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Crítica: Novo 'Venom' joga com a ideia do 'filme de boneco'

Publicado em: 07/10/2021 15:30

'Venom: Tempo de Carnificina' estreia nesta quinta nos cinemas (Sony Pictures/Divulgação)
'Venom: Tempo de Carnificina' estreia nesta quinta nos cinemas (Sony Pictures/Divulgação)
Dentro do cronograma de retorno gradual dos blockbusters às salas de cinema do país, esta semana é a vez Venom: Tempo de Carnificina, continuação do longa de 2018 focado no personagem-título, vilão não dos mais velhos, mas clássico das histórias do Homem-Aranha.
 
Em um cenário de uma indústria que produziu dezenas de filmes de super-heróis nos últimos 20 anos anos, é bastante sintomático que uma obra sobre um personagem quase que secundário chegue à uma continuação, em especial após um enorme retorno mercadológico de seu predecessor. E mais curioso ainda é que este novo Venom pareça ter uma certa consciência disso, como se reconhecesse ser uma uma espécie de sopa feita com os ossos da cultura pop, extraindo um sabor até agradável dessa receita ao incorporar o ridículo da coisa em seu tempero.

Em um fio de trama, o filme se volta às investigações do jornalista Eddie Brock (Tom Hardy), que por sua vez continua a dividir o corpo com o simbionte alienígena que dá nome ao longa. A relação possui os mesmos conflitos de um casal que habita o mesmo lar, com o detalhe que uma das partes possui uma fome voraz por carne humana e sua grotesca e poderosa forma física só habita o mundo engolindo o corpo do outro. Os problemas dessa vida acabam aumentando quando uma parte desse simbionte acaba por tomar o corpo de um assassino em série condenado à morte que coloca na cabeça que precisa se vingar do jornalista que tentava desvendar mais de seus crimes. 

É interessante como esse conflito conjugal entre o terráqueo e o alienígena parece conversar de alguma forma com um aspecto meta-fílmico que permeia o cinema de super-herói, em especial ao considerarmos a alcunha de “filme de boneco” que o gênero possui no Brasil, e do blockbuster contemporâneo como um todo. É justamente essa relação entre o real e o digital, o ator e o personagem gerado por computação gráfica, a locação e o chroma key, dualidades que vem sendo debatidas mais intensamente pela cinefilia das últimas duas décadas. Não que Venom proponha alguma resposta a qualquer debate, mas é interessante como ele, de certa forma, o incorpora no filme, fazendo de seu maior conflito o embate e coexistência entre o boneco e o homem no blockbuster contemporâneo. (CONTINUA APÓS VÍDEO)
 

É igualmente sintomático, por exemplo, que a direção do filme seja do ator Andy Serkis, que têm seus papéis de maior prestígio justamente nessa fusão entre o boneco e o homem, ao dar vida ao Gollum do Senhor dos Anéis, ao macaco Cesar do reboot de Planeta dos Macacos ou ao líder supremo Snoke, da última trilogia da franquia Star Wars. Serkis vive na pele os impasses, as contradições e o debate sobre o uso da computação gráfica na criação de personagens. Já chegou até a dar uma controversa declaração, afirmando que ao viver tais personagens, o trabalho artístico era inteiramente seu, cabendo aos técnicos de animação apenas colocar uma roupagem por cima. Agora, enquanto diretor, acaba transferindo dramaticamente, por meio de uma verve mais cômica e absurda, em certo grau, essa vivência dentro do filme.

Não que Venom seja um filme empolgante enquanto um blockbuster de super-herói por conta dessa consciência. É genérico em termos de encenação da ação, construção de tensão e clima, como seu predecessor. Até mesmo suas intenções mais cômicas batem de frente com uma falta de habilidade de Tom Hardy para a coisa. Mas, ao mesmo tempo, parece absorver de uma forma inventiva uma certa saturação do segmento a partir do deboche e do abraço ao ridículo da coisa. Nesse sentido, é até mais interessante enquanto um comentário sobre o gênero do que outros obras que possuem uma pretensão de fazer isso, como Deadpool ou a série The Boys, justamente por não se propor com tanta ambição a isso, mas acaba por fazê-lo sem grandes compromissos. 

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