Bichos // Hamsters têm espírito de peixe
Por
Maria Carolina Santos
Do Pernambuco.com

Foto: Carolina Santos/Divulgação |
Pequenos roedores não são muito abertos a afagos com os donos, preferem ficar brincando na gaiola e ser admirados de longe
Há cerca de 50 anos, animais pequenos, peludos e que adoravam girar rodas em gaiolas começaram a chegar ao Brasil. Roedores e habitantes de regiões secas, os hamsters logo se tornaram populares pela beleza, a facilidade da criação e o baixo custo, tanto na hora da compra - custam entre R$ 5 e R$ 20 - quanto com despesas como higiene e alimentação (a ração custa menos de R$ 10 por mês) . Animais silvestres, eles não são tão abertos ao contato com humanos. A maioria prefere ficar na gaiola, dormindo durante o dia e brincando à noite. Para o veterinário Arionaldo de Sá, que atende de três a quatro hamsters por semana, eles devem ser tratados como peixes: mais para ver do que para pegar. "Alguns até adoecem e morrem, porque ficam estressados com os afagos", explica.
Criando o seu quarto hamster, a estudante Mirela Virgínia Lira, de 13 anos, já teve bichinhos que eram dóceis e outros nem tanto. O atual, que ainda nem tem nome, mal sai da gaiola."Logo que ele chegou aqui em casa foi atacado por um dos meus cachorros. Depois disso, ficava irritado quando eu brincava com ele. Uma vez , me mordeu, e desde então evito tirá-lo da gaiola", conta Mirela, que não esquece o hamster Bisonho. "Ele nunca fez nada com ninguém. Brincava muito comigo, éramos muito apegados", lembra. Um dia, com pouco mais de um ano, Bisonho teve uma diarréia e não resistiu.
Os hamsters vivem pouco: na natureza, dificilmente chegam a um ano e meio. Quando bem cuidados e alimentados alcançam no máximo dois anos. "A partir de um ano, os animais começam a apresentar problemas renais, hepáticos, e passam a acumular líquido, o que os deixa com uma aparência inchada. A pele também começa a se degenerar e os pêlos caem", diz o veterinário. Quando surgem estes sintomas, eles não sobrevivem por mais de dois meses. Os hamsters têm vida curta, mas se reproduzem rápido. A cada três meses podem nascer até oito filhotes.
Alimentação
Como são animais silvestres, os hamsters conservam os hábitos da vida nas tocas. Muitos relacionados com a alimentação. Na hora de se alimentar, os hamsters colocam toda a comida possível dentro de duas cavidades que possuem na boca e vão engolindo aos poucos. Reflexo da vida na natureza, onde tinham que voltar para a toca rapidamente, fugindo dos predadores. Em cativeiro, o mais comum é que comam ração. Para manter a saúde dos bichinhos, os donos devem oferecer, além da ração, alimentos secos como amendoim e milho verde. Mas o mais importante mesmo é oferecer frutas inteiras. Assim, além de se alimentar, o hamster pode se entreter abrindo a fruta e comendo as sementes.
Roedores
Hamster parece ser apenas um nome mais bonito para porquinho da Índia ou preá, mas são na verdade animais com diferenças de habitat, de tamanho e de temperamento.
Hamster
O habitat natural dos hamsters é a região deserta da cordilheira do Himalaia, na Ásia. Há raças que são diferenciadas pela variação de tamanho, peso - algumas com apenas 20 gramas - mas a principal diferença é na cor dos animais.
Porquinho da Índia
De focinho achatado, esses roedores são bem maiores que os hamsters e chegam a atingir até 800 gramas. Ao contrário do que o nome sugere, são oriundos do Peru. São animais bastante calmos e não gostam de brincadeiras.
Preá
Roedor rupestre, que vive em ambientes rochosos, é originário da Região Nordeste do Brasil, da Bahia ao Piauí. Geralmente de cor cinza, é bem maior que o hamster e de hábitos noturnos. Arredio, fica assustado com a proximidade de pessoas.