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LUTO

Morre a artista plástica Tereza Costa Rêgo, aos 91 anos

Publicado em: 26/07/2020 14:27 | Atualizado em: 30/07/2020 19:40

 (Foto: Annaclarice Almeida/Arquivo DP
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Foto: Annaclarice Almeida/Arquivo DP

 


A artista plástica Tereza Costa Rêgo faleceu neste domingo (26), aos 91 anos, no Recife. Ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Joana, no bairro das Graças, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), na madrugada do sábado (25). A artista deixa duas filhas, três netos e uma bisneta. A família ainda está muito abalada com a notícia. O velório será realizado às 10h, no Cemitério Santo Amaro, com benção de Frei Rinaldo, às 10h30. O sepultamento ocorrerá às 11h, no mesmo local. As cerimônias serão privadas aos familiares em respeito às normas de convivência com o novo coronavírus.

Em nota, os familiares confirmaram o falecimento de Tereza Costa Rêgo e agradeceram o apoio e carinho. "É com muito pesar que informamos o falecimento da nossa querida Tereza Costa Rêgo Agradecemos a todas as condolências e mensagens de conforto recebidas. Elas só mostraram o quão querida ela era por todos", diz o comunicado.

"Devemos sempre lembrá-la com amor, gratidão, alegria e saudade por tudo o que Tereza nos proporcionou em vida. Neste momento de dor e profunda tristeza, a família pede aos amigos e amigas, sensíveis compreensões para que ela posssa, nos seu convívio superar a imensurável perda", finaliza.

A neta de Tereza, a jornalista Joana Rozowykwiat, ressaltou a força da avó. "A minha avó era um acontecimento, uma força da natureza. Uma pessoa muito cheia de vida, uma cabeça muito jovem e inquieta. A minha avó Tata partiu hoje e fica a saudade do convívio e dessa voz coerente que ela sempre foi. Mas a pintora Tereza Costa Rêgo essa não acaba, continua. A grandeza de sua obra, sua contribuição para a arte, a cultura e os costumes de nosso país ficam para o mundo. Agora devemos trabalhar para que seu acervo seja preservado e que mais e mais pessoas tenham acesso a ele", escreveu.

Vida e obra

Dos primeiros traços esboçados durante a infância e aprimorados na adolescência na Escola de Belas Artes, Tereza Costa Rêgo demonstrava aptidão, mas, acima de tudo, força. Bisneta do Conde da Boa Vista e filha de uma família tradicional da aristocracia rural pernambucana, Tereza teve uma educação bastante rígida e repressora e foi na arte que encontrou espaço para expressar os seus sentimentos.

Tereza Costa Rêgo morava Olinda, na mesma cidade onde funcionava o seu ateliê, mas, diante da pandemia, estava passando um tempo na casa de sua filha, Tereza Rozowykwiat, onde sofreu o AVC. Ao longo dos anos, Tereza Costa Rêgo se tornou um dos maiores nomes das artes plásticas no Brasil e uma das maiores expressões modernistas de Pernambuco.

O corpo da mulher é um dos seus temas constantes, assim como procissões, igrejas, santos, a paisagem de Olinda e Recife e os animais, com destaque para as telas 7 luas de sangue (1988-1989) e Bordel (1992-2009), além do painel em acrílico O apocalipse de Tereza (2008-2009). São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, Paris e Cuba foram alguns lugares que emprestaram as paredes dos museus para abrigar exposições da artista.

Aos 19 anos, casou-se com José Gondim Filho, com quem teve duas filhas: Maria Tereza e Laura Francisca, mas separou-se após 14 anos. Foi contemplada com três prêmios do Museu do Estado e outro da Sociedade de Arte Moderna. Em 1962, realizou a primeira grande exposição individual, na Editora Nacional, ainda assinando suas obras como Terezinha. No mesmo ano, envolveu-se com Diógenes Arruda, dirigente do Partido Comunista.

O relacionamento a fez deixar o Recife rumo a São Paulo. Lá, viveu na clandestinidade até 1969, dedicando-se à arte e aos estudos, formando-se em história na Universidade de São Paulo (USP), quando seu marido foi preso. Apesar da prisão de Arruda, deu continuidade a sua rotina, dando aulas de história e passou a atuar como paisagista em um escritório de planejamento.

Três anos depois, com a libertação de Diógenes, decidiram pelo exílio no Chile. Mas com o golpe militar no país, mudaram para Paris, na França, onde passaram seis anos. Durante o período, Tereza se dividiu entre o doutorado em história, na Escola de Altos Estudos da Sorbone, e a pintura de telas e quadros, sempre assinados pelo pseudônimo Joanna. Em 1979, quando volta ao Brasil, perde o marido.

O falecimento de Diógenes marca a mudança de vida e os traços de Tereza, como destaca o jornalista Bruno Albertim no livro Tereza Costa Rêgo em três tempos. “Filha de senhor de engenho, bisneta do Conde da Boa Vista, ex-esposa de juiz, mulher de líder político em plena ditadura, além de mãe e avó. Quando se mudou para Olinda depois da morte do marido, decidiu ser ela mesma, uma mulher e sua pintura. Foi então que se tornou imortal”, destacou.

Tereza instalou um ateliê no Sítio Histórico e passou a se dedicar ainda mais às telas, pintando a sua liberdade, das mulheres e do corpo feminino. Suas pinturas se tornaram marco de sua libertação do patriarcado contra o qual ela se rebelou. “Tereza é a grande pintora da arte moderna feita em Pernambuco. Tem uma biografia tão grande e tão impressionante quanto a sua obra. Viu de fato o século 20 se constituir e se dissolver na sua frente, incorporando essas vivências na sua pintura”, frisou Albertim. Pintou mulheres despidas e se despiu para convocar as mulheres a se despir do fardo do patriarcado.


Saiba mais: Autoridades, amigos e familiares lamentam morte da artista plástica Tereza Costa Rêgo
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