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CINEMA

Macabro, filme brasileiro baseado no caso dos Irmãos Necrófilos, ganha debate em live

Publicado em: 23/07/2020 15:00 | Atualizado em: 27/07/2020 14:49

 
O longa é protagonizado pelo ator recifense Renato Góes. (Foto: Divulgação)
O longa é protagonizado pelo ator recifense Renato Góes. (Foto: Divulgação)
 
 
Em 1996, o caso dos dois irmãos que assassinavam e praticavam necrofilia com os corpos de suas vítimas ganhou os noticiários do Brasil. "Os lobisomens" ou "Os irmãos necrófilos de Nova Friburgo" não demoraram para terem seus crimes ligados a uma cobertura mídiatica novelística e espetacularizada. Aos poucos, viraram uma espécie de lenda urbana, um conto de terror na região serrana fluminense. A partir de novas "ficcionalizações", a história ganha suas versão para o cinema no longa Macabro, dirigido pelo carioca Marcos Prado (diretor de Paraísos artificiais e produtor de Tropa de elite) e protagonizada pelo recifense Renato Góes, que no longa interpreta um policial. O filme será uma das primeiras estreias desse circuito de exibições via drive-in, mas ainda sem data para o Recife. O diretor e o ator realizam live hoje, às 18h, no Instagram da Globo Filmes (@globofilmes).

Macabro é um filme de gênero, um thriller policial moderno, ensaiando tipos narrativos ao estilo David Fincher. Lembra o próprio Tropa de elite em sua narração em primeira pessoa, do sargento Téo. Assemelha-se inclusive no seu ensaio de crítica: um sujeito que absorve a dureza do sistema, em seu racismo e seus excessos policiais, que incluem, inclusive (não é spoiler), o assassinato de um inocente no início do filme. O longa exibe em texto, no fim, que o personagem é baseado em um "tipo" policial do Rio de Janeiro. Tanto é que a tal cena da morte do inocente é baseada em um noticiário, quando o policial "confundiu" um guarda-chuva com um fuzil em uma operação.

Mas talvez assim como seu parente de segundo grau, o personagem do Capitão Nascimento, a tentativa de um anti-herói arquetípico soe como forma de heroísmo aos ouvidos de muitos que bradam que "bandido bom é bandido morto", ainda mais com o fato de os dois irmãos acossados serem negros, num país marcado pelo racismo estrutural emulado através das vivêncais da vila. Certamente não podemos dizer que o filme não ensaiou seu enredo para ter uma forma crítica, existe essa intenção. Mas me pergunto até onde vai o poder das imagens que ele evoca, sufocando muitas vezes essa tentativa de equilíbrio.
 
 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
 
 
O filme impressiona bastante pela qualidade técnica, a forma como utiliza seus espaços, suas locações e o rigor como filma a ação. O cenário segue as localidades próximas de onde aconteceram os crimes, num clima soturno, misterioso, em meio aos picos da serra fluminense. "Tivemos duas fases, em cima, um lugar de difícil acesso, e outro na estrada em um hotel mais urbano. Nesse lugar mais pé no chão, foi muito bom pra sentir o ambiente. Foram 40 dias no meio do mato na montanha, onde tudo aconteceu. A gente contou muito com a ajuda dos locais", diz o ator Renato Góes, em entrevista ao Viver.

A partir de um mote real, o filme foi construído através da busca de um equilíbrio pela história original, a ficcionalização e a responsabilidade de contar uma trama que envolve questões como miséria, raça, violência policial e de gênero. "Tínhamos duas opções: contar a história do ponto de vista dos meninos ou contar a história de fora. Para a segunda opção, a gente precisava de algum personagem, mas não tinha um que marcou tanto a história real. A gente pegou outra situação que aconteceu com o Bope, e ficcionalizou em cima disso. Assim como boa parte da história com outros personagens, para tensionar um possível peso de quem é a responsabilidade", explica Góes. "Inclusive, um dos meninos está preso e virou professor, que é um menino que nem sabem se participou dos crimes. Esse cuidado foi todo da história do Marcos Prado, que tem uma pesquisa muito imersiva nos casos que ele filma. Ele foi até em busca do advogado Ibraim, nos autos dos crimes, com os registros mais validados de testemunhas."

Fala-se muito de um cinema de gênero nacional, principalmente após os elogiados As boas maneira (2017) e Bacurau (2019), por exemplo. Mas vale ressaltar que esse tipo de filme nacional, inclusive baseado em um caso real, é muito anterior, remete aos anos 1960, em O bandido da luz vermelha, clássico de Rogério Sganzerla. Mas, de fato, Macabro parece acenar para esta nova leva de filmes, que buscam esse crivo estilístico e narrativo ficcional de ação a partir de casos reais.  Interesse que parte não só da cena independente, mas de grandes estúdios nacionais, em busca de um tipo de narrativa muito consagrada principalmente no cinema norte-americano.  E Macabro não será o único grande lançamento do tipo no ano. Outro filme baseado num crime real é A menina que matou os pais, baseado no caso Suzane von Richthofen e dirigido por Mauricio Eça. O longa teve a estreia adiada por causa da pandemia e está sem data de lançamento.
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