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LITERATURA

Patrimônio Vivo de Pernambuco, poeta José Costa Leite tem trajetória contada em livro

Publicado em: 27/07/2020 16:12 | Atualizado em: 27/07/2020 16:23

 (Foto: Geovanni Cabral/Divulgação)
Foto: Geovanni Cabral/Divulgação


As idas às feiras públicas da Zona da Mata de Pernambuco acompanhando o pai agricultor aguçaram a escuta do cordelista José Costa Leite ainda menino. Ouvir os repentistas e contadores que interagiam com os passantes fez ele começar a aprender a ler e anos depois transformar a atividade no ofício que o tornou Patrimônio Vivo de Pernambuco, em 2006.

Com os folhetos em mãos, arrastando uma mala com centenas de exemplares, Costa Leite atravessou a vida declamando e oferecendo seus escritos ao público. Hoje, dia em que celebra 93 anos, sua trajetória é publicada no livro Histórias e práticas culturais do poeta José Costa Leite (Editora Appris), do historiador Geovanni Gomes Cabral, à venda nas livrarias. O lançamento seria realizado em Condado, na Mata Norte, cidade onde mora o cordelista, mas precisou ser adiado devido à pandemia.

Nascido em Sapé, interior da Paraíba, Costa Leite se mudou com a família para Condado, aos 11 anos, onde passou a trabalhar nos engenhos de cana-de-açúcar. Sem acesso à escola, teve a alfabetização aliada aos primeiros versos escritos imitando o cordel. Aos 20 anos, vendeu os primeiros folhetos nas feiras, dois deles autorais: Eduardo e Alzira e Discussão de José Costa com Manuel Vicente.

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação


"Os folhetos não tiveram muito sucesso, mas fizeram com que ele continuasse a escrever", conta Geovanni Cabral, que transformou a trajetória de Costa Leite em sua tese de doutorado. Em 1949, o cordelista começou a produzir tacos de madeira para os primeiros esboços de xilogravura, gravando neles a imagem que ilustra seu terceiro título, O rapaz que virou bode. "Aos poucos, ele se revelou um grande xilógrafo. Passou a receber encomendas de Giuseppe Baccaro, da Casa das Crianças de Olinda."

Dez anos depois, o cordelista enveredou no ramo dos almanaques. Nascido em Sapé, na Paraíba, e morador de Condado, na Mata Norte de Pernambuco, José completa 93 anos hoje  "Costa Leite é um artista completo, exerce todas as atividade ligadas à literatura popular e, de feira em feira, tornou suas obras conhecidas", frisa o autor. "Em 2010, eu iniciei o doutorado e, em seguida, conheci Costa Leite. Na época, ele ainda ia à feira, arrastando sua mala cheia de folhetos, almanaques e xilogravuras", lembra Cabral.

Aventura, amor, religião, cotidiano, festas e religião são alguns dos temas preferidos do artista popular. "Ele vendia no banco da feira e usava um microfone no pescoço. Chegou a vender 10 mil exemplares. Mas era criterioso: não escrevia sobre política, dizia que deixava isso para os outros." Costa Leite já expôs sua obra nos EUA, França e Chile, além de vários estados brasileiros. Hoje, conta com um acervo de manuscritos inéditose mais de 500 títulos publicados, alguns deles editados pela recifense Coqueiro, especializada em literatura de cordel.

 (Foto: Geovanni Cabral/Divulgação)
Foto: Geovanni Cabral/Divulgação


"A ideia de pesquisar a trajetória de José Costa Leite surgiu no mestrado. Eu estava pesquisando sobre os folhetos, de 1945 a 1954, de Getúlio Vargas e achei as xilogravuras e folhetos dele. 'Quantas temáticas, quantas histórias', pensei. Logo quis organizar um projeto para trabalhar a obra do poeta, a dinâmica das feiras em revelar e alimentar o ciclo produtivo dos artistas populares da época."

O historiador conta que tem um carinho imenso pelas obras do poeta. "Considero Costa Leite o andarilho da poesia, da feira. Toda a expressividade que ele tem vem das feiras públicas, da voz, da rua, dos encontros. Cada dia que eu ia acompanhá-lo na feira ou conversávamos, era algo fantástico", recorda.

O livro é composto ainda por relatos de amigos e familiares e documentações que mostram como o poeta e a memória são importantes para pensar a literatura e as práticas culturais. "A trajetória de Costa Leite envolve trabalho de memória, de pensar a feira na década de 1960, onde os poetas despontaram na literatura de cordel. Remete, inclusive, à memória do Mercado São José", conclui.

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