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ARTE

Projeto Número incentiva colecionismo de arte acessível com venda de múltiplos

Publicado em: 17/11/2021 10:35

Eduardo Gaudêncio, Lúcia Costa e Ricardo Lyra; idealizadores do projeto Número (Foto: Léo Malafaia/ Divulgação CASACOR)
Eduardo Gaudêncio, Lúcia Costa e Ricardo Lyra; idealizadores do projeto Número (Foto: Léo Malafaia/ Divulgação CASACOR)
O que define o valor de uma obra de arte? Por muito tempo, foi o caráter único e dificilmente copiável das peças de artistas renomados que o valorizavam. A ideia da exclusividade, porém, foi posta em xeque desde o surgimento de técnicas reprodutíveis como a fotografia, até a consolidação de formatos de arquivos digitais atualmente. Esse dilema se materializa na figura dos “múltiplos”: obras pensadas para serem produzidas em uma determinada quantidade, seguindo um protótipo ou um projeto de instruções elaboradas pelo próprio artista.
 
Foi em um movimento de valorização dessas peças, que nem sempre conseguem espaço nas galerias tradicionais, que surgiu o projeto Número - Edições de Múltiplos, focado na exibição e venda desses modelos. A mostra é uma iniciativa de um trio veterano no ramo: Lúcia Costa Santos, galerista da Amparo 60, e Eduardo Gaudêncio e Ricardo Lyra, sócios criadores da plataforma de comercialização SpotArt. O objetivo da parceria é fomentar o mercado regional da arte como um dos pioneiros a focar nessa categoria no Norte-Nordeste. “A Número entra nesse espaço. Focado nesta produção específica. Agora poderemos valorizar mais essa rica produção, na qual estão incluídas gravuras, serigrafias, livros de artista, fotografias…”, conta Lúcia.
 
Desenvolvida ao longo de meses, a ideia saiu do papel com o convite da CASACOR para ocupar o espaço do evento deste ano dedicado à arte. A Galeria Número funciona até o dia 5 de dezembro dentro da CASACOR 2021, montada este ano no pavilhão externo de eventos do Shopping Recife. Após a mostra, o projeto Número irá se instalar de forma permanente na Zona Sul do Recife, em espaço que será divulgado em breve pelos organizadores.
 
A estreia conta com múltiplos de mais de 20 artistas, da cena local e nacional, entre eles José Patrício, Luiz Hermano, Rodrigo Braga, Márcio Almeida, Derlon, Marcos Chaves, entre outros. Um dos primeiros a ser convocado e topar a empreitada foi o artista multimídia Paulo Bruscky, parceiro de longa data da galeria Amparo 60. “Aqui em Pernambuco sempre tivemos uma tradição de serigrafia e gravuras como múltiplo, mas de objetos e outras obras não. A mostra tá muito especial, porque você acha uma diversificação boa dos artistas que é bem representativa da produção local”, contou o artista.
 
 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
 
As obras apresentadas por Bruscky são todas inéditas, mas a exibição também traz em sua curadoria mais unidades de obras exibidas e consideradas esgotadas. Este é o caso de José Patrício, que expõe gravuras em metal realizadas no ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo e um múltiplo de disquetes flexíveis, além de uma série de seis fotografias, já apresentadas no Instituto Ling, em Porto Alegre, editadas e inéditas no Recife. 
 
Na visão de Patrício, o valor de uma obra de arte não está na sua singularidade, mas sim na intenção artística. “A reprodução, ao meu ver, não implica na perda da ‘aura’ da obra de arte. Creio que a originalidade está presente nas obras múltiplas bem como as ideias que levaram o artista a produzí-las estão preservadas sem que isso implique na sua desvalorização”. Já Bruscky afirma diretamente: “O valor da obra de arte depende de cada um, é de acordo ao valor que dão a ela. Muita gente usa como decoração, outras usam com um valor mais significativo e de contemplação”.
 
Colecionismo
Para o idealizador Ricardo Lyra, o principal ponto positivo de trabalhar com Múltiplos é permitir que mais pessoas comecem suas coleções de arte pessoais, devido aos preços mais acessíveis. “A obra múltipla é o ponto de partida para o colecionismo e dá a quem está chegando a oportunidade de adquirir obras de artistas reconhecidos. O valor dos múltiplos é de grande importância quando se opta pela obra não única. Temos a missão de ampliar o mercado, propagar a arte e abrir oportunidades para novos colecionadores e apreciadores”, conta.
 
Enquanto se hospeda na CASACOR 2021, o projeto Número também pretende promover bate-papos com artistas e curadores, além de sediar lançamentos de livros. Os debates irão circundar os temas centrais da proposta do projeto, como o próprio conceito dos Múltiplos, consolidado na década de 60, mas nem sempre conhecido por todos, e o próprio fenômeno do colecionismo amador.
 
SERVIÇO:
Mostra Número - Edições de Múltiplos
Quando: até 5 de dezembro
Onde: Pavilhão externo do Shopping Recife
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