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Música

Publicitário divulga pesquisa sobre hábitos de consumo da cena brega pernambucana

Publicado em: 31/07/2020 18:05 | Atualizado em: 31/07/2020 21:07

Jairo Marques (Foto: Verner Brenan/Divulgação)
Jairo Marques (Foto: Verner Brenan/Divulgação)

O brega pernambucano tem sido alvo de estudos em universidades desde meados dos anos 2000, com abordagens que tentam delinear a história do ritmo ou suas características estéticas. O pernambucano Jairo Marques, natural de Olinda, optou por enxergar a cena através por viés publicitário e mercadológico. Em 2015, ele realizou a pesquisa O universo do brega: Hábitos, cultura e consumo, que teve como objetivo esclarecer as conexões entre a cultura do consumo com símbolos e bens materiais que se tornam tendências através do ritmo.

A pesquisa foi um trabalho de conclusão de curso de Publicidade e Propaganda das Faculdades Integradas Barros Melo (AESO), que hoje se chama Centro Universitário AESO-Barros Melo (UNIAESO), com orientação de Izabela Domingues. Após uma recente publicação sobre a trajetória do egresso no portal da AESO, Jairo Marques, 26, decidiu disponibilizar a pesquisa ao público. "A constante presença da cena brega nos veículos impactou diretamente nas influências musicais, fazendo com que hábitos grupais e particulares fossem formados, movimentando áreas do comércio e entretenimento", diz o publicitário, que atualmente comanda a agência Galo Comunicação. 

"Desta forma, a pesquisa teve como objetivo entender como o brega se constitui, em particular em comunidades periféricas. O brega é uma cena cultural que influencia diretamente os hábitos de consumo de diversas pessoas cotidianamente. A moda, por exemplo, vem representada através da ostentação e parte desse público almeja prestigiar alguns desses bens, como artigos com estampa de animais, vestuários de marcas populares como Cyclone, 24x48 e cordas de prata", continua.

O marco teórico da pesquisa conta com conceitos sobre a cultura do consumo, hábitos de classes e estilos de vida, cenas culturais e estética do brega. O então estudante usou como referência sociólogos e pesquisadores como Thiago Soares (UFPE) e Fernando Fontanella (Unicap). O segundo marco foi uma metodologia com experiências etnográficas. Como morador da Sapucaia, no subúrbio de Olinda, ele usou o bairro como campus de desenvolvimento do conteúdo. "Abordei toda a forma de consumo que é feita nas periferias através do movimento brega. Hábitos de comportamento, de comunicação e de expressões simbólicas, que conectavam a parcela da população estudada."

Ao realizar a pesquisa, Jairo não tinha intenção de trabalhar diretamente com o brega, mas acabou enxergando diversas possibilidades referente ao mercado. "Nos anos de 2016 e 2017, esquematizei minha própria festa de brega, montando a marca @Bregosão. Promovi sete edições com diversos artistas pernambucanos, como Sheldon Férrer, Michelle Melo, Pallas Pinho e Ovelha Negra, Eliza Mel, Mancha de Batom e MC Menor", diz.

"Na edição de 2016, conheci a Dani Costa, na época dançarina do MC Menor. Começamos a nos relacionar e trabalhar juntos após três anos. O destino cruzou nosso caminho novamente e convidei a Dani para fazer parte do time de clientes da minha agência de propaganda Galo Comunicação, que está completando cinco anos e atualmente também atua na área musical."

Jairo ressalta que atualmente o grande marco da cena é a internet, que vem ajudando no trabalho de diversos artistas e dançarinos. "MC Loma, Shevchenko e Elloco e MC Troia fortificaram essa característica. O passinho virou tendência e através do brega-funk os dançarinos começaram a ganhar mais popularidade. É notório analisar que daqui há dois ou três anos o movimento esteja cada mais forte. É tempo de oportunidade e de consolidar a cena. Talento é o que não falta neste movimento cultural", opina. 

"Gerenciar um modelo de negócio contribui para que tudo possa progredir. A cena precisa de profissionais capacitados e que enxerguem o brega com clareza. O brega é fonte de renda, é cultura, então temos que consolidar essa marca", finaliza.
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