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Literatura

Mesa-redonda ressaltou versatilidade e contemporaneidade de Gilberto Freyre

Publicado em: 11/03/2020 19:54

Mário Hélio, José Nivaldo Junior e Lucilo Varejão durante mesa redonda na Sala Calouste Gulbenkian. (Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto)
Mário Hélio, José Nivaldo Junior e Lucilo Varejão durante mesa redonda na Sala Calouste Gulbenkian. (Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto)
A mesa redonda As várias faces de um escritor, composta pelos escritores Alvacir Raposo, José Nivaldo Júnior e Lourival Holanda e pelo pesquisador Mário Hélio Gomes, inaugurou o seminário Gilberto Freyre: 120 anos de pioneirismo, realizado no campus da Fundação Joaquim Nabuco na tarde desta quarta-feira (11). Embora o enfoque do encontro fosse a exorbitante versatilidade do sociólogo, que completaria 120 anos neste domingo (15), talvez o principal saldo da reunião tenha sido a importância de continuar compreendendo as suas sagazes análises em tempos de intensas transformações sociais e comportamentais, provocadas sobretudo pela tecnologia.

"No momento em que o mundo vive esse cenário complexo e acelerado, com essa dificuldade de se entender o que vivemos, a obra de homens como Gilberto Freyre é bússola para um entendimento do contemporâneo", ressaltou Antônio Campos, presidente da Fundaj, responsável pela abertura da mesa ao lado da escritora e antropóloga Fátima Quintas, curadora da conferência. A coordenação foi de Lucilo Varejão Neto, presidente da Academia Pernambucana de Letras. A plateia contou com a ilustre presença de Sônia Freyre, filha do intelectual e presidente da Fundação Gilberto Freyre, e também reuniu estudantes do EREM Silva Jardim, localizado no Monteiro.

José Nivaldo Júnior fez um sucinto resumo da biografia de Freyre, ressaltando sua relação com o poder, mas também reiterou a necessidade de usar seus clássicos para pensar um contemporâneo permanentemente frágil. "Quando criou a Fundação Joaquim Nabuco, o então deputado federal Gilberto enfrentou resistência do Senado, que era conservador e não aceitava um instituto cujo o objetivo inicial era estudar as condições da vida do trabalhador rural. E, me permitam uma crítica, a instituição se afastou desse tema durante governos que não tinham esse interesse. É preciso não se esquecer desse compromisso. A contemporaneidade nos obriga a entender o trabalhador urbano e rural nessas fases de fascinantes tecnologia", disse, se dirigindo aos jovens estudantes da sala. 

Convidados da mesa redonda na Sala Calouste Gulbenkian. (Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto)
Convidados da mesa redonda na Sala Calouste Gulbenkian. (Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto)
Lourival Holanda, professor do curso de Letras na UFPE, se aprofundou no universo da linguagem. “Gilberto conseguiu aguçar os nuances da cultura que escapam dos conceitos por conta de seu estilo. Ele mexe com essa aproximação delicada que é a linguagem [...] Ele é singular porque orientou, se armou de uma agudeza do olhar que é próprio da literatura”.

Mário Hélio Gomes, gestor da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj, abordou contemporaneidade e estilo. Para justificar o rico arcabouço literário do homenageado, o pesquisador chegou a exibir imagens de um diário de primeira juventude de Freyre, onde ele costumava “colecionar palavras”. “Existia esse gosto lúbrico pela literatura”m ressalta. “Ele aprendeu a escrever mais tarde do que o normal, pois foi se educando em inglês e português ao mesmo tempo. O inglês, inclusive, teve muita influencia na forma de escrita dele”.

Mais análises
Gilberto Freyre: 120 anos de Pioneirismo segue nesta quinta-feira (12). Fátima Quintas coordena a mesa-redonda Memória e contemporaneidade nesta quinta-feira (11), às 14h30, com Antônio Campos e os professores Anco Márcio e André de Sena. Depois, uma conferência do professor Antonio Dimas, especialista em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), ressalta a importância do período no qual o sociólogo passou nos Estados Unidos - importante, por exemplo, para ele se interessar por antropologia.
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