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Padre Marcelo Rossi usa do empurrão que sofreu para falar de superação em novo livro

Publicado em: 11/10/2020 11:26 | Atualizado em: 11/10/2020 12:23

 (Foto: Martin Gurfein/Divulgação)
Foto: Martin Gurfein/Divulgação
Em 14 de julho de 2019, o Padre Marcelo Rossi rezava uma missa para 100 mil pessoas, num público em sua maioria formada por jovens, na Canção Nova, em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. O que parecia um dia normal se tornou numa data que daria origem a um novo trabalho do sacerdote encarado como uma missão: a escrita do livro Batismo de fogo, lançado em setembro deste ano. A obra parte da queda que o eclesiástico sofreu do palco de dois metros e meio de altura naquele dia após ter sido empurrado por uma mulher.

Ainda no chão, sentindo muita dor, Marcelo Rossi se perguntou: “O que o Senhor queria com aquilo?” Não encontrou a resposta na hora. Após cinco minutos, se levantou, colocou o melhor sorriso e continuo a missa. A conclusão do questionamento veio 10 dias depois, após muito B.O., sigla dada pelo padre para, o que ele diz ser o melhor remédio contra o mal: Bíblia e oração — porque o boletim de ocorrência mesmo nunca foi feito e ele não quis saber quem foi a pessoa responsável. “Esse é um livro pessoal, que surgiu de um empurrão, literalmente. Desde o início fui impelido a fazer o B.O. e isso me fez refletir muito sobre a minha vida”, explica em entrevista ao Correio.

Dessa reflexão, percebeu que a trajetória de 53 anos, desde a infância até o “famoso acidente”, teve muitas barreiras, provações e quedas. Mas que, com ajuda da fé, conseguiu sempre se levantar e superar quaisquer que fossem as adversidades. Ele diz que esse é o livro mais íntimo que já escreveu e o compara com o clássico Confissões, de Santo Agostinho. “Nesse livro, abri meu coração, como em Confissões, porque Santo Agostinho coloca detalhes da vida dele e consegue falar com o coração das pessoas. Foi isso que eu fiz também”, conta.

Narrativa
Em 12 capítulos divididos em 144 páginas, Batismo de fogo traz relatos pessoais de momentos de fragilidade, incluindo a depressão que revelou publicamente em 2012 em entrevista ao Fantástico. “Acho que é importante mostrar minhas debilidades, porque eu também passo por dificuldades. Quando revelei a depressão, as pessoas perguntavam: “como um padre pode ter depressão?” Um homem de fé pode ter depressão, mas foi justamente a fé que me salvou”, comenta.

Apesar de ter vários livros no currículo, o padre explica que esse é o primeiro que, de fato, coloca todo o seu coração e sua verdade nas páginas, ao contar fatos que nunca havia divulgado. A escrita começou no ano passado, quando não se imaginava que o mundo viveria uma pandemia. A ideia era ter lançado exatamente um ano após o empurrão. Mas a covid-19 atrasou os planos. Só não interferiu no texto, que, de acordo com ele, permaneceu praticamente intacto: “É impressionante, parece que esse empurrão fazia parte de um plano, porque esse livro ele tem tudo a ver com o que estamos vivendo. Ele serve para esse momento da pandemia, da fé na vacina, de ensinar as pessoas a quererem ser melhores a cada dia”.

Por causa disso, o padre acredita que o fato de o livro ter sido lançado na pandemia reforça ainda mais a missão que ele tem de ajudar às pessoas, principalmente, àquelas que estão vivendo momentos difíceis. Ele cita o aumento do número de casos de ansiedade, de depressão e de suicídio durante o período da covid-19. O último é, inclusive, tema de um dos capítulos, quando Rossi conta a história de um familiar. “Estamos vivendo um outro surto, do suicídio, da depressão. Geralmente quando a pessoa tem depressão ela tem pensamentos suicidas. Foi a única coisa que eu não tive, por causa da experiência que tive na minha família. Eu quis, então, atentar a essas pessoas para que elas vejam como é perigoso e possam mudar esses pensamentos. Eu quis falar com o coração”, esclarece.

Como já havia feito em outros trabalhos literários, ao final de cada capítulo, há uma oração que se relaciona com o tema de cada história que leva o leitor a conhecer o tripé da fé de Rossi: a Sagrada Eucaristia, as Sagradas Escrituras e o Santo Rosário. “A minha missão é fazer a diferença. Esse é o meu objetivo. Levar o bem para as pessoas. Registrar como Deus é maravilhoso”, complementa. E ainda cita um trecho da Bíblia que acredita definir o objetivo da obra: Romanos, capítulo 12, versículo 21 que diz “não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”.
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