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ARTES PLÁSTICAS

Exposição inaugura novos rumos da Oficina Brennand em seu 50º aniversário

Publicado em: 23/11/2021 19:32

A exposição 'Devolver a terra à pedra que era' está aberta para visitação (Rômulo Chico/Esp.DP)
A exposição 'Devolver a terra à pedra que era' está aberta para visitação (Rômulo Chico/Esp.DP)
Em setembro de 2019, os rumos da Oficina Brennand passaram por uma mudança significativa em suas atividades ao se tornar um instituto sem fins lucrativos, com objetivo de integrar ainda mais o espaço enquanto uma parte viva e pública do Recife. Três meses depois, veio a triste partida do homem que, além de ter se tornado um dos mais imortais nomes da história das artes plásticas brasileiras, responsável também por reconfigurar a paisagem da cidade a partir de suas propostas estéticas, também transformou as ruínas de uma velha olaria fabril no bairro da Várzea em um dos principais parques artísticos do país. Mas quando Francisco Brennand faleceu naquele dezembro, as diretrizes que nortearão seu lar artístico já estavam bem consolidadas em direção à constante abertura de seus portões para seu entorno e para a arte brasileira como um todo, abrigando e fomentando.

Chegando neste novembro de 2021, completam-se 50 anos do dia em que Francisco que aquele espaço abraçado pela mata atlântica seria o nascedouro de sua arte dali em diante. Celebrando a data e inaugurando de vez este novo momento, a Oficina realiza a exposição Devolver a terra à pedra que era, aberta ao público desde o último domingo. A iniciativa ocupa o espaço Accademia da Oficina com importantes e instigantes obras de Brennand, das peças de cerâmica permeadas por seus temas recorrentes, passando estudos em pinturas, desenhos, além de uma série de peças historiográficas que perpassam, ao mesmo tempo, o contar de sua história e as relações híbridas que suas peças estabelecem entre si. 

“É a nossa primeira grande exposição depois da transformação da Oficina em instituto sem fins lucrativos e da morte de Francisco. Ela vem em um momento muito especial e simbólico, que celebra a trajetória não só dele, mas da oficina, de seus colaboradores, da coletividade que é parte fundamental da história desse lugar, além desse foco da conexão dele e de sua arte com a natureza”, afirma Marianna Brennand, presidente da Oficina. A exposição está articulada em três eixos: natureza, território e cosmologias, que não se tratam de divisões do espaço, uma vez que estão organizados dentro de uma lógica de hibridização.  A curadoria foi realizada por Júlia Rebouças e pela venezuelana Julieta González.
 
 (Rômulo Chico/Esp.DP)
Rômulo Chico/Esp.DP
 

Mesmo propondo contar a história da trajetória do espaço e de seu criador, a exposição não segue uma lógica linear para isso, mas de fazer as obras conversarem de forma fluída e pautada na versatilidade de formas e temas de Brennand. “É tentador em uam efeméride como essa traçar uma linha do tempo ou uma retrospectiva, com um arco histórico. Mas tentamos escapar da rigidez dessa estrutura de uma história linear. Propomos mergulhar na obra de Brennand a partir de perspectivas pouco vistas e que mostre um artista livre, que trabalhava com muitas linguagens, pintura, desenho, tapeçaria, murais, grandes instalações, desenhos, gravura”, explica a curadora Júlia Rebouças. 

Para ilustrar esse desejo, logo na entrada o público se depara com diversos quadros da série Amazônica, iniciada por Brennand nos anos 1960 e que, pela primeira vez, estão reunidas em conjunto em uma exposição, vindo de acervos de diversos colecionadores. Na outra lateral do espaço, há diversas peças que avivam a memória das parcerias de Brennand e de sua influência na paisagem do Recife. Por lá estão ilustrações de Francisco que são da mesma série das que foram usada por Paulo Freire no projeto de alfabetização de Angicos, assim como croquis de figurinos que foram utilizados na filmagem de A Compadecida, adaptação da peça do amigo Ariano Suassuna, além de esboços de projetos que hoje ocupam diversos espaços da cidade.
 
 (Rômulo Chico/Esp.DP)
Rômulo Chico/Esp.DP
 

“Trazer obras das galerias permanentes para a Accademia significa realizar uma recontextualização do trabalho em relação a outras obras de Brennand e um discurso que se constrói ao redor dele. Muitas das esculturas que estão nas ilhas centrais da exposição, com frutos, flores e animais, estão colocadas de uma forma como nunca se viu, ao lado da história da série Amazônica. Fala dessa missão de Brennand de ser natural e híbrido, como é a obra dele, como esse diálogo interespécies. É um trabalho de renovar essa leitura das obras, com o público podendo vê-las a partir dessa nova perspectiva”, elabora Julieta González sobre a configuração espacial da exposição e como as obras que ocupavam espaços tão diferentes pelo mundo agora ocupam um mesmo lugar. 

Durante o último ano, a Oficina abrigou residências artísticas e começou seus trabalhos enquanto instituto. Mas a exposição acaba por inaugurar de fato este novo momento e dar uma excelente prévia do que serão os próximos anos do espaço, aliando a memória e o futuro. “Eu gosto de pensar na Oficina não só como um espaço de preservação da obra de Brennand, mas também de difusão artística, de transformação e educação, se aproximando ainda mais de outros artistas e assumir esse caráter público. Nosso plano é que ela seja essa referência artística para o Brasil e para o mundo, mas que também tenha uma presença transformadora em seu entorno”, conclui Marianna Brennand. A exposição ficará aberta por um ano e as visitações podem ser feitas de terça a domingo, das 10h às 18h. 
 
 (Rômulo Chico/Esp.DP)
Rômulo Chico/Esp.DP
 

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