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MÚSICA

Série conta história de ritmos pernambucanos no YouTube

Publicado em: 13/10/2021 12:08

O professor Mateus Melo investiga as origens de gêneros como maracatu, frevo, samba de coco e manguebeat (Foto: Divulgação)
O professor Mateus Melo investiga as origens de gêneros como maracatu, frevo, samba de coco e manguebeat (Foto: Divulgação)
A vontade de falar sobre a música do estado e democratizar os conhecimentos sobre história inspiraram o historiador pernambucano Mateus Melo a idealizar a série Esse som é massa: uma história ritmada de Pernambuco. Disponível no canal Mateus Melo - História, no YouTube, o projeto conta com quatro episódios de 30 minutos, em média, contando as histórias do maracatu, frevo, samba de coco e manguebeat. O último episódio da temporada abordará o brega. Além dos capítulos mais extensos, existem trechos menores, extraídos da produção desses conteúdos, com falas de entrevistados sobre assuntos específicos de cada tema.
 
O projeto contou com incentivo da Lei Aldir Blanc e foi exibido na TV Pernambuco. “São ritmos e sons que cresci ouvindo, dançando e cantando. São cores e letras que fazem parte da minha história e aposto que de muitos pernambucanos”, diz Mateus Melo, graduado e mestre pela UFPE e doutorando pela University of New Mexico, nos EUA. “Alguns têm semelhanças com outros estados. A ideia não é isolar Pernambuco do Brasil ou do mundo. Pelo contrário: é mostrar como a música do seu lugar pode falar bastante sobre as pessoas que vivem nessas terras.”
 
Mateus afirma que, desde o início da graduação em história, se incomodou diante de algumas questões no repasse das informações. “No começo do mestrado, fiquei um pouco frustrado, porque a gente escreve muito na dissertação e, quando terminei, me perguntei quem iria ler de fato aquilo. A real é que só outros historiadores e pesquisadores é que vão ler”, explica.
 
“Ao mesmo tempo, comecei a conhecer mais sobre a história pública, que é uma tentativa da gente conectar o estudo da história, a parte mais academia, com a vida real. Afinal, a história é um tema público. Toda a nossa cultura é produzida por conta de algum trajeto no tempo. Eu comecei a me perguntar como iria fazer com que a história se conectasse com as pessoas comuns. Isso é fundamental, tendo em vista que vivemos numa ‘ciber society’. Os smartphones tomaram conta das nossas vidas”.
 
 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
 
Em 2020, com o início da pandemia, o doutorado do historiador nos EUA foi adiado em um ano. No segundo dia do lockdown, surgiu a ideia para o canal no YouTube. “Comecei a estudar sobre edição, fotografia, iluminação e fiz uma curadoria para tentar conectar várias colunas no canal”, diz. As descrições dos vídeos contam com vastas referências de livros, textos e outros materiais audiovisuais para o espectador se aprofundar.
 
Esse som é massa surgiu dentro do canal quando os editais da LAB foram criados. Atualmente, o projeto está desdobrando o tema do manguebeat com vídeos que trazem nomes como Paulo André, Roger de Renor, Gilmar Bola 8 e Issar. “Pernambuco voltou a falar para o mundo, e gerações diferentes de artistas dos mais diversos campos enfiaram os pés na lama e passaram a expressar sua arte com um alcance incomparável. O manguebeat não foi o motor dessa proliferação artística, mas talvez tenha sido a peça fundamental para destravar um estado que estava adormecido", descreve Mateus.
 
A iniciativa também se destaca entre muitos canais e páginas sobre história que não são mantidas por historiadores na internet. “Não necessariamente é preciso ser formado em história para contar a história, mas eu senti uma certa defasagem em relação à falta de debate, de aprofundamento e cruzamentos de fontes. São coisas que aprendemos na graduação. Por outro lado, trabalhar história na academia pode ser chato. A gente escreve artigo, não livro. Por isso os livros de história mais vendidos são de jornalistas. No canal, tento chegar nas pessoas. A gente tem que narrar e interpretar para mais pessoas e sair dos muros da academia”, diz. “Enquanto a gente continuar escrevendo para si mesmo, vamos continuar vendo pessoas achando que a escravidão não foi violenta ou que o holocausto não existiu. Os dados sobre como as pessoas enxergam a história são absurdos. Essa geração nova de historiadores vêm se questionando sobre isso.”
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