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MÚSICA

'Passou pela Anvisa, eu tô tomando!', diz Alceu Valença sobre vacinas. Confira a entrevista

Publicado em: 02/10/2021 08:00 | Atualizado em: 02/10/2021 15:43

 (Foto: Leo Aversa/Divulgação)
Foto: Leo Aversa/Divulgação

Após longos meses de confinamento no Rio de Janeiro, que renderam quatro álbuns de voz e violão (dois ainda vão ser lançados), Alceu Valença está de volta aos palcos de Pernambuco. O show da turnê Anunciação - Tu vens, eu já escuto os teus sinais será realizado neste sábado (2), a partir das 21h, no Classic Hall, em Olinda. Seguindo os novos protocolos de convivência do estado, o retorno gradual foi possibilitado pelo avanço da vacinação em massa, como o próprio Alceu reforça, em entrevista ao Viver: "Eu tomei duas doses da Coronavac e mais uma de reforço da Pfizer. Sempre me posicionei a favor das vacinas, fosse de Oxford, da América do Norte, da China ou da Cochinchina… Passou pela Anvisa, eu tô tomando!", brinca.

A nova turnê teve uma prévia em Brasília, no último dia 11, e estreou em São Paulo no sábado passado. O cantor faz uma viagem pelas diferentes vertentes e facetas da sua obra: o Alceu interiorano dos forrós, baiões, xotes e toadas (com canções autorais e clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro), ao Alceu do litoral, com hinos do carnaval pernambucano: Tropicana, La Belle de jour, que está próxima dos 200 milhões de visualizações no YouTube, e Anunciação, canção queridinha dos nordestinos do BBB 21.

Alceu estará acompanhado de Tovinho (teclados), André Julião (sanfona), Nando Barreto (baixo), Cássio Cunha (bateria) e Leo Lira (guitarra), que já substituia Paulo Rafael, falecido em agosto, quando o músico estava viajando com a Ave Sangria. Em entrevista por telefone, Alceu falou sobre o profundo luto que vem vivendo após a perda do amigo, a repercussão dos álbuns da pandemia, a vacinação, o carnaval de 2022, futuros shows na Europa, dentre outros assuntos relacionados à atual turnê.

Entrevista - Alceu Valença

Como você se sente ao retornar aos palcos?
Eu adoro o palco. O palco para mim é vitamina, energia, um espaço de muita alegria. Então o retorno foi uma maravilha. O show no Espaço das Américas, em São Paulo, foi maravilhoso. Já temos dois shows agendados aqui no Rio de Janeiro. Evidentemente as pessoas devem estar vacinadas. Esse é um protocolo que os governos, como o de Pernambuco, colocaram. Eu gostei muito.

Essa é a sua primeira vinda a Pernambuco após o isolamento no Rio?
Eu fui uma vez antes desse show e foi muito bom, inclusive porque tomei a terceira dose aí. A Prefeitura daí está ótima, inclusive, em relação à vacinação. Eu fui também para olhar o andamento da Casa Estação da Luz, em Olinda, que será um centro de cultura com cinema e uma exposição permanente sobre a minha carreira. Na programação teremos oficinas de frevo, maracatu, coco, noite dos candeeiros e do forró, eventos de música, moda, gastronomia e dança, além de projetos sociais como o Aurora de Estrelas. Quem está mais à frente disso é Yanê, minha esposa.

Como chegou no repertório da atual turnê de retomada dos shows?
O show vai mostrar vários Alceus Valenças. Eu sou nascido de São Bento do Una, então gosto muito de forró, sabe? Por isso temos Luiz Gonzaga. Quando eu canto no São João, não canto como no carnaval, mas também terá uma parte de carnaval, com muitas músicas de sucesso. Esse show fez um sucesso incrível lá em São Paulo. Inclusive, nós apresentamos muitas músicas que fizeram as pessoas relembrarem o Bloco Bicho Maluco Beleza, que desfila todo carnaval no Ibirapuera.

Como você percebeu a repercussão dos seus álbuns da pandemia: Sem Pensar no Amanhã e Saudade?
A repercussão foi ótima em tudo que é canto. Primeiro eu fiz três álbuns, depois fiz mais um. Eu, inclusive, já tenho um novo show preparado só com voz e violão. As pessoas gostaram tanto que estou indo em janeiro fazer 10 shows em Portugal nesse formato. E também já tenho outros 14 shows marcados para julho, porém com banda. Esse que vocês vão ver no Classic Hall também é um show que nunca apresentei. Depois eu posso ver algo de voz e violão por aqui, já até me chamaram. Por enquanto seguimos com esse de agora.

Você tem esperança de que tenhamos carnaval em 2022?
Acho que isso dependerá da vacinação. Se a maioria da população estiver vacinada, acho que talvez. Mas não sei como. Shows abertos assim, na rua, não sei se vai acontecer. Quando estávamos no Espaço das Américas, as pessoas tinham de apresentar um registro de que tinham tomado a vacina, assim como será no Classic Hall. Da minha parte, eu sempre disse que acreditei na ciência. Tem gente que se recusa. Vocês olha pros Estados Unidos, por exemplo, e muita gente não quer tomar. O governo está pagando para que as pessoas tomem. Um absurdo. Sempre me posicionei a favor da vacina. Eu mesmo tomei duas doses da Coronavac e mais uma de reforço da Pfizer. Fosse de Oxford, da América do Norte, da China ou da Cochinchina… Passou pela Anvisa, eu tô tomando!

Nesse tempo da pandemia, você perdeu um grande amigo e parceiro de carreira, o Paulo Rafael. Como está lidando com isso?
Paulinho foi um cabra de Caruaru que conheci por acaso, andando nas ruas do Recife. Ele falou comigo, naquela época eu só tinha um disco lançado. Dois dias depois, eu estava na Ladeira de Misericórdia da noite, e o encontrei tocando violão. [...] Tempos depois, quando já tínhamos nos apresentado no Abertura - Festival da Nova Música, da TV Globo, o chamei para um show no Rio e ele começou a tocar guitarra. Eu disse: ‘Vamos por aqui, Paulo de Caruaru. Vamos nos lembrar muito do nosso Nordeste. Você se lembra das músicas do Sertão, do Agreste'. Paulinho enveredou nesse caminho e aí a guitarra dele se tornou diferente de quase todo mundo. Era uma parceria da porra que tínhamos. Nós nos entendíamos muito musicalmente. Ele participou de 99% das minhas músicas. Foram 46 anos de amizade e nunca tivemos uma briga, um problema. Um irmão. O meu luto é muito grande. Tô passando por uma tristeza profunda. É como alguém da família. É muito difícil, mas temos de entender a transitoriedade da própria vida. Quantas pessoas se vão, né? Mas elas ficam ligadas na gente, é cruel demais.

E como está sendo voltar aos palcos sem ele?
Paulinho estará presente no show porque ele deixou uma marca. O solo dele continua, entende? A marca está ali. Então pronto, ótimo. O menino que está tocando guitarra é o Léo Lira, que já tinha substituído Paulinho às vezes, quando ele saía para tocar no Ave Sangria. Ele indicou esse rapaz antes mesmo de estar doente, e foi Léo que assumiu nas lives, por exemplo. Foi um grande amigo e sócio de Paulinho num estúdio aqui no Rio. Um cara que é da turma, maravilha. Com Paulo eu poderia estar onde fosse, estávamos juntos viajando em nome da arte. Ele era um irmão, um amigo da arte. Uma pessoa que, como eu, não se vendeu. Eu não me vendo. Faço o que quero, do jeito que quero e adoro quem tem personalidade. E ele tinha.

SERVIÇO
Show Anunciação - Tu vens, eu já escuto os teus sinais
Onde: Classic Hall (Av. Agamenon Magalhães, s/n, Olinda)
Quando: neste sábado (2), a partir das  21h
Quanto: R$ 600 (Mesa setor 2 - 4 pessoas), R$ 800 (Mesa Setor 1 - 4 pessoas), R$ 1000 (Mesa Premium - 4 pessoas), R$ 1600 (camarote para 8 pessoas – piso 2), R$ 2000 (camarote para 8 pessoas – piso 1), R$ 140 (cadeira), R$ 70 (cadeia meia), $ 80+ 2kg de alimentos não perecíveis (cadeira solidária)
Mais informações: 3427.7501
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