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Pernambucano Ayrton Montarroyos supera depressão com álbuns de MPB

Publicado em: 31/08/2021 09:04 | Atualizado em: 31/08/2021 09:04

O mais recente lançamento é o álbum 'Caetano Veloso além do Transa', com regravações do cantor baiano (Foto: Luan Cardoso/Divulgação)
O mais recente lançamento é o álbum 'Caetano Veloso além do Transa', com regravações do cantor baiano (Foto: Luan Cardoso/Divulgação)
Depois de ter vários shows cancelados por causa da pandemia, o cantor pernambucano Ayrton Montarroyos viu nas lives um recurso para sobreviver – inclusive à depressão. Foi então que teve a ideia de fazer registros, agora com o apoio da gravadora Biscoito Fino, contando histórias sobre compositores e intérpretes da música brasileira. Lançado recentemente, Caetano Veloso além do 'Transa' traz oito faixas do autor baiano – entre elas, duas parcerias: Onde andarás, com Ferreira Gullar, e Clarice, com Capinan.
 
LADO B 
O primeiro critério para formar o repertório foi escolher canções que Montarroyos já conhecia. “É mais um lado B do Caetano. Pensei: já conhecia Motriz, embora não soubesse a letra decorada. Motriz é lindíssima, Clarice, que tem uma letra imensa, também é”, comenta o cantor.
 
O outro critério foi adequar o projeto a um tema. “O Caetano além do Transa era uma piada com as pessoas que falam que ele só fez um disco na vida, o Transa. Pensei, então, em cantar músicas que não estão nesse álbum”, revela o artista.
 
O cantor pernambucano, de 26 anos, já realizou edições do projeto dedicadas a Dona Ivone Lara e Lupicínio Rodrigues. Ele se tornou conhecido nacionalmente em 2015, após participar do programa The voice Brasil, da TV Globo.
 
O desejo de trabalhar sobre a obra de Caetano veio de uma live em que cantou músicas menos conhecidas do baiano. Em seus shows on-line, ele vem sendo acompanhado pelos músicos João Camarero, Cainã Cavalcanti e Edmilson Capelupi.
 
O novo trabalho entusiasma o jovem artista, que chegou a enfrentar a depressão em 2020, quando a pandemia o fez cancelar todos os shows. “Estava com a agenda cheia até dezembro. Foram todos, sem exceção, desmarcados. Aquilo foi um baque muito grande, pois eu havia acabado de comprar o meu primeiro apartamento com o dinheiro do meu trabalho, com a música”, relembra. “Não sou de família rica e trabalho com teatro para um público pequeno, cantando o que gosto. Então, conseguir pagar as contas, viver dignamente no Brasil neste século é um privilégio.”
 
Foi preciso fazer análise e seguir sob acompanhamento psiquiátrico. Quando o produtor de Montarroyos, Thiago Marques, percebeu a situação, veio dele a proposta de lives dedicadas a grandes nomes da música, ainda em 2020. “Você vai para um estúdio, chamamos um violonista e uma equipe reduzida. É só pegarmos um estúdio que tenha vários aquários e cada músico fica em um deles. Toda semana faremos uma live”, propôs Marques.
 
Deu certo. “Eu cantava músicas de grandes compositores. Só que, no meio disso, comecei a contar histórias de algumas delas, porque convivendo com músicos, pesquisando e lendo, aprendi muito. Já li livros de José Ramos Tinhorão, Ruy Castro e Renato Vieira, entre outros”, revela Ayrton.
 
HISTÓRIA 
No início, eram 300 pessoas assistindo aos shows ao vivo, depois o público chegou a 4 mil. “Isso por semana, era algo fantástico”, relembra Montarroyos. Dorival Caymmi, Noel Rosa e Luiz Gonzaga fizeram parte do projeto dele. “Juntei os três para falar da história do Brasil do meio do século 20.”
 
Quando o patrocínio do projeto chegou ao fim, 5 mil pessoas acompanhavam as lives do pernambucano. O produtor Thiago Marques entrou em contato com a Biscoito Fino, que abraçou a ideia.
 
“Embora seja jovem, Ayrton tem um público que gosta da música brasileira tradicional e dos grandes compositores. São leituras que trazem o frescor de um cantor de 20 e poucos anos para músicas de décadas passadas”, comenta Marques.
 
“Chamei grandes instrumentistas para me acompanhar a cada semana. Então, falei de Lupicínio Rodrigues, Dona Ivone Lara e Caetano, cujo disco está sendo lançado agora. Fizemos cinco registros e foi muito bom, porque isso me tirou da depressão”, conclui Ayrton Montarroyos.
 
Confira a versão de Clarice:
 

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