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STREAMING

Em crescimento, serviços de streaming provocam mudanças no mercado audiovisual

Publicado em: 01/04/2020 11:31

Segundo dados do Ibope Conecta e Omelete Group, empresas como Netflix, Amazon Prime Video e HBO Go projetam arrecadar US$ 46 bilhões (R$ 180 bilhões), contra US$ 40 bilhões (R$ 156 bilhões) dos cinemas.  (Foto: AFP)
Segundo dados do Ibope Conecta e Omelete Group, empresas como Netflix, Amazon Prime Video e HBO Go projetam arrecadar US$ 46 bilhões (R$ 180 bilhões), contra US$ 40 bilhões (R$ 156 bilhões) dos cinemas. (Foto: AFP)
 
Com as mudanças no universo cultural causadas pela epidemia do novo coronavírus, o streaming, que já fazia parte do nosso dia a dia, tem conseguido pautar ainda mais o audiovisual. São diversas as listas, recomendações e lançamentos. Finalmente, os serviços se consolidam como principal canal de consumo de cinema e séries. Mas as coisas não são tão simples quanto parecem, pois esses serviços estão provocando mudanças radicais no mercado audiovisual, entrando em disputas cada vez mais acirradas por público e aproveitando brechas em mercados segmentados.

A força do streaming pode ser mostrada em números. Segundo dados do Ibope Conecta e Omelete Group, empresas como Netflix, Amazon Prime Video e HBO Go projetam arrecadar US$ 46 bilhões (R$ 180 bilhões), contra US$ 40 bilhões (R$ 156 bilhões) dos cinemas. Além disso, mostram que 76% das pessoas optam pelo streaming por conta do preço - os planos de TV por assinatura perderam cerca de 10% da audiência em 2019.

Aqui, tudo começou a partir da Netflix, a primeira e maior a chegar no mercado nacional. Ela surgiu ainda em 1997 como um serviço de locadora com um diferencial: entregava as mídias físicas na casa do cliente. Mas apenas em 2007 começou a investir no player de filmes online, forma pela qual se tornou conhecida no mundo todo. “No Brasil, o mercado de audiovisual por streaming começou a realmente funcionar com a Netf lix, em 2011. Foi um dos primeiros mercados que ela entrou também. A Netflix foi pegando um mercado que ninguém imaginou que existisse e fosse lucrativo. Mas ela já estava pensando nessa concorrência que viria em um futuro próximo”, explica, ao Viver, Leonardo De Marchi, doutor em comunicação e professor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O cenário de consolidação absoluta, no entanto, está para passar por turbulências. Segundo Leonardo, vários concorrentes estão prestes a entrar no mercado brasileiro com alguma força, além do surgimento de um forte player nacional: o Globloplay. “Os concorrentes internos estão tentando fazer frente à Netflix, notadamente o Globoplay. Só agora que a Globo se colocou como um player importante, e a Disney está chegando, em menor medida, junto com a Amazon e a Apple. Vamos ver uma competição por mercado”, comenta.
 
Dentro dessa guerra existe naturalmente uma tendência monopolista, já que, a partir do momento que o consumidor notar que está ficando caro ter mais de um serviço, acabará optando por um e, muito provavelmente, pelo que tiver maior acervo. A questão do catálogo também tem reconfigurado diretamente nosso consumo, principalmente porque uma obra estar disponível ou não em um player é sinal de relevância ou de cânone para muitas pessoas. De certa forma, estar disponível ou não nos streamings se tornou, para o público, uma instância de consagração de certas formas de fazer cinema.
 
Não só através do seu catálogo, mas essas empresas tem mudado cada vez mais instâncias de máxima consagração como o Oscar, que tem dado mais visibilidade para essas produções. “É uma forma de a Netflix usar produtores terceirizados para gerar um conteúdo e fazer com que o nível de gasto caia brutalmente. Tanto que ela pretende futuramente ser uma empresa só de originais. A Netflix meio que se torna um estúdio independente. Então ela precisa do selo de qualidade de autoridades desse mercado”, afirma De Marchi. E ter seu próprio Martin Scorsese (O irlandês) ou Alfonso Cuarón (Roma) no catálogo se torna uma chancela de qualidade para outros produtos originais do acervo.
 
Stranger Things, série original da Netflix, é acusada por muitos especialista de ser baseada em algoritmos. (Foto: Netflix/Divulgação)
Stranger Things, série original da Netflix, é acusada por muitos especialista de ser baseada em algoritmos. (Foto: Netflix/Divulgação)
 
A busca por conteúdos originais também implica em menos gastos com royalties de filmes de outras produtoras, além de a originalidade ser objeto de distinção entre os serviços. “Outro elemento fundamental da competição entre elas é o desenvolvimento de sistemas automatizados de recomendações, os algoritmos de recomendação”, diz Leonardo. Esses sistemas vieram definitivamente para mudar nossa rota de consumo. E certamente esses algoritmos moldarão diretamente os filmes, como já foi apontado com a série Stranger things, que muitos acreditam ter o roteiro escrito a partir de tendenciais de consumos de usuários do serviço. Com a saída de cena dos cinemas, o streaming veio para se firmar como a principal alternativa de consumo da sétima arte.

INDEPENDENTES
Não só de gigantes corporações vivem os streamings. Diversos serviços segmentados para públicos mais específicos estão disponíveis no Brasil. “Durante algum tempo, essa segmentação tem tudo para viver com as grandes plataformas. Mas é muito difícil saber se esses nichos vão se manter independentes por muito tempo, porque o custo de operação é muito alto. Não só os royalties dos direitos autorais, mas o investimento em inteligência artificial, a manutenção de algumas coisas”, diz Leonardo. Ainda que de futuro incerto, em meio aos grandalhões investindo no mercado, esses serviços segmentados tem seu público cativo e, nadando na direção contrária dos grandes acervos, buscam um conteúdo mais personalizado.

Streamings
AFROFLIX
Uma plataforma colaborativa com filmes, séries, vlogs, clipes e programas diversos realizados por pessoas negras, seja na direção, atuação ou produção.

Tamanduá tv
Possui catálogo de filmes, séries e documentários dedicado às artes e tem uma variedade de conteúdos educativos e especiais sobre arte nacional.

CRUNCHYROLL
Plataforma focada em animes e cultura asiática. Além de acessar em HD diversas temporadas de animações japonesas não tão acessíveis no Brasil, disponibiliza um leitor de mangás (quadrinhos).

DARKFLIX 
Especializada em filmes de terror, principalmente em clássicos 

MUBI
Focado em cinema mais cult e de autor, divide-se em serviço de vídeo sob demanda, com acervo mensal de filmes que muitas vezes nem estrearam no Brasil ou cinematografias clássicas, além da revista eletrônica The Notebook. Coordena também parcerias com instituições importantes da sétima arte como o Festival de Berlim e a distribuidora brasileira Vitrine.
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