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CRÍTICA

'Noite Infeliz' tem boas sacadas, mas funcionaria melhor como especial de Natal para streaming

Publicado em: 02/12/2022 15:14

 (David Harbour interpreta Papai Noel nada usual em comédia de ação. Universal/Divulgação.)
David Harbour interpreta Papai Noel nada usual em comédia de ação. Universal/Divulgação.
O espírito natalino do Papai Noel interpretado por David Harbour é genuíno em suas intenções mas, no mínimo, subversivo nas suas ações. Em crise existencial e erguendo um chopp num bar, ele se prepara para começar a longa noite de entrega de presentes. É introduzido em cena um casal prestes a se divorciar e cuja filha pequena já sente o clima pesar, desejando fervorosamente que seus pais se unam novamente na noite de Natal, a qual vai acontecer na mansão da excêntrica família de protagonistas. Eis que as festividades são interrompidas por um grupo de ladrões que fazem todos de refém, mas a chegada do Noel mostra que o bom velhinho – aqui, nem tão bom nem tão velhinho assim – tem métodos nada ortodoxos para salvar a noite de Natal, mesmo que sua figura seja, de fato, sobrenatural.
 
Rapidamente fica claro na comédia Noite infeliz, em cartaz nos cinemas, que o filme dirigido por Tommy Wirkola (João e Maria: Caçadores de bruxas) utiliza a iconografia clássica de uma sessão da tarde natalina para efeito de sátira, com muita violência gráfica e palavreado adulto. O curioso na direção e no roteiro é que o longa não abre mão da fantasia tradicional, de sua relação com a crença infantil e daquele humor ingênuo de assistir a bandidos caindo em armadilhas e fazendo papel de tolos, remetendo especialmente a Esqueceram de mim. Há no texto também bastante humor sarcástico, é claro, e a própria presença de Harbour – cuja imagem já é bastante associada a personagens broncos de bom coração – traz um cinismo quase automático ao tom do filme.
 
Mesmo com esforços interessantes para dinamizar a história, porém, Noite Infeliz não consegue esconder que funcionaria muito melhor e pareceria muito menos repetitivo caso fosse lançado diretamente em uma plataforma de streaming como especial de Natal de 45 minutos, visto que, ao longo de quase duas horas de duração, a desnecessária quantidade de personagens pesa o seu ritmo e as mal iluminadas cenas de ação cansam a vista.
 
Ademais, é difícil imaginar um público certo para uma produção como essa, visto que a violência é muito sangrenta para pré-adolescentes e a 'mensagem' é excessivamente acriançada para o espectador mais maduro, o que evidencia mais ainda o descompromisso de um projeto que, sim, faz seu trabalho com alguma convicção, mas certamente caberia melhor no sofá da sala do que no cinema.
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