
O disco abre com um beat box (efeito vocal comum no rap) na base da canção Relampiano, de Lenine. Fica parecendo que levou programação eletrônica. Depois, no Samba da Bahia (Lara Monteiro e Hiran Monteiro), a impressão é que pelo menos umas cinco pessoas estão na base percussiva. Harmonias recortam a bucólica Chovendo na roseira, de Tom Jobim. Tchuru-tchurus enfeitam a abertura de Domingo no parque, de Gilberto Gil, mas depois os efeitos vocais se tornam mais elaborados e, mais uma vez, somente as vozes dão a impressão de uma banda minimalista. Mas não há realmente nada além delas, as vozes, no acompanhamento da Banda de Boca, grupo baiano que vem pela primeira vez apresentar-se na capital pernambucana.
Confira outros shows em cartaz, no roteiro.
O grupo é formado por Hiran Monteiro (maestro e principal arranjador), Fábio Eça, Neto Moura, Arno Júnior e Poliana Monteiro. Literalmente bons de boca, o grupo surpreende pela habilidade de cantar e ao mesmo tempo ornamentar as canções a partir do coro. Não um coro comum, mas um que faz das vozes presentes diversos instrumentos. Há uma variedade de timbres e utilizações da voz que surpreende o ouvinte mais desavisado.
No show, além do som de boca, eles se utilizam de recursos cênicos para fazer o público rir muito. Um desses quadros é Ópera Bufa, quando os músicos vestem trajes típicos deste gênero musical italiano, ao mesmo tempo em que brinca e satiriza a cena musical contemporânea da Bahia e de outros cantos do país. Tudo dentro de paródias usando melodias clássicas, de óperas universais.
A banda vai do MPB ao clássico. Entra pelos ritmos nordestinos, pop, funk, baladas, sambas de roda, música urbana e regional, popular e erudita. Tem preferência pelos compositores consagrados: Chico Buarque, Lenine, Caetano Veloso, Tom Jobim, Beatles, Carlinhos Brown e Céu. O grupo tem repercussão nacional e já fez participações em CDs de artistas como Daniela Mercury e Caetano Veloso. Recentemente, o grupo participou do reality show A fazenda, da TV Record.
Serviço
Banda de Boca - A voz como instrumento
Onde: Teatro Barreto Junior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina)
Quando: Quarta e quinta, às 20h
Ingressos: dois quilos de alimentos não-perecíveis
Informações: 3232-3054
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR