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CINEMA

Recifest online traz exibição gratuita de filmes e debates sobre problemáticas LGBT

Publicado em: 26/03/2021 12:53

"Letícia, Monte Bonito, 04" é um dos curtas exibidos no festival, que começa hoje (26) (Foto: Recifest/Divulgação)
"Letícia, Monte Bonito, 04" é um dos curtas exibidos no festival, que começa hoje (26) (Foto: Recifest/Divulgação)

O cinema é uma das principais janelas para a representação e valorização das diferenças. Por causa disso, os realizadores do Recifest - Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero não quiseram parar por mais um ano e criaram uma edição especial no formato online, para continuar a divulgar produções que permeiam o mundo LGBT. Com incentivo da Lei Aldir Blanc, o festival acontece desta sexta (26) até quarta-feira (31) de março com a exibição de 30 curtas e um longa-metragem (“Canto dos Ossos”, de Petrus de Bairros e Jorge Polo), além de oficinas e rodas de debate. Toda a programação é gratuita e pode ser conferida por maiores de 16 anos pelo site www.recifest.com.

Normalmente instalado no Cinema São Luiz e já tendo tido sete edições, o Recifest é um dos maiores festivais de cinema LGBT do Brasil. Os curtas apresentados estarão abertos por cinco dias para votação popular e de júri especializado nas categorias de melhores filmes nacionais e pernambucanos. Os prêmios desse ano não serão em dinheiro, mas todas as obras serão gratificadas com o pagamento dos direitos pela exibição no festival.

Através do formato virtual, é natural que as obras recebam uma maior visibilidade por chegar em pessoas de outras cidades e estados. Contudo, um dos curadores do Recifest, Felipe André Silva, pontua que, acima do debate do alcance, é importante que “os festivais não esqueçam que o espaço físico de discussão é essencial, talvez seja a função principal deles”. Por reconhecer esse papel, os coordenadores do festival preferiram denominar essa como uma edição especial, guardando a oitava edição para o mês de novembro, caso volte a ser possível a realização presencial do evento. Após o fim da pandemia, a ideia é que a logística de sempre retorne, mas que algumas sessões virtuais sejam pensadas e integradas na programação para ampliar essa difusão.

Na noite de abertura do festival (26), ocorre um debate online com todos os realizadores e curadores do Recifest. Já no dia 27, Alessandra Nilo, Indianarae Siqueira, Robeyoncé Lima, Sra Santos e Wellington Pastor discutem sobre “Transexualidade na terceira idade, direito à moradia e políticas públicas”. Esse tema, inclusive, foi inspirado nas homenageadas pelo evento deste ano: Elza Show, Sharlene Esse e Raquel Simpson; três das mais antigas integrantes do movimento trans no Recife.

 

Uma das homenageadas, Elza Show é uma atriz e performer que atua desde a década de 60 no movimento Trans do Recife (Foto: Divulgação)
Uma das homenageadas, Elza Show é uma atriz e performer que atua desde a década de 60 no movimento Trans do Recife (Foto: Divulgação)

 

Multifacetas

A existência de um festival exclusivamente LGBT permite que as várias facetas desse universo sejam abordadas. Segundo Felipe André Silva: “Algo muito perverso que acontece em algumas curadorias de festivais não temáticos é tratar o cinema LGBT como cota ou como um nicho. Já na programação do Recifest conseguimos ver como existem filmes díspares e que tratam de coisas muito diferentes”.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas por esse cinema para quebrar essa barreira do “nicho” e ter sua visibilidade plena é o longo debate acerca do que caracteriza um filme como LGBT. São os temas abordados? É a inclusão de personagens que se identificam como parte desse grupo? É a presença de trabalhadores queer por trás das obras? Para o curador, não existe esse elemento chave, mas isso pode ser algo positivo. “Temos muito interesse e cuidado de não selecionar apenas filmes que falem sobre corpos LGBT ou queer, mas também filmes de diretores e realizadores LGBT que falem de alguma outra coisa. Não podemos tratar o cinema LGBT somente como aquele que fala sobre, mas também aquele que é conduzido por. É preciso entender que não precisa de algo específico para considerar um filme como LGBT, pois existem muitas abordagens que ele pode chegar”.

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