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MÚSICA

Autor de hits LGBTQIA+, DJ pernambucano assina tema de festival internacional

Publicado em: 21/12/2022 12:59

 (Crédito: Tobi Meira/Divulgação)
Crédito: Tobi Meira/Divulgação
Quem frequentou festas LGBTQIA+ no início da década passada, certamente dançou ao som de Lorena Simpson. As músicas do ícone pop têm assinatura de Filipe Guerra, DJ e produtor pernambucano em destaque na cena eletrônica há cerca de 15 anos. Na última sexta-feira (16), foi lançado o single ‘We Got The Power' - produzido e composto por ele, com os vocais da cantora norte-americana D’Layna. A canção é o tema da We Party, um dos maiores festivais do planeta. 

Auto-intitulada como “a maior festa gay do mundo”, a We Party tem origem em Madrid, na Espanha, e acontece em outras 29 capitais ao redor do globo, onde ocorrem 70 eventos semelhantes anualmente. ‘We Got The Power’ já embalou a noite dos espanhóis no início de dezembro, quando a We Party contou com a participação de Filipe, e a cena se repetirá nas festas de Ano Novo. Em entrevista ao Viver, o DJ comentou o simbolismo do convite para produzir o single e afirmou se tratar de uma vitória da cena eletrônica brasileira. 

“Talvez seja uma das festas mais conhecidas do circuito LGBTQIA . A We Party faz 70 ou mais nas principais capitais do mundo, É um orgulho pro nosso país, porque é um DJ e produtor brasileiro que tá fazendo. Para mim é um reconhecimento de carreira muito bom, porque eles toparam na hora quando a gente conversou sobre We Got The Power. Fico muito feliz de ver uma música produzida por mim virar tema de uma festa gigante”, apontou.
 
 
De Limoeiro, Filipe Guerra deu os primeiros passos na música eletrônica como DJ aos 15 anos. Ele fez um curso da Metrópoles em 2002, sendo apontado o melhor aluno e, depois, se tornando residente da casa. Algumas das suas músicas foram levadas e tocadas em rádios, onde Filipe começou a frequentar, até ser reconhecido nacionalmente. Em 2007, se mudou para o Rio de Janeiro e assinou contrato com uma gravadora. 

O salto de patamar veio em 2008, quando a colaboração com Lorena Simpson ‘Can’t I Stop Loving You’ rompeu fronteiras e virou uma das mais pedidas no Egito, Tailândia e Japão. Outra parceria de sucesso com Lorena foi ‘Brand New Day’, de 2009. “Minhas produções sempre tiveram um alcance internacional. Brand New Day ficou nove vezes entre as mais tocadas no México. Eu não tinha essa dimensão, até que eu fui tocar lá. Pra mim é como uma consagração de muito tempo de trabalho, porque a criação de músicas gera muito esforço e dedicação”, explicou Filipe. 

O sucesso do DJ pernambucano passa um pouco pela universalidade da música eletrônica, além das letras em inglês, mas a barreira da linguagem deixou de ser um problema há algum tempo. A ascensão do pop brasileiro, promovida especialmente por Anitta e Pabllo Vittar, está refletida em baladas de outros países que tocam hits em português brasileiro. Para Filipe, é uma tendência que retrata a visão positiva dos estrangeiros para a música nacional.

“Sem sombra de dúvidas, a musicalidade dos produtores brasileiros na cena LGBTQA é a maior referência no mundo. Como é de nicho, talvez não temos tanto espaço. Mas é um movimento muito importante de ser observado, porque essa musicalidade brasileira é bem aceita no mundo inteiro. Se você ver festas em Xangai, onde as pessoas não entendem nada de português, vai ter música da Anitta ou da Pabllo”, destacou. 
 
"A musicalidade dos produtores brasileiros na cena LGBTQA  é a maior referência no mundo", afirma o DJ Filipe Guerra (Crédito: Tobi Meira/Divulgação)
"A musicalidade dos produtores brasileiros na cena LGBTQA é a maior referência no mundo", afirma o DJ Filipe Guerra (Crédito: Tobi Meira/Divulgação)

As perspectivas do produtor para 2023 são ainda melhores. Ele aposta na expansão da cena pop e dance brasileira, especialmente pela suavização das restrições impostas pela Covid-19. Individualmente, Filipe planeja levar o som eletrônico a países em que ainda não se apresentou.

“Ano que vem será melhor ainda, porque a situação da pandemia está melhorando. A cultura LGBTQA brasileira estará em mais evidência, acredito que a Pabllo terá mais reconhecimento do que ela já tem. Em relação à minha carreira, estou muito feliz porque vão ter novos lugares em que vou tocar, inclusive Irlanda e Austrália, onde eu nunca fui e agora minha música vai chegar”, disse.
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