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Profissionais da área técnica de eventos marcam protesto no Recife

Publicado em: 31/07/2020 19:10

Movimento é composto por técnicos de som e iluminação, produtores, roadies, operadores de gerador de energia, montadores de estrutura de palco, entre outros (Foto: Pixabay/Reprodução)
Movimento é composto por técnicos de som e iluminação, produtores, roadies, operadores de gerador de energia, montadores de estrutura de palco, entre outros (Foto: Pixabay/Reprodução)

Desde o início da pandemia, é comum ouvir que o setor de eventos foi “o primeiro a parar e será o último a voltar”. Muitos artistas estão tentando encontrar novos caminhos, mas os diversos trabalhadores que atuam nos bastidores seguem paralisados. São os técnicos de som e iluminação, produtores, roadies, operadores de gerador de energia, montadores de estrutura de palco, entre outros. Por isso, o movimento Somos da Área Técnica #PrecisamosdeAjuda realizará uma manifestação pacífica no Marco Zero do Recife, neste domingo (2), às 10h. O ato solicita aos governantes um plano emergencial para mitigar a crise, envolvendo linha de crédito, diálogo com o governo e uma retomada consciente.

Segundo a organização, o ato visa a defesa de paliativos claros para os próximos 12 meses, assim como a solicitação de alterações em leis vigentes que não mais atendem a realidade e necessidades da área técnica. “Estamos cientes que a volta de eventos ainda é algo muito complexo, mas precisamos sair do anonimato e mostrar à sociedade e aos governantes que existimos. Já estamos há quatro meses sem trabalho, sem renda e sem apoio. Por trás do mundo mágico dos eventos, existem centenas de famílias que estão sem renda”, diz o texto de divulgação do ato, que também será realizado simultaneamente em outras capitais, como São Paulo e Porto Alegre.

Os organizadores pedem que os participantes vistam camisas pretas ou de suas empresas. Também solicitam que todos sigam as normas de segurança para o contexto de pandemia, usando máscara e respeitando o distanciamento social. “É uma situação muito difícil. Nós criamos várias campanhas para arrecadar donativos através de amigos, empresas e prefeituras, mas não é possível atender a todo mundo. Tem alguns trabalhadores que estão recebendo o auxílio emergencial do governo federal, mas é pouco. Existem empresas do ramo que simplesmente fecharam as portas”, diz o recifense Mário Ribeiro, 56, que trabalha na área de produção técnica dos eventos.

“Tenho amigos que não possuem nenhuma outra fonte de renda que não seja isso. Um deles vendeu o próprio caminhão, outro decidiu fretar. Estamos totalmente desamparados e já chegou no limite.” Mário Ribeiro conta que existia uma esperança de que os eventos pudessem voltar ainda neste ano, mas o caminhar das decisões das gestões públicas não aponta para um retorno.

O manifesto do movimento pontua algumas soluções para enfrentar a crise, como a realização de cálculos proporcionais ao tamanho do ambiente para definir a quantidade de pessoas que poderiam comparecer ao evento. “Os casamentos estão sendo liberados, mas limitados a 50 pessoas. Se uma casa de eventos couber duas mil pessoas? Argumentamos que deveria existir esse cálculo, como um laudo técnico que poderia ser feito com articulações de entidades sanitárias e dos bombeiros”, diz Mário.

Walter Malta, 55, trabalha com locação de som, palco, gerador e banheiros há 12 anos e também está à frente da organização. “Muitas das categorias dessa área não são nem formalmente legalizadas, pois somos prestadores de serviços, não somos como um comércio. Não vimos nenhum político se pronunciando sobre esses profissionais”, denuncia. Ele menciona que a verba da Lei Aldir Blanc ainda não chegou ao estado, e não existem informações concretas para entender como o dinheiro será usado.

ACORDE
Nesta semana, o Acorde - Levante pela Música de Pernambuco, criado por trabalhadores da música do estado, divulgou uma carta ao Governo de Pernambuco para solicitar mais ações e sugerir ferramentas que atenuassem a crise sofrida pelo setor musical. Em resposta, a Secult/Fundarpe apontou a injeção de verba no pagamento do ciclo carnavalesco, editais como Funcultura, entre outros pontos. Sobre a Lei Aldir Blanc, foi editada medida provisória que abriu o crédito extraordinário de R$ 3 bilhões aos estados, mas ainda faltaria uma segunda MP que explicaria melhor as regulamentações. Pernambuco deverá receber R$ 150 milhões.
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