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MEMORIAL

Pesquisador Jeder Janotti lança Memorial de Antiajuda Acadêmica

Publicado em: 02/09/2021 10:30

O livro une sua trajetória acadêmica com a paixão pela música, especialmente o rock (Foto: Divulgação)
O livro une sua trajetória acadêmica com a paixão pela música, especialmente o rock (Foto: Divulgação)
A defesa de memorial para professor titular vem de uma longa tradição acadêmica, na qual o pesquisador deve resumir em uma publicação sua trajetória e contribuições para este meio. O procedimento, porém, pode se tornar também espaço para surgimento de novas obras e reflexões quando se leva em conta a inseparabilidade entre as jornadas acadêmicas e pessoais. Esse é o caso do livro Memorial de Antiajuda Acadêmica, escrito por Jeder Janotti Junior, Professor Titular do Departamento de Comunicação Social da UFPE, que explora a simbiose de sua trajetória de pesquisa com sua paixão pela música. A publicação será lançada em um evento virtual, nesta quinta-feira (2), às 18h30, pelo canal de Youtube da UFPE, com a mediação do editor Rodrigo Acioli e presença do autor e da professora Bernadette Lyra.

Para atingir essa maior subjetividade, também explícita pela escrita do texto em primeira pessoa, o professor optou por fugir das típicas planilhas e da gramática normativa acadêmica. “As exigências deste documento são bem burocráticas com citações de números de publicações, orientações, etc. Decidi tentar uma viagem mais pessoal, extirpar dados e descrições chatas e pensar sobre a trajetória daquele garoto que sonhava em ser baterista de uma banda de heavy metal e que acabou Professor Titular”, explica ele.

Nascido em Vitória do Espírito Santo, Jeder teve seu primeiro contato com o heavy metal e a possibilidade de tocar um instrumento musical aos 14 anos. O livro narra desde a época do sonho juvenil de ser um rockeiro e viver de música, reflexo também da profusão sonora na época do primeiro Rock in Rio, até o momento em que ele apresenta a defesa do seu memorial de Professor Titular da Universidade Federal de Pernambuco em 2019, já firmado como um dos principais pesquisadores de música do país. Os episódios são contados em capítulos que levam como títulos trechos de clássicos do rock e da MPB, de Raul Seixas a Caetano Veloso.

A principal convicção do autor é a quebra dessa separação entre as vertentes da vida, assim como o fim da sociedade disciplinar, na qual ser professor acadêmico significaria uma dedicação exclusiva. Um reflexo dessa divisão aparece, inclusive, no primeiro contato de Jeder com discos de rock, quando uma tia sua casou-se e teve que abrir mão da coleção de discos dela por ser considerada superficial para a vida de uma mulher casada. Hoje, as esferas pública e privada se complementam, ao ponto dele reconhecer que existe um certo status cool (descolado) em ser um professor amante de heavy metal.

O Professor Titular pretende levar o livro "além do mundo, das paredes, das classes e dos laboratórios acadêmicos" (Foto: Arquivo Pessoal)
O Professor Titular pretende levar o livro "além do mundo, das paredes, das classes e dos laboratórios acadêmicos" (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu não acredito, ao menos nas ciências sociais, numa separação entre afetos positivos e práticas de pesquisa. O meu grande objetivo é ir além da ideia do conhecimento acadêmico para uma ideia de saber. E o saber envolve aprendizados em todas as esferas da vida, até mesmo tirando o conhecimento acadêmico dessa caixinha”, defende Janotti. Esse mote se relaciona diretamente com os conceitos que permeiam a linha de pesquisa do professor, como música popular massiva, gêneros musicais, territorialidades, cenas, entre outros.

Segundo ele, basta olhar para a história fonográfica brasileira para perceber que o rock e a música pop têm um papel de extrema importância na vivência do mundo e no debate de questões de gênero e raça, por exemplo. “Até porque é o que baliza boa parte das nossas vivências e construções de mundo. Além de gerir boa parte dos conflitos e questões de gosto que são bases do jornalismo cultural e da busca pelos espaços identitários. O rock ou a música pop têm uma influência não na dicotomia com o mundo acadêmico, mas talvez redimensionando essa ideia da própria objetividade e distanciamento do conhecimento”, afirma.

Em uma realidade de desmonte das universidades públicas e apreensão sobre o futuro da pesquisa no Brasil, o título acaba abrindo espaço para diversas interpretações. Além da ironia com a abundância de manuais de autoajuda recentes, Jeder revela que o nome da publicação veio da ideia de que “não existe modelo unificado, universal e único na carreira acadêmica, como boa parte dessa gramática tradicional e memorial nos faz crer''. Ainda torcendo para que seja um motivador, ele esclarece que o livro não pretende ser um guia de como se tornar um acadêmico, mas lembrar que “a trajetória também é feita dos respiros, dos traços pessoais e autobiográficos”, complementa.

SERVIÇO:
Lançamento do livro Memorial de Antiajuda Acadêmica, de Jeder Janotti
Quando: Nesta quinta-feira (2), às 18h30
Onde: Em live no canal de Youtube da UFPE
O livro pode ser comprado pelo site (https://bit.ly/3y9U8IK) ou diretamente com o autor pelo link: https://bit.ly/3ycPGst
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