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Crítica: 'Casa Gucci' tem o estilo de uma loja de departamento

Publicado em: 25/11/2021 17:32 | Atualizado em: 25/11/2021 17:45

 (Foto: Universal Pictures/Divulgação)
Foto: Universal Pictures/Divulgação
Uma história real de crime e cobiça, um diretor renomado, um elenco estrelar e ainda a presença da diva Lady Gaga; todos os fatores ajudaram a levar as expectativas para o lançamento de Casa Gucci nas alturas. Com estreia nesta quinta-feira (25), uma das grandes apostas da MGM para a temporada de premiações não entrega todo o potencial da trama que o seu universo da alta costura prometia. No lugar, o resultado é um filme que se assemelha mais com uma loja de departamentos: grande, sem foco e sem estilo próprio.

Adaptado do livro House of Gucci de Sara Gay Forden, o filme conta a história real das intrigas da família Gucci, dona de uma renomada grife de roupas, ao longo de três décadas. Após resistência da família, Maurizio Gucci (Adam Driver) se casa com Patrizia Reggiani (Lady Gaga), que passa a testemunhar os conflitos de interesse e poder por trás da marca. Ao mesmo tempo em que o casamento vai se desgastando, Patrizia se envolve cada vez mais com os negócios da Gucci, levando à derradeira encomenda do assassinato do seu marido em 1995, pela qual ela foi condenada a 29 anos de prisão.

2021 é com certeza um ano turbulento para o diretor britânico Ridley Scott, responsável por dois grandes lançamentos em um período de pouco mais de um mês. Apesar dos elogios, a pouca divulgação transformou O Último Duelo em um fracasso de bilheteria. A grande aposta então ficou com Casa Gucci, devido ao forte apelo provocado por seu casal de protagonistas. Driver incorpora o herdeiro Maurizio com uma ingenuidade quase infantil e cativante, enquanto que Gaga fica responsável por equilibrar a empatia do público em ver uma “plebeia” ascender socialmente e a desconfiança gerada pelas acusações de interesse e manipulação da figura histórica. Para os que ainda não admitiam, Lady Gaga sana completamente as dúvidas se suas empreitadas na atuação eram apenas delírios de uma cantora. Ainda que se coloque no patamar de dividir e roubar a cena com grandes atores veteranos, uma indicação, ou vitória, no Oscar seria ainda muito mais pelo marketing atrelado ao seu papel.

O restante do elenco, apesar de sotaques que levam tempo para se acostumar, estão de acordo com uma mesma unidade. Os veteranos Al Pacino e Jeremy Irons entregam atuações sólidas como sempre, Salma Hayek traz uma personagem dispensável e deslocada da trama, enquanto Jared Leto, embaixo de um impressionante trabalho de maquiagem, é o ponto mais fora da curva no quesito expansividade e humor.

 (Foto: Universal Pictures/Divulgação)
Foto: Universal Pictures/Divulgação

Por mais que as atuações soem caricatas, tal escolha condiz com o estilo camp proposto na direção, ou seja, brega e exagerado - não necessariamente no mau sentido. Ao passo que a caricatura serve para ridicularizar a futilidade dessas figuras e ambientes da alta sociedade, o filme não parece se manter fiel a uma só proposta de encenação. O problema reside na instabilidade na qual esse tom caricato e o tom solene se alternam. Assim, o longa traz uma infinidade de punchlines bem óbvios, mas que ninguém sabe se deve rir por toda a vestimenta de drama que a circunda.

Outra inconsistência está no ritmo dado e no foco para cada arco da trama. Existe uma história de amor, uma de conflito familiar e uma de crime, mas elas são divididas de forma irregular, tornando as já longas 2h38min de duração em uma experiência ainda mais extensa. Os pontos de virada conseguem ser interligados de forma causal, mas não existe uma boa localização no espaço e no tempo para contar a história de forma precisa.

Quando finalmente chega o arco do crime sob qual boa parte da divulgação e do interesse do público se construiu, ele acontece de forma apressada, relegado aos últimos minutos de filmes. Não há qualquer desdobramento dramático do assassinato que não seja os típicos telões com os desfechos de cada personagem, comuns em filmes baseados em fatos reais. Se a introdução foi muito eficaz em criar empatia pelo casal, a subsequente mudança de protagonismo para a perspectiva do Maurizio e o acompanhamento das questões da marca em detrimento da história pessoal dos dois fazem com que suas atitudes finais sejam incompreensíveis e até mesmo risíveis.

Contudo, Casa Gucci não chega a ser de fato um fracasso. Devido ao carisma dos seus intérpretes e às várias questões levantadas sobre fidelidade, sucesso, mercado e família, o filme ainda consegue engajar o público no desenrolar dos embates. A questão é que tudo presente no filme, narrativa ou esteticamente, já foi feito antes, o que torna a obra convencional e esquecível. Casa Gucci não chega a ser uma falsificação da sua própria narrativa, mas é quase uma cópia barata (de caro orçamento), um desses dramas de true crime que você pode encontrar igual em qualquer esquina ou cinema.

Confira o trailer abaixo:

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