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QUADRINHOS

Pernambucano Fernando Athayde lança HQ de estreia do seu selo independente

Publicado em: 07/04/2021 09:16 | Atualizado em: 07/04/2021 12:45

O artista desenvolveu o quadrinho nonsense durante seu mestrado em indústrias criativas para fugir do rigor acadêmico (Foto: Thaís Schio/ Divulgação)
O artista desenvolveu o quadrinho nonsense durante seu mestrado em indústrias criativas para fugir do rigor acadêmico (Foto: Thaís Schio/ Divulgação)


Além de ilustrador, produtor musical e pesquisador, o pernambucano Fernando Athayde decidiu adentrar no mundo das histórias em quadrinho com seu livro A Saga do Porco Dourado. A obra é a primeira história lançada pelo selo independente Elefantes na Sala, criado pelo artista para reunir suas produções e fomentar o mercado de quadrinhos, tidos como a nona arte.

Com roteiro e arte de Athayde, a história acompanha o próprio artista como herói tendo que percorrer uma série de desafios e combates em busca de um segredo do Porco Dourado. Visualmente a obra é marcada por um estilo underground, com características de charge e voltado para o humor pastelão. Uma das principais influências apontadas também por ele é o Shonen, gênero de mangá (gibis japoneses) com muita ação voltado para o público infanto-juvenil.

Um dos destaques é o uso escrachado do nonsense, vertente do humor na qual os elementos não precisam fazer sentido, tanto nas piadas quanto na narrativa. "Foi a história mais espontânea que já escrevi. Quem estiver à procura de um subtexto, vai continuar procurando. A Saga tem pouco comprometimento com a lógica", explica o ilustrador, que revela ter usado muito improviso enquanto desenvolvia o roteiro.

Ao mesmo tempo, o artista brinca com o próprio conceito de humor que produz. "Acho que nonsense é a forma mais chique de colocar em palavras que eu estava um pouco preguiçoso na época que escrevi e desenhei essa história em quadrinhos". Fernando relata que estava estudando muito na época da publicação, que aconteceu durante o seu mestrado em Indústrias Criativas, e acabou encontrando na HQ uma forma de se distrair do rigor acadêmico da filosofia. "Ainda assim, tem umas tirações de onda com isso na história, como, por exemplo, a ilustre participação de Michel Foucault", relembra, aos risos.

Criada em 2020, a marca Elefantes na Sala se tornou uma loja e um site no qual Fernando se apropria do título de um texto do filósofo Foucault para criar o lema: "Tendo a esculhambação como método para uma vida não-fascista". Ainda que se mantenha por financiamento coletivo na plataforma Catarse e programas de assinatura, o site contém gratuitamente vários ensaios, ilustrações e histórias sobre o processo criativo e a vivência do artista na música, tudo através de uma lente bem humorada sem sentido, mas repleta de significado.

A versão física da HQ, ligeiramente diferente da versão online, foi desenvolvida com a editora Dandara Palankof, que também assina o prefácio, e o designer Eduardo Padrão. Desde abril, está disponível para compra pelo próprio site da marca.

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