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RESTAURO

Após minucioso trabalho de restauro, Teatro do Parque entra na etapa final da obra

Publicado em: 05/08/2020 15:30 | Atualizado em: 05/08/2020 17:00

Os painéis de Mário Nunes e Álvaro Amorim, datados 1929, estão sendo restaurados no mural boca de cena (Foto: Peu Ricardo/DP FOTO)
Os painéis de Mário Nunes e Álvaro Amorim, datados 1929, estão sendo restaurados no mural boca de cena (Foto: Peu Ricardo/DP FOTO)


Como uma imersão na década de 1929, o Teatro do Parque, único teatro jardim centenário do Brasil, localizado no bairro da Boa Vista, na área central do Recife, será entregue ao público até o final deste ano, com um novo projeto arquitetônico produzido a partir do restauro e da requalificação da estrutura física e de elementos decorativos, devolvendo ao equipamento as características originais do período. As obras foram iniciadas em 2010 e, após um trabalho minucioso de pesquisa histórica, recuperação de alicerces,  sistema de drenagem do prédio e preservação da memória cultural da cidade, seguem para a reta final. Entrar no Teatro será como reverenciar o início da história iniciada há quase 105 anos.

De acordo com o presidente da Fundação de Cultura do Recife, Diego Rocha, o Teatro será entregue até o fim do ano, completo e apto para entrar em funcionamento. "Queremos deixar tudo preparado para quando pudermos abrir as portas tudo esteja pronto para funcionar. Além de teatro, o espaço é também cinema e sede da Banda Sinfônica. São três equipamentos culturais funcionando ao mesmo tempo", explica Diego.

Marcelino Dias, que esteve à frente do Teatro Barreto Júnior por anos, assume a gestão do Teatro do Parque. Em 2012, o equipamento se tornou imóvel especial de preservação pelo Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural (DPPC) e agora está em fase final do processo de tombamento na Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A expectativa é que o processo encerre até o final da obra.

Visão do palco para a plateia e camarotes (Foto: Peu Ricardo/DP FOTO)
Visão do palco para a plateia e camarotes (Foto: Peu Ricardo/DP FOTO)


Inaugurado em 1915, o Teatro fazia parte do complexo formado pelo Hotel do Parque, Salão de Bilhar (uma espécie de cassino) e um cinema. Em 1929, foi arrendado pelo grupo Severiano Ribeiro, sofrendo a sua primeira grande alteração, passando a funcionar exclusivamente como cinema, o que demandou reformas estéticas e estruturais para se adequar à tecnologia da época. Na década de 1950, foi desapropriado, passou por uma reforma e voltou funcionar também como teatro, assumindo a posição de cine-teatro.

Nos anos 1960, foi submetido a uma nova reforma, agora de maior porte, com o intuito de modernizar, com isso, sofreu uma descaracterização muito grande e segui com o mesmo perfil até a década de 1980. No período, passou por uma outra reforma onde começou a ensaiar os primeiros sinais de restauro, com a introdução de algumas características de art nouveau. Depois de uma sequência de interferências, a última obra se deu em 2000, quando foi realizada a instalação de sistema de climatização.

"Teremos um teatro art déco e não art noveau. Será um teatro que nasceu em 1915, período da art nouveau, mas com restauro da ambiência do período de 1929, de art déco. Vamos trazer para o espaço o clima da época. Isso vai ficar em evidência através da paleta de cor, na decoração, na iluminação, que dá uma sobriedade ao equipamento", explica Simone Ozias, responsável pela coordenação da restauração do Teatro do Parque.


 (Foto: Peu Ricardo/DP FOTO)
Foto: Peu Ricardo/DP FOTO


A escolha de reproduzir o período de 1929, estrutura que tomou forma após a primeira grande obra, 14 anos após a inauguração, quando o Parque ganhou o título de cine-teatro, foi guiada pelas possibilidades diante da estrutura física e do acervo documental. "O foyer, a bilheteria e a escadaria monumental também datam desse período. Criar a ambientação de 1929 foi a escolha mais certa diante das circunstâncias e assegura pelas normas e conceitos de restauro", pontua.

"Vamos apresentar um prédio original que é um equipamento público, restaurado, com conforto ambiental, segurança e tecnologia de ponta", adianta Simone. De acordo com a arquiteta, o espaço será reaberto com equipamentos dos teatros mais modernos do Brasil. A sala de exibição contará com tela de projeção 4K e tecnologia 3D, três sistemas de som: para filmes, apresentações teatrais e eventos corporativos, e um novo sistema de climatização.

Segundo Simone, o teatro foi integralmente "descascado com bisturi", confrontado as prospecções da estrutura física do teatro com acervo fotográfico, matéria de jornais e documentais do período. Todo o piso da entrada foi substituído, recriando os ladrilhos hidráulicos da entrada original do prédio usados no fim da década de 1920, experienciando pigmentação e textura similares a do período. "Resgatamos o piso através de fotografias e umas poucas peças originais que tínhamos na estrutura", completa.

 (Foto: Peu Ricardo/DP FOTO)
Foto: Peu Ricardo/DP FOTO


Nas paredes, uma técnica criando uma similaridade com a pedra do período. Os espelhos afixados nas paredes também serão mantidos. As colunas, os capitéis, adornos, mármores e granitos e demais recursos decorativos do período foram resgatados. O que não pode ser restaurado, como telhados, venezianas, foram reproduzidas com rigor histórico e sóbrio, mantendo colorações em tons de cinza e café. As catracas e os gradis foram retirados para dar mais conforto e segurança aos visitantes, ampliando o uso dos espaços comuns.

"Estamos devolvendo à cidade o melhor equipamento que podemos. Devolvemos ao público o conceito de teatro-jardim, onde poderão ter acesso a uma área de convivência, lanchonetes, bancos e banheiros", destacou Simone. O jardim abriga lanchonete, banheiros e salão para apresentações ao ar livre, e dá acesso ao prédio administrativo, camarins e sala acústica destinada aos ensaios da Banda Sinfônica do Recife. Todos os espaços foram totalmente reformados.

Na parte interna do cine-teatro, a caixa cênica e estrutura mecânica do palco foram substituídas por equipamentos modernos e eletrônicos. Os painéis de Mário Nunes e Álvaro Amorim, datados 1929, estão sendo restaurados no mural boca de cena. A obra agora aguarda a chegada das poltronas que foram revitalizadas e adaptadas para uso, conferindo maior conforto e acessibilidade. Com a ampliação dos corredores, seguindo critérios de segurança, a plateia teve capacidade reduzida de 900 para 800 pessoas.

Antes do início do processo de restauro, a estrutura predial foi toda revisada pela Multicon Engenharia, dando início à primeira fase da obra com o objetivo sanar os problemas mais urgentes encontrados na estrutura da edificação para cessar a degradação crescente. Todo o madeiramento, além de telhas, calhas e rufo do telhado tiveram que ser substituídos. Tubulações e fiações das instalações elétricas também precisaram ser completamente refeitas, além das instalações hidrossanitárias e do sistema de drenagem do teatro. Todo o processo de resgate histórico iniciou depois, em paralelo à continuidade das obras civis.

Teatro do Parque em 27 de abril de 1993 (Foto: Romero Accioly/DP. Brasil)
Teatro do Parque em 27 de abril de 1993 (Foto: Romero Accioly/DP. Brasil)

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