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MÚSICA

Disco traz 11 canções inéditas de Adoniran Barbosa

Publicado em: 06/08/2020 10:37

Álbum é fruto do empenho de Lucas Mayer, que garimpou partituras esquecidas numa editora de SP. (Foto: Divulgação)
Álbum é fruto do empenho de Lucas Mayer, que garimpou partituras esquecidas numa editora de SP. (Foto: Divulgação)
A história do álbum Onze, que será lançado nesta quinta-feira (6), é tão boa quanto o resultado. Onze canções inéditas de Adoniran Barbosa (1910-1982) vêm à tona no Spotify em gravações realizadas durante a quarentena no dia em que o ator, cantor, radialista e compositor completaria 110 anos. 
 
Autor da trilha sonora do curta Dá licença de contar (2015) – filme baseado nas letras do compositor de Trem das onze, Saudosa maloca e Tiro ao álvaro, com Paulo Miklos interpretando o próprio Adoniran –, o produtor e músico Lucas Mayer, da DaHouse Áudio, sabia, desde aquela época, da existência de músicas nunca gravadas e esquecidas do sambista paulista.
  
CORISCO 
O material estava guardado na Corisco, antiga editora paulistana. Com o projeto engavetado, no início da pandemia, Mayer, em parceria com o selo Coala.Lab, conseguiu que ele fosse patrocinado pela marca de cerveja Eisenbahn. Teve poucos meses para analisar partituras e letras e reunir um time – Zeca Baleiro, Elza Soares, Francisco, El Hombre, Luê e Zé Ibarra estão entre os intérpretes – para gravar, remotamente, cada música.
 
“Foi um trabalho de garimpo, pois ao ler as partituras, tinha que ver como a letra encaixava com as notas. Foram enviadas 13 músicas, mas duas têm partituras ilegíveis. Então ficamos com 11”, conta ele. As canções foram compostas de 1961 a 1980. Uma vez decifrado o material, Mayer criou uma guia e com um grupo de pessoas definiu quem ia cantar o quê.
 
Onze começou a ser gravado em 14 de junho. Mayer convidou alguns instrumentistas para criar as bases – o baixista Meno Del Picchia, o violonista Gabriel Selvage, o percussionista Kabé Pinheiro e o cavaquinista Ricardo Perito. Cada um fez o registro em sua própria casa. “Quase todos já tinham estúdio. Mas no caso do Kabé, por exemplo, tivemos de montar um na casa dele. Foram vários telefonemas para desenvolver a melhor acústica para o local”, conta o produtor.
 
A distância, via Skype ou Zoom, Mayer dirigiu as gravações. Bases prontas, chegou a vez de trabalhar a melhor maneira de os intérpretes registrarem suas vozes. “Tivemos dificuldade em definir o timbre da voz e montar os microfones para registrar da melhor forma. O Rubel (que gravou Bolso de fora) está em Búzios. Ele usou um microfone RE20, que o Stevie Wonder usou muito nos anos 1970. Já que estava na beira da praia, ficamos com medo de pegar o chiado de mar. Escolhi um microfone que tem poucos agudos, não capta muito as notas altas.”
 
Os kits de gravação foram enviados para cada artista. Illy, que registrou Como era bom, está em Salvador. Foi difícil conseguir alugar o microfone adequado. Já Elza Soares, que colocou seu vozeirão à prova em Vaso quebrado, gravou no seu quarto, no Rio de Janeiro. Juliana Strassacapa, vocalista do Francisco, El Hombre, teve de ir para dentro do armário de casa para conseguir a acústica necessária para Bebemorando.
 
Além dos músicos responsáveis pelas bases, as faixas contaram com outros instrumentistas, de acordo com o desejo de cada intérprete. Tuco Marcondes, músico da banda de Zeca Baleiro, gravou mandolin (uma espécie de bandolim americano) e gaita em Bares da vida. Cantor e compositor recifense, Barro incluiu viola caipira (a cargo de Hugo Lins) em Debaixo da ponte, para dar uma onda mais nordestina ao registro.
 
Fronteiras
Ainda que Adoniran Barbosa seja um dos maiores símbolos do samba paulistano, sua obra, há muito, extrapolou as fronteiras de seu estado natal. Onze, que apresenta o compositor para um novo público, é prova disso. A banda Francisco, El Hombre, por exemplo, colocou Adoniran em ritmo de cumbia. “Como é um ritmo de (compasso) 2 por 4, como o samba, foi fácil um conversar com o outro”, finaliza Mayer.
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