
O último domingo do verão do apagão terminou como começou a estação: às escuras. Uma tempestade elétrica com ventos de até 89km/h desabou sobre o Rio e causou estragos, deixando ruas alagadas e vias interditadas. No Centro e em bairros da Zona Sul, como Flamengo e Laranjeiras, o temporal chegou acompanhado de muitos raios e trovões. No estádio João Havelange, o Engenhão, no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, os refletores do estádio apagaram, quando todo o bairro ficou sem luz. O jogo Botafogo e Olaria teve que ser interrompido, por 18 minutos, no segundo tempo. Chegou a chover granizo no bairro.
"Além de não devolver o dinheiro, nos expulsaram e não nos deixaram ficar numa cobertura que protegesse da chuva", disse a designer Patrícia Pieratti, de 25 anos, que pagou R$ 90 pela meia-entrada.
Até as 21h, a Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro já havia recebido cerca de 18 chamados, a maior parte deles devido a desabamentos parciais de telhados e deslizamentos de barreiras.
Vários bairros, como São Cristóvão, Maracanã, Penha, Méier, Olaria, Inhaúma, Ramos, Ilha do Governador e Urca, além dos municípios de Niterói e São Gonçalo ficaram sem energia. O Aeroporto Santos Dumont ficou fechado para pouso e decolagem, enquanto o Tom Jobim teve que operar por instrumentos.
No Hospital Geral de Bonsucesso, o temporal derrubou o revestimento de gesso da sala de emergência, alagando o local. Ninguém ficou ferido. Os pacientes acabaram transferidos para outras unidades. Em Vicente de Carvalho, as águas invadiram os corredores do Carioca Shopping. Segundo comerciantes, parte do teto de uma loja caiu.
Segundo a CET-Rio, a Ponte Rio-Niterói chegou a ser fechada nos dois sentidos por cerca de 40 minutos, por causa dos fortes ventos e da baixa visibilidade, causadas pelo temporal. E a Barcas S/A informou que a travessia entre as duas cidades pela baía de Guanabara também foi interrompida por volta das 18h pelos mesmos motivos.Quando voltou a funcionar, uma hora depois, as embarcações tiveram de usar uma velocidade reduzida.
Na Tijuca, o rio Maracanã transbordou, e os motoristas tentavam fugir dando marcha a ré. Apesar de o gramado do estádio apresentar bolsões de água, o jogo entre Flamengo e Vasco não foi cancelado, mas o público foi muito reduzido. O trânsito ficou parado na região. Também transbordou o rio Faria Timbó, que atravessa o subúrbio.
Houve quedas de árvores e muitos pontos de alagamento em diversos locais, entre eles a Avenida Presidente Vargas e as ruas Henrique Valadares e Santana, no Centro. Na Avenida Brasil, duas árvores caídas deixaram o trânsito complicado na pista central, sentido Zona Oeste, na altura do Caju, e também na pista lateral, sentido Zona Oeste, na altura de Manguinhos.
No Leme, uma árvore caída interditou o trânsito na esquina das ruas Aureliano Leal e Gustavo Sampaio. Nesta última, outra árvore atingiu um carro, que estava estacionado. Houve ainda quedas de galhos ou árvores na Praça da Cruz Vermelha e na Rua da Relação, no Centro; na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana; e na Avenida General San Martin, no Leblon.
Vários municípios da Baixada Fluminense também sofreram com a forte chuva. Ruas de bairros de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu estão debaixo d`água. O trânsito ficou confuso na Avenida Brasil.
Por volta das 21h, a Defesa Civil informou que a cidade do Rio permanecia em estado de atenção devido à chuva moderada com pancadas fortes previstas para toda a cidade. O Sistema de Gestão de Risco de Crises (Sigeric) continua mobilizado. Em caso de emergência, a população deve ligar para a Defesa Civil no telefone 199, que funciona 24 horas.
Por volta das 20h, houve uma queda de barreira na Via Dutra, na região da Serra das Araras. A faixa da direita e o acostamento foram interditados, e o tráfego seguiu pela esquerda. Como reflexo, foram registrados 11 quilômetros de congestionamento. No mesmo horário, uma árvore caiu na Linha Vermelha, na altura da Maré, na pista sentido Centro. Na Linha Amarela, próximo à Vila do João, muros desabaram, derrubando dois postes sobre a pista sentido Barra da Tijuca. Dois carros foram atingidos, mas ninguém ficou ferido.
Frente fria - De acordo com o meteorologista Paulo Matsuo, do Climatempo, o temporal foi causado por uma linha de instabilidade pré-frontal que foi intensificada por causa do calor. "O problema é que havia uma frente fria avançando pela região. Associada à ela, formaram-se linhas de instabilidade que se intensificaram devido ao calor, à umidade na região e aos ventos em altos níveis. Por isso, houve essa pancada de chuva forte e violenta".
Segundo Matsuo, os ventos mais fortes foram registrados no Tom Jobim — 89km/h — e no Santos Dumont — 76km/h. Para o especialista, ao que tudo indica, vêm mais pancadas de chuva pela frente:
"Como a frente fria ainda não passou, a instabilidade persiste. Hoje ainda podem ocorrer pancadas de chuva. Amanhã e depois pode chover forte, de uma maneira mais contínua, atingindo volumes razoáveis".
A chuva que caiu no Rio na noite de sábado já deixou a Defesa Civil Municipal em estado de vigilância desde a manhã de domingo. Durante a madrugada de sábado, foram registrados 18 chamados, todos sem gravidade. Nesta manhã, equipes da Defesa Civil prestaram dois atendimentos - um deles foi um desabamento, sem vítimas.
Da Agência O Globo