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Brega Bregoso completa oito anos sendo uma bússola de tendências do ritmo

Publicado em: 01/08/2020 09:01

Eliabe King, 28, e Alexandre Vinicius, 24, formam o Brega Bregoso (Foto: Gera/Divulgação)
Eliabe King, 28, e Alexandre Vinicius, 24, formam o Brega Bregoso (Foto: Gera/Divulgação)


No começo da década de 2010, os "internautas" - termo já envelhecido - pernambucanos saíam do Orkut, que inaugurou a experiência das redes sociais no Brasil, e migravam em massa para o Facebook. Os artistas da cena brega local investiam nas carrocinhas de som para divulgação de seus trabalhos, mas já começavam a usufruir dos horizontes digitais de divulgação - Blog dos Bregueiros, 4Shared, Palco MP3, YouTube. Era um ambiente próspero para o surgimento de páginas que agregassem um certo estilo de vida proposto pelo brega, ritmo que também envolve comportamento, dança, consumo, entre outras características naturais de uma cena musical. Ainda naquela época, o Brega Bregoso atendeu a essa demanda.

Há oito anos, em julho de 2012, a página foi criada no Facebook pelos recifenses Eliabe King, do Alto José Bonifácio, Zona Norte do Recife, e Alexandre Vinicius, então morador do Ibura, Zona Sul. O intuito era publicar conteúdos humorísticos que dialogassem com as periferias da Região Metropolitana do Recife, sempre fazendo referências a músicas, fotos e memes de MCs. A identificação foi instantânea. Hoje, o Brega Bregoso atua como uma espécie de plataforma de divulgação para MCs, dançarinos e influenciadores digitais ligados ao universo do brega-funk. O projeto conta com quase 1 milhão de seguidores no Facebook (facebook.com/bregabregoso) e também no Instagram (@bregabregosoo) - que é a rede mais popular entre os jovens, competindo com o recém-chegado TikTok. 

"Em uma semana, a página no Facebook já explodiu, sempre com postagens irônicas. Eu queria fazer a favela rir de si mesma. Na época, acredito que Putzvéi e Ni do Badoque eram os únicos projetos de humor da internet em Pernambuco", conta Eliabe, de 28 anos. "Já tínhamos essa característica de linguagem, de escrever propositalmente errado. Queríamos mostrar que alguém estava na internet, mesmo sem saber escrever o português formal. Isso criou uma forma lúdica de tratar sobre as coisas."

 (Foto: Gera/Divulgação)
Foto: Gera/Divulgação


Eliabe e Alexandre se conheceram no fórum online sobre futebol Cartola FC, uma das mais famosas comunidades do Orkut, nas vésperas da explosão do Facebook no Brasil. "Fazíamos tópicos de humor no fórum da comunidade. Pegamos intimidade por lá e decidimos criar o Brega Bregoso", relembra Alexandre, 24. "No começo, a identidade do criador da página era anônima. Tínhamos fama de 'bad boy' por perturbar com todo mundo. Com o tempo, entendemos que isso não é tão agradável comercialmente, então hoje trabalhamos com essas resenhas que são nossas. O foco é no brega, no passinho e em outros aspectos do dia a dia da periferia."

O Brega Bregoso foi expandido para as outras redes (Instagram e Twitter) e começou a ganhar tons mais "profissionais" em 2017. "Nós poderíamos ter deixado de fazer, mas essa intenção de profissionalizar fez a página perdurar até hoje. Nesse período, muitas páginas cresceram e caíram. Eu fui um pouco resistente de dar o braço a torcer e limitar um pouco o conteúdo", diz Eliabe. 

Sobre a divulgação de novos nomes ligados ao brega-funk, os criadores citam os humoristas Zé Alterado e Anderson Neiff e os dançarinos Tifany Bandim, Alê Oliveira, Clara do Passinho e VT Kebradeira como alguns personagens que ampliaram seus públicos através da página. Eliabe também chegou a lançar a carreira do DJ Bregoso (atualmente independente) e empresariar o MC Biel Excamoso. O projeto tem uma boa relação com a Tropa, produtora comandada por Shevchenko e Elloco, responsável por agenciar a carreira dos principais artistas que levam os hits do passinho aos palcos. O avatar da página, inclusive, traz a imagem da dupla - antes, também já contou com ilustrações de Sheldon e MC Tróia.

Atual avatar da página Brega Bregoso, com Shevchenko e Elloco (Foto: Bruno Atanasio/Divulgação)
Atual avatar da página Brega Bregoso, com Shevchenko e Elloco (Foto: Bruno Atanasio/Divulgação)


Também é possível afirmar que o Brega Bregoso é um dos personagens centrais no endosso de uma estética hegemônica entre os jovens da periferia do Grande Recife, uma espécie de eixo comportamental para projeção de novas celebridades virtuais periféricas. É o que Thiago Soares, professor do departamento de comunicação da UFPE e autor do livro Ninguém é perfeito e a vida é assim - A música brega em Pernambuco (Outros Críticos, 2017), chama de eixo "masculino-provocador" do brega. "É o homem 'galeroso', moleque, jovem, que dispõe de uma performática aderente e sedutora", explica o autor.

Por conta da expansão territorial do brega-funk através das plataformas digitais, a página também é popular em capitais influenciadas pelas tendências que emanam do Recife, como João Pessoa, Natal, Aracaju e Maceió. "Após oito anos, estamos com planos para investir na produção de conteúdos autorais, como vídeos gravados em comunidades, entrevistas com influenciadores e personagens que costumam aparecer na página", finaliza Alexandre.


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