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CRÍTICA

Suk Suk: Um Amor em Segredo cria tempo próprio para romance entre homens idosos

Publicado em: 30/09/2021 19:01

SUK SUK estreia nesta quinta-feira nos Cinemas da Fundação Joaquim Nabuco (DIVULGAÇÃO)
SUK SUK estreia nesta quinta-feira nos Cinemas da Fundação Joaquim Nabuco (DIVULGAÇÃO)
Após sua estréia no Festival de Berlim de 2020, o longa de Hong Kong Suk Suk: Um Amor em Segredo chega ao Recife, estreando na programação do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco nesta quinta-feira. Dirigido por Ray Yeung, o filme, por mais que seu título em português diga o contrário, projeta uma história de amor que consegue, ao mesmo tempo, se desdobrar à plena vista e também dentro do território da sugestão, do latente, colocando seus amantes para habitar uma ambiguidade tão única, com tempos e formas de se preocupar com essa relação muito próprios.

É o encontro de dois idosos, o taxista Park e o aposentado Hoi, já com filhos e netos em casa, que se encontram na rua, trocam algumas poucas palavras e decidem viver uma história de amor juntos, construindo um relacionamento que precisa se equilibrar entre viver os preciosos e intensos momentos que passam juntos e continuar a vida com as famílias que construíram ao longo dos anos. 

E por mais que o cenário seja propício para um melodrama de revelações, aceitação e grandes embates em nome de um “amor proibido”, Yeung prefere conduzi-lo por um outro caminho, que abdica da pressa e prefere fazer com que seus amantes apenas sejam maculados pela sugestão desses possíveis conflitos, enquanto seguem seus encontros e suas conversas da forma mais plena que podem. É uma história de amor que não é pautada pelas opressões que podem surgir dela. Claro que há uma moralismo que acaba permeando as angústias do casa, mas ele nunca transforma essa relação em uma corrida contra o tempo para ser plena. Ela já é, dentro das possibilidades que encontra. (CONTINUA APÓS TRAILER)
 
 

Por isso que a Hong Kong que eles habitam é filmada de forma bem aberta, tanto nas ruas movimentadas, como nos apertos da salas dos lares. A maior parte do que é visto no filme não está dentro de uma fragmentação, um close em algum elemento para denotar preocupação ou a ênfase em algo mais escondido. Vemos as dinâmicas dos espaços em profundidade, todos os participantes de uma mesa de jantar ao mesmo tempo ou o vai e vem de uma sala de estar, assim como também as localidades que talvez carreguem o rótulo do escondido, como uma sauna em que outros homens se encontram, filmadas com a mesma abertura e leveza das mesa de jantares.

Então, não só o espaço não é fragmentado, assim como também o tempo não é. Com planos mais longos, é possível se apreciar momentos de afetos de uma forma mais orgânica, que respeita os silêncios e a duração dos toques e do erotismo com ternura. É como se a escassez desses encontros e a possibilidade de um fim obrigasse a câmera a não desperdiçar o ritmo próprio que esse romance encontrou para existir, abraçando as banalidades, pois até elas também estão sempre dentro de uma aura de raridade e finitude, mas por sugestão, não por uma imposição do filme, que se nega incorporar qualquer senso de urgência para dar conta dessa narrativa. 

Suk Suk não propõe mundos em oposição, um escondido e outro que pode ser visto, mas uma conjunção desses dois, tangenciados claro por discussões políticas e morais em relação ao amor desses dois homens, mas sem nunca entrar de fato em choque frontal com esse romance, por mais que suas existências sejam fonte de uma certa angústia. Ele abraça uma postura sincera por parte desse casal, que não nega as contradições e ambiguidades que estão ao redor, mas as incorporam do jeito que podem, abdicando de algumas coisas para conseguir plenitude em outras. 

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