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ESCULTURA

Escultor pernambucano Jaildo Marinho leva vazio do Sertão para Paris

Publicado em: 13/09/2021 09:20 | Atualizado em: 13/09/2021 09:28

Apesar de ter consolidado carreira em Paris, onde mora desde 1993, Jaildo ainda carrega influências de sua terra natal, Santa Maria da Boa Vista (Foto: Luciana Lombardi/Divulgação)
Apesar de ter consolidado carreira em Paris, onde mora desde 1993, Jaildo ainda carrega influências de sua terra natal, Santa Maria da Boa Vista (Foto: Luciana Lombardi/Divulgação)
Para compreender completamente um artista, é necessário voltar às suas origens, pois é na relação com o espaço e as vivências da juventude que se esconde muitas das influências por trás de suas obras. Um grande exemplo disso está na figura do artista plástico pernambucano Jaildo Marinho. Ainda que tenha consolidado carreira em Paris, onde mora e trabalha desde 1993, Jaildo carrega no seu fazer artístico, até, hoje marcas da cidade onde nasceu, Santa Maria da Boa Vista, no Sertão de Pernambuco.

Ainda adolescente, teve seu primeiro contato com a escultura num centro de estudo de gemas e minerais em 1982, no qual se encantou pela modelagem. Ao se mudar para o Recife, realizou um curso de escultura com o professor João Batista Queiroz na Universidade Federal de Pernambuco por três anos, de 1991 a 1993. Foi nesse último ano que surgiu a oportunidade de montar seu ateliê na capital francesa, a qual ele abraçou sem hesitar. "No início dos anos 90, as coisas no Brasil eram muito difíceis, e eu, muito jovem e vindo de uma cidade do interior, tive a oportunidade de ir para Paris. Lá tive sorte e trabalhei bastante, conseguindo consolidar minha carreira junto a outros grandes artistas, galerias e colecionadores", relembra Jaildo.

Após ser reconhecido com prêmios como a medalha de ouro no Festival de Mahares, na Tunísia, e o prêmio de escultura da Bienal de Malta, em 1999, ele se tornou professor no Ateliê de Escultura e Fundição da cidade de Paris. O sucesso na capital francesa também se deve pelo contato e troca de conhecimento com outros grandes artistas sul-americanos, como os venezuelanos Jesús Rafael Soto e Narciso Debourg, o pintor modernista brasileiro Cícero Dias e o artista uruguaio Carmelo Arden Quin, um dos fundadores do movimento MADI. Jaildo se envolveu tanto nesse movimento, que participou ativamente da criação do primeiro Museu MADI brasileiro, na cidade de Sobral, no Ceará.

Com o movimento, aprendeu a valorizar a abstração, as dimensões e a inventividade ao máximo. Contudo, as influências externas sempre se alinharam a algo que ele diz trazer da juventude no Sertão pernambucano, um lugar, segundo ele, marcado na época pelo vazio. "Era um lugar onde não tinha nada e onde não se movimentava nada, então acho que foi daí que surgiu essa ideia do vazio", afirma. Tal característica transparece na sua pintura e escultura, representada em quadros vazados e peças côncavas, 'esburacadas'. "No quadro, por exemplo, quando se cria o vazio, vemos o que está se passando por trás dele, em uma paisagem mudando a cada instante", explica o artista.

Quadros vazados e figuras côncavas são comuns no trabalho de Jaildo (Foto: Luciana Lombardi/Divulgação)
Quadros vazados e figuras côncavas são comuns no trabalho de Jaildo (Foto: Luciana Lombardi/Divulgação)


Já de Paris, Jaildo diz ter aprendido muito sobre a prática de viver desse ramo, sendo essa conhecida como a capital mundial da arte e da crítica. "Paris me ensinou muito sobre a história da arte, assim como a filosofia, o pensamento e o mercado internacional. Foi um leque de opções e de inspirações para desenvolver o meu trabalho, apesar da concorrência ser muito grande. Você precisa estar sempre atento e inovando para estar à frente, isso é muito importante", conta Marinho.

Atualmente, suas obras não apenas integram diversas exposições coletivas em cidades da América Latina, Europa, Ásia e Estados Unidos, mas também estão expostas em pontos turísticos da Cidade Luz, como nos jardins da Biblioteca Histórica de Paris e no Grand Palais Royal. A vontade agora é ter mais oportunidades de trazer o trabalho à sua terra natal, já que a última vez que Jaildo expôs em solo pernambucano foi em 2002, com uma mostra individual no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE). Segundo ele, um projeto já está sendo montado e discutido com Mário Hélio, da Fundação Joaquim Nabuco, e com a Universidade Católica. A expectativa é conseguir realizá-lo no final de 2022.

Com a alma regional e a técnica francesa, Jaildo diz não ver conflito entre os dois lados que compõem o seu fazer artístico. "A arte para mim não tem nacionalidade. Minha maneira de ver as coisas traz a minha origem, mas o mundo se abre para o artista e o artista se abre para o mundo", finaliza.
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