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Globo lança série documental sobre os crimes sexuais cometidos por João de Deus

Publicado em: 23/06/2020 14:48

O primeiro episódio de Em nome de Deus estreia nesta terça-feira (23), às 23h15, na TV Globo (Foto: Mauricio Fidalgo/Globo
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O primeiro episódio de Em nome de Deus estreia nesta terça-feira (23), às 23h15, na TV Globo (Foto: Mauricio Fidalgo/Globo )
Foi o depoimento da coreógrafa holandesa Zahira Leeneke Maus, compartilhado no programa Conversa com Bial, da TV Globo, em 7 de dezembro de 2018, que abriu espaço para centenas de mulheres denunciarem os abusos sexuais sofridos pelo médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, durante atendimentos individuais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás. Alguns dias depois, João de Deus foi condenado há 40 anos de prisão e responde por crimes sexuais cometidos entre a década de 1980 até 2018, contra mulheres que foram buscar tratamento espiritual e acabaram sendo abusadas sexualmente pelo médium.

O apresentador Pedro Bial e a repórter Camila Appel chegaram até Zahira depois de um depoimento publicado por ela em suas redes sociais. Após receber a denúncia da holandesa ao vivo no programa, Pedro e Camila entrevistaram mais dez mulheres que relataram ter sofrido abusos por parte do médium. Os relatos das mulheres reuniam aspectos semelhantes: a busca por um milagre do médium, a vulnerabilidade e o sentimento de indignação, medo e vergonha. Esse foi o começo do trabalho que desaguou na série documental Em nome de Deus que estreia nesta terça-feira (23), na Globoplay. O primeiro episódio será transmitido na TV Globo às 23h15.

Com seis episódios, a produção acompanha a história do médium João de Deus desde sua infância em Itapaci, em Goiás, até sua prisão. A série acompanha o passo a passo da investigação realizada no Brasil e no exterior, revelando denúncias graves e a rede de proteção que o líder espiritual construiu ao longo dos anos. Fruto de um trabalho de 18 meses, a produção também conta com relatos exclusivos de vítimas do médium – entre elas, a filha de João de Deus.

De acordo com o apresentador Pedro Bial, Em nome de Deus é a história de mulheres e de sua coragem de reagir. "Mais do que resistir, de agir, a partir do sofrimento, da humilhação e do massacre que sofreram. É um documentário sobre a voz das mulheres", afirma. O documentário surgiu como uma consequência natural do trabalho de reportagem, que continuou sendo realizado após as primeiras denúncias. "Quando você começa a cavar um túnel, você vai percebendo que vai chegando em algum lugar e vai descobrindo também novos caminhos, e a história vai crescendo... Foi isso que aconteceu e essa história está contada no documentário."

Para a roteirista e repórter Camila Appel, todo o processo de investigação e veiculação dos primeiros relatos de violência sexual cometidos por João de Deus foram conduzidos com todo respeito e cuidado com as mulheres. "Foi um momento marcante na minha vida, sem dúvida alguma. Foi uma experiência emocionante e, apesar do nível de terror de tudo aquilo, uma experiência muito mais bonita do que triste. De esperança", explica. Após a publicação, a repórter conta que foi questionada e taxada de irresponsável por seguidores do médium. "Algumas pessoas questionaram a investigação, disseram que eu era irresponsável de manchar a imagem de um homem santo. Isso mexia comigo. Mas não o suficiente a ponto de me fazer cogitar parar", confessa.

Segundo Camila, o primeiro depoimento da holandesa, em 2018, foi necessário para descortinar uma realidade que é ainda muito presente na sociedade. "Sentimos a necessidade de dar um espaço maior para essas histórias de abuso, para entender seu contexto. É difícil falar em cura porque uma ferida dessas pode não ser curada nunca. Mas ela encontra uma outra forma de existir. Foi isso que eu vi naquela roda, cercada por mulheres corajosas, inspiradas para levantar a cabeça, sair do silêncio, e dizer que vale a pena não se deixar calar".
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