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LANÇAMENTO

Museu do Estado de Pernambuco celebra 90 anos com exposição e livro

Publicado em: 26/08/2021 09:36

 (Foto: Cepe/Divulgação)
Foto: Cepe/Divulgação

Em tempos de grandes transformações tecnológicas, comunicacionais e sociais, mais do que nunca os museus precisam ser vistos como espaços que resgatam o passado para entender o presente e criar soluções para o futuro. Gilberto Freyre gostava de trabalhar com um conceito de “tempo tríbio”, que, num breve resumo, tentava ressaltar como passado, presente e futuro articulam-se e influenciam-se mutuamente. O pensamento dá título às principais ações de comemoração dos 90 anos do Museu do Estado de Pernambuco, localizado na Avenida Rui Barbosa, Zona Norte do Recife, e inaugurado em 7 de setembro de 1930 - inicialmente numa cúpula do Palácio da Justiça.

A exposição Tempo tríbio - Museu do Estado de Pernambuco: 1930-2020, com curadoria do antropólogo Raul Lody e da historiadora Maria Eduarda Marques, terá evento de inauguração nesta quinta-feira (26), das 19h às 22h, quando também será lançado o livro de mesmo título, editado pela Cepe e organizado pelo jornalista, escritor e crítico Júlio Cavani.

A mostra é dividida em três partes, com linhas temporais: política, cultural e histórica. O público verá obras de artistas como Telles Júnior, primeiro a ser exibido na instituição, até Gil Vicente, Lana Bandeira, Paulo Bruscky e contemporâneos como Rodrigo Braga e Lourival Cuquinha, revelados pelo Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Um dos destaques é a seção que exibe os diretores que passaram pelo museu e a contribuição de cada um para a formação do acervo. "Um dos mais notáveis capitais simbólicos do museu é o de interpretar e comunicar as identidades dentro das suas multiculturalidades", escreve Raul Lody.

Já o livro agrega textos dos curadores, além dos historiadores Pablo Lucena e André Soares, da escritora e jornalista Marileide Alves e do antropólogo Renato Athias. A publicação vem como um importante complemento para entender o contexto de criação do museu, o panorama das coleções e a riqueza dos acervos, incluindo o afro-brasileiro (307 peças, das quais 86 estão na exposição) e a crescente colaboração dos povos indígenas (846 peças de 54 povos diferentes). Essas duas últimas presenças mostram uma preocupação com a diversidade, visto que, até pelo próprio prédio onde está instalado, o museu pode ser visto como um espelho da Casa Grande.

"O livro celebra os 90 anos do MEPE, fazendo o que é mais importante para uma instituição artística e histórica dessa proporção: a reflexão crítica sobre a sua trajetória e seu acervo, apontando caminhos recentes e visões estéticas e antropológicas diversas. Ele olha para o passado e para o contemporâneo a fim de revelar também a riqueza da produção cultural e artística pernambucana ao longo da história", diz Diogo Guedes, editor da Cepe.

Júlio Cavani reitera a visão de que o museu reúne as referências do que seria uma identidade cultural pernambucana. "É uma atribuição complexa, que estará sempre em transformação e merece estar em constante discussão e reavaliação, já que a cultura não é algo estático."

Em 1930, quando o museu foi inaugurado, o mundo também passava por um processo de transformações. Quatro anos antes, Freyre publicava o Manifesto Regionalista, que defendia que os museus deveriam abrigar objetos aparentemente ordinários do cotidiano, como panelas de barro e cachimbos de matutos. O MEPE foi vanguardista em não se concentrar apenas em objetos da cultura erudita, como explica Maria Eduarda. "O museu também conservou os objetos oriundos das camadas populares, tradicionalmente excluídos dos museus oficiais de então." O historiador André Soares também aponta que existia um movimento contrário à demolição de construções centenárias, como a Matriz do Corpo Santo e o Arco da Conceição: "A preocupação de impedir a fuga de objetos tidos como importantes, sob o ponto de vista material, foi sem dúvida uma das justificativas para a construção do museu."

Questões como a consolidação da diversidade e a valorização de patrimônios históricos, sobretudo construções, ainda são desafios na nossa atualidade. Que o museu siga no caminho de educar, como sugere Raul Lody: "Vê-se o museu como o lugar da legitimação. Se está no museu é bom, ou se está no museu tem importância. Isso faz com que a natureza do museu seja a de um lugar não só de apreciação, mas de um lugar de educação. Deve-se educar patrimonialmente."

SERVIÇO
Lançamento da exposição e do livro Tempo tríbio - Museu do Estado de Pernambuco: 1930-2020 (Cepe Editora)
Onde: Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960, Graças)
Quando: nesta quinta-feira (26), das 19h às 22h
Preço do livro: R$ 90, à venda em lojas físicas e no cepe.com.br/lojacepe
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