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ARTES

Para fortalecer arte local, 21 artistas pernambucanos se unem em projeto virtual

Publicado em: 15/10/2020 14:53

Cada artista produziu três trabalhos e, ao todo, serão 63 expostos e colocados à venda no site e nas redes sociais da Amparo 60 (Fotos: Reprodução/Fefa Lins e biarritzzz)
Cada artista produziu três trabalhos e, ao todo, serão 63 expostos e colocados à venda no site e nas redes sociais da Amparo 60 (Fotos: Reprodução/Fefa Lins e biarritzzz)

Enxertia, método que consiste na união dos tecidos de duas plantas de espécies diferentes, foi a definição encontrada para batizar um novo projeto idealizado por 21 artistas em parceria com a galeria Amparo 60, sediada em Boa Viagem, no Recife. Com estéticas e discursos plurais, a primeira coleção será lançada nesta quinta-feira (15), no site e redes sociais (@amparosessenta). A inauguração terá sete conjuntos, cada um com o trabalho de três profissionais do grupo, formado por pernambucanos e de outros estados com forte ligação com a cena local.
Em novembro e dezembro, serão lançadas outras duas coleções, cada uma com sete conjuntos, trazendo novas obras ou mesmo novas combinações.

O projeto começou a se desenhar em junho, em conversas com artistas e a galerista Lúcia Costa Santos. A iniciativa experimenta o agrupamento de propostas relacionadas de maneiras distintas, possibilitando novas trocas e vivências. Participam biarritzzz, Caetano Costa, Clara Moreira, Célio Braga, Cristiano Lenhardt, Fefa Lins, Fernando Augusto, Francisco Baccaro, Iagor Peres, Isabela Stampanoni, Izidorio Cavalcanti, Josafá Neves, José Paulo, Juliana Lapa, Kildery Iara, Lia Letícia, Lourival Cuquinha, Mariana de Matos, Marie Carangi, Ramonn Vieitez e Ramsés Marçal. Cada um produziu três trabalhos e, ao todo, serão 63 expostos e colocados à venda.

"É um projeto conceitual que mostra nossos trabalhos como numa exposição, mas de forma virtual. Começou internamente entre os artistas da Amparo, até que as conversas foram se intensificando, e nós vimos a necessidade de trabalhar com mais pessoas”, explica Clara Moreira, que integra o casting da Amparo. O processo foi construído coletivamente, e todos participaram da pesquisa, produção e divulgação.

Para a galerista Lúcia Costa Santos, responsável pela Amparo 60, o projeto tem ousadia. “Acho que temos uma proposta nova se apresentando e isso me instiga muito. Estamos recebendo novos artistas, e isso tem muito a ver com a proposta da galeria de colocar juntos na mesma roda artistas mais e menos conhecidos”, afirma. “O mercado também necessita dessa ousadia, esse desejo de ir além das fronteiras. Eu estou muito confiante que o projeto vai frutificar.”

O processo foi costurado pela curadora Ariana Nuala. “Pensar em enxertia é pensar em um processo de frutificação, porque ela fala um pouco sobre uma pulsão de vida e morte entre dois corpos que estão em momentos distintos, e a reunião desses corpos para criar um corpo híbrido”, explica Ariana, que buscou um ponto de fortalecimento entre as obras, paradoxais entre si. “Já existia uma organização prévia quando eu fui chamada. Diferente do que normalmente acontece, a curadoria não ficou responsável por selecionar as obras, elas partem da escolha dos próprios artistas. Então o meu trabalho foi de explorar o meu olhar externo para reorganizá-los, fazendo enxertos e colocando um dentro do outro.”

Embora toda a proposta seja pensada em conjunto, cada obra foi desenvolvida individualmente pelos artistas, com temáticas plurais. “Eu trago uma obra inédita, inspirada em um trabalho que já existe, portanto, é uma releitura. Usarei o suporte digital e apresentarei uma série de três frames, contendo sangue, movimento e explorando a temática indígena”, explica biarritzzz.

Para ela, que não integra o casting da Amparo, o convite para participar do Enxertia tem um simbolismo maior.  “Será a primeira galeria que vai comercializar uma obra minha, negra, periférica e artista que explora suportes não tradicionais. Embora eu trabalhe há mais de seis anos com arte, a minha trajetória é diferente, isso nunca tinha acontecido para mim antes.”

Apoio

Para Luiza Cavalcante, representante do Sítio Ágatha, instituição que receberá parte da renda com a venda das obras, o apoio aos artistas negros e periféricos é um ponto de intersecção. "Há um bom diálogo entre o projeto e o Sítio Ágatha porque o Enxertia aposta no plantio de novas relações e na sensibilidade a partir da arte. Nós acreditamos que a arte seja transformadoraeoelemento sensível não nos limita. As duas coisas são armas potentes para o enfrentamento do racismo no país. Espero que os artistas periféricos e negros possam compor essa galeria cada vez mais, e a gente se fortaleça", destaca. O Ágatha é um espaço agroecológico, feminista e antirracista situado na Mata Norte pernambucana.
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