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LITERATURA

Parceria da Fundaj com escritor português Gonçalo M. Tavares ganhará livro

Publicado em: 22/02/2021 17:43

 (Foto: Joana Caiano/Divulgação)
Foto: Joana Caiano/Divulgação

Publicado pelo premiado escritor português Gonçalo M. Tavares em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a série O Diário Visual e Gráfico marcou uma colaboração de um nome notável da literatura lusitana contemporânea com o Brasil. O projeto contabilizou cerca de 180 capítulos, desde julho de 2020, e renderá um livro publicado pela Editora Massangana, braço editorial da instituição federal. Muito além dos gráficos, Tavares abordou pautas complexas como xenofobia, dilemas entre a economia e a vida, mortes e a restruturação de um novo planeta em silêncio, ou onde os animais resgataram seus antigos habitats naturais.

"Conclui-se uma etapa, que é sua divulgação diária. A partir de agora, vem outra da maior importância, que é o planejamento editorial para que este Diário se torne um livro e sintetize com agudeza todo um tempo cheio de tensão e tragédia", declara o diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte, Mario Helio.

Ao longo de sete meses, o escritor fundiu literatura, poesia e elementos organizacionais a relatos sobre a pandemia da Covid-19. Assim, as crônicas da vida cotidiana no intitulado ‘novo normal’ ganharam diagramações inéditas. "A memória de dois anos que extrapola as datas, porque há nessa publicação uma linguagem que é um exercício de prosa poética. Gonçalo M. Tavares construiu com esse diário quase um novo gênero literário", observa Mario. 

Residente em Lisboa, capital portuguesa, o escritor recorda como surgiu a ideia da experiência. "Sempre me interessou esta ideia de colocar os pensamentos e reflexões em um ponto de vista visual. Gosto muito das ideias que se podem ver, das ideias que se podem desenhar", conta Gonçalo, ao explicar o surgimento do projeto. “O ponto inicial tinha muito a ver com uma tentativa de boicotar a ideia que os gráficos só servem para contabilidade ou mostrar o número de mortos. Houve uma tentativa de mostrar que eles podem ser poéticos, trágicos, narrativos, ficções, material de literatura."

Com uma escrita pouco óbvia, ele desafiou os leitores a encontrarem os inúmeros sentidos possíveis aos seus diários. "O Diário Visual e Gráfico tentou acompanhar o que estava acontecendo no exterior, mas ao mesmo tempo no interior e aquilo em que eu ia pensando. Ou seja, em primeiro lugar em um diário. Portanto uma espécie de documento do escritor com consigo próprio e também com os acontecimentos. Nesse particular, com a peste", justifica.

Uma das promessas na literatura de Portugal, Gonçalo desde o início arranca elogios por onde passa. Não à toa, foi reconhecido pelo autor de Ensaio sobre a cegueira, o já falecido José Saramago. Dentre os prêmios que coleciona, destaque para a obra Jerusalém (Caminho, 2004), considerada pelo jornal Público o livro da década e traduzida para mais de 50 países. Com o Diário Visual e Gráfico ampliou os laços com o Brasil. "A colaboração com a Fundaj foi muito importante, esta ideia de uma presença diária e constante marcou qualquer coisa de novo que ainda não tinha feito com o País. Só o fato de um diário ser escrito em Lisboa, sem precisar de tradução e aparecer do outro lado do Atlântico é logo algo muito extraordinário."

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