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'Vou tentar atender o máximo que puder', diz Caetano Veloso sobre live. Confira a entrevista

Publicado em: 06/08/2020 17:01

 (Foto: Fernando Young/Divulgação)
Foto: Fernando Young/Divulgação

Caetano Veloso celebra 78 anos de idade com sua primeira live, transmitida nesta sexta-feira (7), a partir das 21h30, na plataforma Globoplay - aberta para todo o público no Brasil e nos Estados Unidos. A apresentação conta com participação de seus filhos Moreno, Zeca e Tom, dando um tom que conversa com às vésperas do Dia dos Pais. Apenas os quatro, sem outros músicos, se revezam entre violões e voz, com momentos em que o baiano cantará composições próprias dos filhos ao lado de cada um deles.

Desta vez, o encontro será diferente da turnê que fizeram juntos, Ofertório, na qual viajaram por dezenas de cidades do Brasil e do mundo. No lugar do palco, a intimidade de sua casa no Rio de Janeiro, mais precisamente, a sala de Caetano. "O fundamental, que é cantar, estar na companhia dos meus filhos e escolher canções, me dá prazer", Caetano destaca. Em entrevista realizada para a Comunicação da TV Globo, o artista fala um pouco sobre a preparação para a live, a troca virtual com os fãs, o que mais tem feito nesse período de quarentena, o que o humor representa em sua vida e ainda deixa um recado em relação ao momento de pandemia que vivemos.

Entrevista - Caetano Veloso, cantor

Seus fãs estavam muito ansiosos por esta live, que ganhou até o título de “live, a lenda” por toda expectativa gerada. Como você vê todo esse movimento?
Com curiosidade. No começo, eu nem via possibilidade de fazer live. Não achava que o que me era proposto fosse do meu feitio. Mas eu queria fazer. Acho graça de o assunto ter ficado tão falado. O fundamental, que é cantar, estar na companhia dos meus filhos e escolher canções, me dá prazer.

O que o público pode esperar do show?
Recebo muitos recados e e-mails pedindo canções e até orientando se vou para o lado do material ultraconhecido ou se canto coisas que quase nunca cantei. Meu critério deveria ser exclusivamente este: o que eu posso fazer melhor? Mas tanto os sucessos consagrados quanto as coisas que tratam de temas mais adequados à situação de quarentena - além do desejo de cantar canções pouco ouvidas - abalam esse critério. Assim, o público pode esperar um misto dessas coisas todas.

E o que você, como artista, espera desta nova experiência?
Espero poder cantar e tocar num nível razoável. Cantei umas vezes em lives de Teresa Cristina e assisti às de Milton (sozinho e com Xenia mais Liniker) e à de Gil. Vi uma de Péricles Cavalcanti com Yayo, um cantor argentino. E uma de Bel Marques. Lives são situações de clima próprio. Não é como gravar um vídeo ou fazer um show num palco diante de plateia. Gosto das frestas que aparecem nesse formato que surgiu com a quarentena (que já passa de noventena). A gente está longe dos ouvintes mas, de certa forma, com mais intimidade com eles. 

Fazer uma apresentação ao lado dos filhos, em um projeto em casa, tem um significado diferente?
O Ofertório me deu muita felicidade. E fiquei com muito orgulho dos meus filhos, tanto como artistas quanto como pessoas. Adorei a live de Gil (a mais brilhante de todas, mostra de grande destreza musical) e fiquei comovido ao ver os filhos dele (dos quais gosto tanto) participando. Zeca esteve desde fevereiro aqui no Rio, perto. Moreno e Tom passaram tempos em fazendas, mas calhou de estarem de volta agora. Falei logo com eles que queria que eles participassem. Não tem quase nada do Ofertório. Eles vão tocar comigo muitas das músicas escolhidas para a live e eu vou cantar ao menos uma com cada um deles. Nesse caso, canções deles mesmos. Uma, a de Moreno, é uma parceria comigo. 

São mais de cinco décadas de carreira e centenas de composições. Como foi escolhido o setlist da live?
Foi complexo. E ainda está sendo. Acho que até a véspera, mesmo minutos antes (ou durante a própria apresentação) o repertório vai passar por mudanças.

Como tem sido sua troca com os fãs através das redes sociais?
Recebo sugestões e pedidos. Não só através de redes sociais como por e-mail. Vou tentar atender o máximo que puder.

O que você mais tem feito durante o isolamento? Muitas pessoas adquiriram um novo hábito, desenvolveram algum hobby. Aconteceu com você?
Acho que leio mais. Decididamente, leio mais os jornais. Fico horas com essas páginas enormes nas mãos e diante dos olhos. Leio praticamente todos os articulistas e a maioria das matérias. Isso cresceu bastante na quarentena. E livros, que eu leio quando vou me deitar, talvez um pouco mais do que antes. 

O anúncio da live foi feito através de um episódio especial do ‘Sinta-se em casa’ de número 78, idade que você vai completar e mesmos números da data do seu aniversário e foi perceptível o quanto você se divertiu. Existem várias paródias e memes com seu nome e suas fotos na internet. O que o humor representa na sua vida?
Sempre adorei o que me faz rir. Entre os meus filmes favoritos de todos os tempos estão comédias de Billy Wilder. Quando menino, amava o Balança Mas Não Cai da rádio Nacional e os programas divinos da Mayrink Veiga (alguns escritos por Chico Anysio). O humor como elemento dominante de um trabalho artístico é sublime. Gosto do filósofo que põe a comédia acima da tragédia. Os tempos que vivemos não seriam apenas menos suportáveis sem Marcelo Adnet ou Gregório Duvivier: sem pessoas como eles, seriam obscuros, ininteligíveis, sem luz. 

Você inspira as pessoas com sua música e seu talento. Qual mensagem pode deixar para quem está lendo essa entrevista em relação ao momento de pandemia que vivemos?
Que saibam se definir internamente em meio à batalha entre a maluquice das teorias conspiratórias e a natural confusão da ciência. Ter clareza quanto a um mínimo de decisões é necessário em momentos de emergência.

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