreciado pela primeira vez nas plataformas digitais. O trabalho entra no ar no mesmo dia de lançamento do audiovisual, 17 de janeiro.  

“Em várias dessas visitas, tive a companhia dos queridos André Magalhães, parceiro em boa parte das publicações do Acervo, Marcelo Pretto, Lincoln Antonio, Marquinhos Mendonça, Jandir Gonçalves, A Barca e a família Menezes, que sou grata por dividir comigo o encantamento inesgotável dessas melodias”, fala Renata. “Muito mais dessas lindezas podem ser ouvidas no acervomaraca.com.br.”  

Patrimônio e memória 
A longa convivência de Renata com esses mestres e artistas resultaram no registro de festas e celebrações de mais de 100 comunidades, passando por 56 municípios de 15 estados brasileiros. O Acervo Maracá tem diversas premiações no currículo, entre elas o Latin Grammy Research and Preservation Award, conquistado em 2019. 

“É um amplo painel da cultura tradicional brasileira hoje, mostrando uma cultura popular exuberante e vigorosa, onde o talento dos artistas e a vitalidade destas tradições revelam diversidade e identidade em um Brasil contemporâneo”, afirma ela.   

Luiza Fernandes – Direção e Roteiro de Tenda São José 
Desde 2016 atua no ramo audiovisual, com trabalhos indicados a prêmios e festivais. É graduada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente realiza mestrado em Música, Cultura e Sociedade na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tendo o audiovisual como fio metodológico de seu trabalho.  

Esteve envolvida no Acervo Maracá no processo de organização e digitalização de arquivos audiovisuais, bem como no filme Guriatã, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016. Passou, também, por lugares como Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), Billboard Brasil e Verdura Produções. É uma das idealizadoras da banda Berberes e é brincante do Grupo Cupuaçu de Danças Populares. 

Renata Amaral  
Formada em composição e regência, mestre e doutoranda em performance musical pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), tem se apresentado em todo o Brasil e Europa ao lado de artistas, como A Barca, Ponto br, Tião Carvalho, Sebastião Biano e Orquestra Popular do Recife. Pesquisadora e contrabaixista, desde 1991 reúne o Acervo Maracá, tendo produzido mais de 30 CDs e 12 documentários, premiados, de gêneros tradicionais. Realizou residências artísticas no Maranhão e Benin.  

É diretora do filme Pedra da Memória. Ao lado dos grupos A Barca, Ponto br e o Terno de Mestre Sebastião Biano gravou sete CDs e realizou mais de 500 apresentações em escolas e universidades com projetos de circulação, registro e arte-educação com foco na cultura tradicional. 

Sobre o Rumos Itaú Cultural 
Um dos maiores editais privados de financiamento de projetos culturais do país, o Programa Rumos, é realizado pelo Itaú Cultural desde 1997, fomentando a produção artística e cultural brasileira. A iniciativa recebeu mais de 75,8 mil inscrições desde a sua primeira edição, vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas 1,5 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa. 

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 7 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados. 

Na última edição, de 2019-2020, os 11.246 projetos inscritos foram examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 23 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição. Foram selecionados 90 projetos. 

SERVIÇO: 
Rumos Itaú Cultural 2019-2020 
Acervo Maracá – 10 Pedras 
De Renata Amaral 
Classificação indicativa: livre 

Episódio 1: Tenda São José (MA) 
Dirigido por Luiza Fernandes 
Dia 17 de janeiro 

Episódio 2: Avá Djejokó, O Guardião dos Nomes (SP) 
Dia 24 de janeiro 

Episódio 3: Legba (Benin – África Ocidental) 
Dia 31 de janeiro
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